Monday, October 02, 2017

Karl Marx / Friedrich Engels - "A Ideologia Alemã" - Mapa Conceitual referente à "Introdução", por Jacob Gorender, publicada na edição da Martins Fontes, 2001



O Mapa Conceitual abaixo sumariza os conceitos apresentados na "Introdução" escrita por Jacob Gorender ( https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacob_Gorender ) e incluída na edição da Martins Fontes (2001) da obra "A Ideologia Alemã".

Nele podemos ver que os conceitos de luta de classes, comunismo, materialismo, proletariado, mais valia, etc., fundamentais para o pensamento marxiano, já estavam presentes nesta obra.  Podemos ver também que não são criações exclusivamente de Marx, mas ao contrário provieram de diversas influências sofridas pelo autor - o que não quer dizer que não haja um enfoque original em suas idéias.

Esta forma de apresentação - mapa conceitual - nos agrada por permitir um exame "desestruturado" dos conceitos.  Evitamos uma forma "hierárquica", de "organograma", preferindo uma forma semelhante a uma "estrela".  Entretanto, nosso "sistema estelar" tem vários focos, os conceitos tem várias "esferas de influência".  Acreditamos que esta apresentação é mais fiel à realidade dos fatos - realidade que dificilmente cabe em uma hierarquia de importância de fatos ou em uma linha do tempo bem definida.   

O mapa abaixo vai ser melhor visualizado se a figura for aberta uma janela específica do browser (clique com o botão direito do mouse na figura e escolha "abrir em nova guia" ou "abrir em nova janela" no menu de atalho que vai ser oferecido).
Foi criado com a ferramenta CMap Tools, criada pelo Florida Institute for Human and Machine Cognition (IHMC - https://cmap.ihmc.us/ ), um instituto de pesquisa sem fins lucrativos, ligado ao State University System of Florida, uma rede de doze universidades públicas.  Você pode baixar o software gratuitamente para navegar neste mapa conceitual - o arquivo .CMAP original está disponível no meu Google Drive (em https://drive.google.com/open?id=0B13gLOC-FjgqblppRTBvMUxFdEE ) e/ou para criar seus próprios mapas conceituais, que considero uma excelente ferramenta de aprendizado.  Note que os "ícones amarelinhos" no mapa são "comentários", que você poderá abrir caso use o CMap Tools para visualizar o mapa.


Friday, September 15, 2017

Caray! O MS-DOS tinha um "ls" com parâmetros?! O MS-DOS tinha pipes?! O MS-DOS tinha GREP?! SIM, TINHA!

Ai porque os utilitários Linux isto, os utilitários Linux aquilo... Rá! O velho MS-DOS já tinha MUITAS destas funções!  
Quanto a pipes, por exemplo, o site do Linux Project diz "A pipe is a form of redirection that is used in Linux and other Unix-like operating systems to send the output of one program to another program for further processing."  (veja http://www.linfo.org/pipes.html).

"Linux and other Unix-like operating systems"???!!!
Mas o velho MS-DOS já fazia isto!  O DOS já tinha pipes!
Utilitários para classificação, para localização de textos dentro de arquivos, o DOS também tinha!
Mostro abaixo dois exemplos - exemplos práticos, reais, que resolveram problemas reais - de uso...
não diria avançado, mas "correto", do DOS, que usam vários destes recursos.
Notem que não estou dizendo que o DOS é melhor que o Linux.  O que quero salientar é que muita gente que não sabe nada de DOS fica afirmando que Linux é melhor...  porque faz as coisas que o DOS faz!  Não se pode comparar duas coisas quando não se conhece uma delas!

Linux é ótimo, mas vamos valorizar o Linux pelo que trouxe de novo e de aperfeiçoamento, e não por reproduzir o que já existe há trinta anos! 

Usando "pipes" no DOS
Veja um exemplo no comando abaixo
dir frm*.vb /b /on | findstr /I /V /L "designer" > ListaDeForms.txt
Ou seja,
"Sr. Comando DIR,
liste todos os arquivos que comecem por "frm" e tenham a extensão ".VB"
use o "formato básico" nesta lista
e classifique-a em ordem alfabética por nome de arquivo
ao final passe o resultado para o comando FINDSTR".
"Sr. Comando FINDSTR,
faça uma comparação ignorando a diferença entre maiúsculas/minúsculas,
e selecione apenas as linhas que NÃO contém
a literal "designer"
ao final armazene o resultado em um arquivo "ListaDeForms.txt"
Que tal?! 


Programando em  DOS
Usando o DOS, a saga continua...  E resolve um problemão: se eu tenho uma biblioteca de controles em WPF/C#, e quero saber quais Windows Forms/VB.Net estão usando um determinado componente, "Find All References" no Visual Studio simplesmente NÃO FUNCIONA. 
Mas e se eu usar comandos DOS para inspecionar os fontes? Mais fácil do que andar pra frente!
Posso usar FINDSTR para localizar o instanciamento de uma determinada classe C# nos arquivos do diretório que contém o meu projeto VB.Net:
findstr /N /L "NomeDaClasse()" frm*.vb
Com "/N", a saída vai incluir até mesmo o número da linha, como por exemplo
frmNomeDoArquivoFonte.vb:327: NomeDaClasse = New NomeDaClasse()

Como eu sou preguiçoso e não quero ficar digitando (ou editando o mesmo comando várias vezes (no meu caso trinta vezes, tenho trinta controles que quero localizar onde/se são usados), resolvi criar um .BAT para facilitar:
C:\DiretorioDoProjeto>copy con Procura.bat
findstr /I /N /L "%1()" frm*.vb
^Z
1 arquivo(s) copiado(s).

Rá rá, notem que chutei o balde e não usei editor nenhum, usei COPY CON pra criar o arquivo! 
"copy con nome-de-arquivo" faz o DOS copiar o que digito para o "nome-de-arquivo".

Ou seja, o que digito é inserido no arquivo "Procura.bat".  Ctrl+Z encerra a entrada de dados.

Notem o "%1" na linha do comando "findstr" - é um placeholder para um parâmero que será fornecido em tempo de execução do .BAT.

Bom, uma vez criado meu BAT, posso comandar simplesmente
C:\DiretorioDoPRojeto>procura NomeDaClasse
e obtenho o resultado desejado: os nomes de todos os arquivos onde a classe é instanciada, e os números das linhas!


Friday, July 28, 2017

Bobbio e o Jusnaturalismo, ou "O Jusnaturalismo é uma miragem"

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA POLÍTICA
DISCIPLINA – Política I: Fundamentos da Teoria Política (HUM 06029)
PROFESSOR: Hélio Ricardo Alves
AVALIAÇÃO II

ALUNO: Pedro Francisco Borges Pereira
                 Matricula 290300


O modelo que Bobbio apresenta em contraposição ao “modelo jusnaturalista” ou Hobbesiano é o “modelo aristotélico”, ou “modelo grego”.    O tema da prova, “A partir das leituras realizadas daqueles três autores (Hobbes, Locke e Rousseau), elabore um texto comentando as diferenças de suas teorias com o ‘modelo alternativo’ apresentado por Bobbio”.  O modelo alternativo a que Bobbio se refere de Bobbio é o modelo grego ou modelo aristotélico;  porque ele usa este termo não é claro para mim, uma vez que o modelo aristotélico foi o vigente durante séculos.  Também me confunde o fato de o modelo proposto por Hobbes ser chamado "escola do direito natural", uma vez que baseia-se em uma concepção imaginária e nunca concretizada de "natureza".  Enfim, vamos à comparação solicitada pela prova.
Para comentar as diferenças entre os dois modelos, começarei abordando o modelo jusnaturalista, que Bobbio evidentemente considera superior, tanto que se refere a Hobbes, Locke e Rousseau como “os três grandes”).  Mais: em sua obra “O modelo jusnaturalista”, Bobbio declara que “o método [do jusnaturalismo] que une autores tão diversos é o método racional, ou seja, aquele método que deve permitir a redução do direito e da moral [...], pela primeira vez na história da reflexão sobre a conduta humana, a uma ciência demonstrativa”.
As diferenças entre os dois modelos – aristotélico e jusnaturalista – baseiam-se no fato de que o método aristotélico baseia sua análise do Estado na “sociedade natural originária, a família”; o modelo jusnaturalista parte de um “estado de natureza genérico, no qual os homens teriam vivido antes da constituição do Estado”.
O próprio Bobbio, entretanto, na mesma obra, diz que[1] “Hablo de ‘modelo’, no por vicio o por utilizar uma palavra de fácil uso, sino sólo para expressar de forma inmediata la idea de que uma formación histórico-social como la descrita no ha existido nunca em la realidad”.  O grifo é meu, voltaremos a este ponto.
As diferenças decorrentes desta primeira premissa diferenciada entre os dois modelos são descritas pelo próprio Bobbio no texto objeto da prova; irei apenas resumi-las brevemente aqui pois a tarefa é muito simples; não é necessário conhecer nem interpretar a obra de Bobbio, nem de Aristóteles, nem de Locke, nem de Rousseau: basta consultar o texto passado como tema da prova.  Usarei a forma de uma tabela:
Aspecto do Estado
Modelo jusnaturalista
Modelo aristotélico
a) Origem
Concepção racionalista da origem do Estado
Concepção histórico-sociológica da origem do Estado
b) Natureza
O Estado como antítese do “homem natural”
O Estado como complemento do “homem natural”
c) Estrutura
Concepção individualista atomizante do Estado
Concepção social e orgânica do Estado
d) Finalidade
Concepção idealizada do estado pré-político, de onde se originam as teorias dos direitos naturais
Concepção realista do homem em sociedade, segundo a qual o homem sempre viveu em estado de sujeição e desigualdade
e) Fundamento
Teoria contratualista
Teoria naturalista
f)) Legitimidade
Legitimação através do consenso
Legitimação através da “força das coisas”

Elencadas estas diferenças, peço vênia para tecer alguns comentários.
Sobre a Origem do Estado
Bobbio considera que a “concepção racionalista” do jusnaturalismo é superior à “concepção histórico-sociológica” do modelo aristotélico, apesar de que “uma formação histórico-social como a descrita nunca existiu na realidade”.  Tenho opinião diametralmente oposta, e a fundamento:  se todos os raciocínios e deduções do jusnaturalismo se baseiam em algo que nunca existiu, o jusnaturalismo não passa de uma falácia – a “falácia da falsa premissa”.  Como o “estado de natureza”, conceito no qual se baseiam as idéias de Hobbes e de Rousseau, nunca existiu, qualquer dedução feita a partir deste estado de natureza não se sustenta, é um silogismo!   O apregoado “método racional, que reduz o direito e a moral, bem como a política, a uma ciência demonstrativa”, em nada mais consiste do que em fantasias construídas sobre uma miragem!
A abordagem aristotélica, por outro lado, pode ter seus pontos fracos[2], mas é cientificamente válida, uma vez que aborda a origem do Estado pela perspectiva da obtenção de evidências empíricas – como diz o próprio Bobbio, o modelo aristotélico baseia-se “na sociedade natural originária, a família, que é uma forma específica, concreta, historicamente determinada, de sociedade humana”.  A abordagem aristotélica peca por considerar a cidade-estado como “a forma última e perfeita de estado” (mas não esqueçamos que Rousseau, o “cidadão de Genebra”, não estava longe disso...), assim como na excessiva simplificação das analogias que faz entre o Estado e a família.  Aristóteles, definitivamente, não era um cosmopolita, era um homem do seu tempo, da sua cidade, da sua casta, e isto estreitou bastante sua visão.
Mas como vamos entender o direito, a moral e a política usando um modelo imaginário, um “produto do nosso raciocínio”?  O direito existe mesmo entre as tribos primitivas, consuetudinário embora – e exatamente por ser consuetudinário envolve muito mais do que a razão!  A moral afeta profundamente nossas emoções – que discorde quem nunca sentiu culpa, remorso, vergonha, por ter feito algo que “sabia” que era “errado”.  E política... Ora, a política talvez seja aparentemente racional – votamos no candidato que “promete” fazer coisas que “achamos” que nos beneficiarão.  Mas como explicar, então, a eleição de tantos parlamentares bizarros?  Analfabetos, viciados, seqüelados das drogas, ladrões confessos e notórios... Todos estes tipos conseguem se eleger – e que racionalidade é esta?!  Não, a política, assim como o direito e a moral, envolve muito mais do que a razão pura!  A “razão pura”, portanto, é um instrumento totalmente inadequado para analisar o direito, a moral e a política!  O jusnaturalismo diz abandonar o “modelo grego”; abandona Aristóteles, na verdade, mas aferra-se a Platão, crê no “mito da caverna”, vê o mundo real como uma “sombra” – uma sombra das fantasias que a mente dos jusnaturalistas concebe.  Esta desvinculação do mundo real, no limite, chama-se “alienação mental”.
O modelo aristotélico, em contrapartida, baseia-se (nas próprias palavras de Bobbio) “na sociedade natural originária”.  Há melhor forma de fazer ciência do que observando a Natureza?  Admito que o modelo grego tem falhas.  Mas temos, hoje em dia, as ferramentas para sanar estas falhas.  A sociologia, a psicologia, a antropologia, a arqueologia, a etologia – todos estes ramos da ciência podem contribuir para aprofundar nosso conhecimento da natureza humana, podem nos ajudar não só a entender nossas formações sociais atuais, como a conceber uma sociedade, um mundo, em que o máximo do potencial humano possa se realizar – e digo “humano” tanto no sentido biológico quanto etológico, social e psicológico.  Deixemos, sim, que nossa razão e nosso poder criativo corram soltos – mas orientemos seu vôo pela realidade, e não por fantasias platônicas!
O Estado é legitimado pelo Contrato Social – pelo consenso – pregam os contratualistas
Mas quem disse que há consenso na nossa sociedade?  E quem disse que há Estados legítimos?!
Busquemos alguns dados empíricos, dando uma rápida olhada ao nosso país, no momento atual.  Nosso Governo nos toma em torno de 40% de tudo que é produzido, sob a forma de impostos, taxas e “contribuições” (sic).  Em troca, o Governo nos devolve escolas que literalmente caem aos pedaços e hospitais carentes de tudo, onde os doentes morrem pelo chão – para citar a falência de apenas dois dos serviços públicos mais básicos, pois tudo, literalmente tudo que o Governo deveria providenciar com o dinheiro dos impostos – nosso dinheiro, ganho com nosso trabalho! – não é provido, ou é provido da forma mais deficitária.  Em compensação, castas privilegiadas de “servidores públicos” (juízes e procuradores, por exemplo, assim como os legisladores e mandatários do executivo), vivem como reis, com salários principescos, com privilégios nababescos.  Não contentes com ganharem dez, vinte, trinta vezes o salário de um cidadão comum, ainda nos roubam, descaradamente – e sistematicamente tem escapado à punição pelos roubos.  Quem concorda com isso?  Tu, leitor, concordas com isto?  Que “contrato” é esse?  Que assentimento demos a este descalabro, a esta injustiça?!  Olhemos os fatos, deixemos de sonhos e fantasias – nossa sociedade não se baseia em “contrato” algum e sim em um mecanismo secular de dominação.  Uns poucos, pertencentes ás castas privilegiadas, se repoltreiam no luxo, no fausto.    A maioria da população apenas sobrevive, mourejando de sol a sol, sem nunca melhorar de vida, sem nunca ter um descanso.  Quando ocasionalmente despertamos da letargia e vamos às ruas protestar, aí aparece a polícia.  A mesma polícia que nunca tem efetivos para “servir e proteger” a população aparece em legiões para jogar gás lacrimogêneo, disparar balas de borracha, espancar e pisotear a pata de cavalo o povo que grita por justiça e liberdade!  E isto é um “contrato social”?!
Senhores, mantenhamos nossos pés em solo firme.  A filosofia do direito, da ética e da política são, sim, ciências.  O empirismo, por si, não constrói paradigmas científicos, mas os bons paradigmas não podem estar em contradição com o que é observado na Natureza.
Concedamos a alguns dos jusnaturalistas, dos contratualistas, o mérito de terem nos contado uma bela história, que talvez possa até mesmo suscitar no futuro algumas hipóteses verdadeiramente científicas.
Mas façamos ciência social com o bom-senso aristotélico, atuando em harmonia com a História, a Sociologia e as demais Ciências Humanas!







[1] Cito a versão em espanhol publicada pelo Fondo de Cultura Económica do Mexico, 2ª edição, 1992 – tradução de Manual Escrivá de Romaní.  Pag 3.
[2] Causados principalmente, a meu ver, pelo fato de Aristóteles ser um aristocrata e portanto estar imbuído da idéia de uma sociedade dividida em castas, e da idéia da escravidão, como perfeitamente naturais.

Sunday, July 16, 2017

Comentários sobre Hobbes e Rousseau - ou "Era Hobbes um Neurótico Masoquista?"





Este post é um trabalho da faculdade.
Tive preguiça de "converter" o trabalho para um "artigo de blog", portanto aqui vai ele, com cabeçalho e tudo! :-)

A parte que eu me diverti escrevendo foi o item 3 - "Comentários -  talvez impertinentes, da parte de um calouro de Ciências Sociais".  É nesta parte que eu abordo o tópico do meu "título alternativo", "era Hobbes um neurótico masoquista?".
Espero que vocês se divirtam também!
:-)

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Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Curso de Bacharelado em Ciências Sociais
HUM06029 - Política I: Fundamentos da Teoria Política
Turma D – 2017/1

Professor: HÉLIO RICARDO DO C. ALVES

Aluno:
Pedro Francisco Borges Pereira
Matricula 00290300

ATIVIDADE AUTÔNOMA II
Comparação entre os textos
 “De Cive”, de Hobbes – Capítulo Oito – Do direito dos senhores sobre os servos
e “Do Contrato Social”, de Rousseau – Capítulo IV – Da escravidão

1.      Os Autores.

Para prover algum contexto, revisemos alguns dados sobre os autores.
Hobbes nascem em 5 de abril de 1588, na Inglaterra, e faleceu aos 91 anos em dezembro de 1679;  foi filósofo, historiador e também matemático.  Seus trabalhos mais conhecidos são os que trataram de filosofia política, especialmente o Leviathan (1651).  Filho de um eclesiástico, foi contudo criado por um tio, próspero fabricante de luvas.  Cursou boas escolas, formou-se em Oxford e antes de completar trinta anos já pôde viajar pela Europa (França, Itália e Alemanha) a serviço do Conde William Cavendish – pode-se dizer que a vida de Hobbes foi passada a serviço da família Cavendish, como tradutor, companheiro de viagens, guarda-livros, representante comercial, conselheiro político, colaborador científico.  Outro fato que, a meu ver, tem muita influência no pensamento de Hobbes é ter vivido durante a Guerra dos Trinta Anos – uma série de conflitos entre várias nações europeias entre 1618 e 1648 em torno de disputas religiosas, territoriais e comerciais.  Ter presenciado a mortandade e a anarquia geradas por este conflito talvez seja uma das razões para a crença de Hobbes de que (peço licença para colocar nas minhas palavras) “o estado natural do homem é uma guerra de todos contra todos; a forma de libertar-se desta miséria é submetendo-se a alguma forma de governo; qualquer governo é melhor do que o caos, a violência, a miséria e o medo do estado de natureza”.
Rousseau nasceu em 28 de junho de 1712, em Genebra (hoje na Suiça, em sua época uma cidade-estado), e faleceu em dois de julho de 1778, na França.  Orgulhava-se de ser “de classe média” e de ser “cidadão de Genebra”.   Viveu em Genebra, na França e na Inglaterra.   Na juventude, chegou a estudar para se tornar padre católico, exerceu depois as profissões de músico e professor; foi também o mordomo de sua amante e mentora, Mme. De Warens.  Mudando-se para Lyon como professor, entrou em contato com algumas das grandes figuras do Iluminismo francês.  Poucos anos depois apresentou seu “Primeiro Discurso” (Discurso sobre a Ciência e as Artes) na Academia de Dijon, ganhando o primeiro prêmio e tornando-se conhecido.  Este trabalho introduz a base para suas obras mais conhecidas – e polêmicas, à época (Emile, A Origem da Desigualdade, O Contrato Social, ...).  Tão polêmicas que o fizeram ser perseguido, fugir da França para a Inglaterra e renunciar à cidadania de Genebra.  Retornou à França, onde morreu, em 1767, produzindo nesta fase principalmente textos autobiográficos, de botânica e de música.

2.      Os textos.

Os dois textos têm em comum o fato de abordar a liberdade e a escravidão.  Embora ambos os autores retirem sua noção de “sociedade civil” do conceito de “homem em estado natural”, os dois divergem radicalmente na sua visão deste “homem em estado de natureza”.  Hobbes se fixa na idéia da autoridade – melhor dizendo, do autoritarismo – como essencial à associação humana.  Seu raciocínio é fixado em domínio, em vencedor e vencido, em mais fraco e mais forte – o que é perfeitamente razoável para alguém que acredita que a natureza do homem é intrinsecamente má e que seu estado natural é “uma guerra de todos contra todos”.   Para Hobbes, “a família é um pequeno reino”, e um reino é formado pelo “domínio sobre as pessoas dos homens”.  A partir destas premissas, Hobbes descreve no texto as minúcias dos direitos do senhor sobre o servo.  A “própria força” e as “forças naturais” (?), para Hobbes, são os meios pelos quais “adquire-se direito sobre as pessoas”.  O mundo que Hobbes descreve não só é brutal, imoral e injusto – é evidentemente contrário à nossa noção moderna de direitos humanos e, portanto, tende a tornar impossível uma vida suportável numa sociedade construída conforme suas premissas.
 Rousseau, ao contrário, começa suas colocações postulando que “homem algum tem autoridade natural sobre seus semelhantes e que a força não produz qualquer direito”.  Declara mais adiante que “renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem, aos direitos da humanidade e até aos próprios deveres”.  Rousseau não se opõe a todos os governos, opõem-se aos governos arbitrários – que são, na sua concepção, ilegítimos.   Para Rousseau, nem mesmo através da guerra alguém pode ser escravizado, uma vez que a guerra ocorre entre Estados, e não entre particulares.  Diz Rousseau que “as palavras escravidão e direito são contraditórias”; é absurdo falar em “direito de escravizar”.  Estes pontos de vista baseiam-se na concepção de Rousseau de que a natureza humana é intrinsecamente boa, de que o homem em “estado de natureza”, possui uma “moral natural”, que o torna “avesso a testemunhar sofrimento” e da qual emergem as noções de compaixão ou empatia.
É preciso admitir que a História mostra que o homem pode ser o animal cruelmente autoritário descrito por Hobbes;  há menos de cem anos o nazismo mostrou o pior da natureza humana e mesmo hoje em dia temos ditaduras cruéis e seguidores fanáticos.
Mas é preciso lembrar também que mesmo nas sociedades ditatoriais o espírito humano encontra espaço para aspirar à liberdade, e para buscá-la.  O movimento da humanidade em direção a sociedades mais livres tem sido constante; as autoridades irracionais, arbitrárias, que ainda existem, não podem mais apresentar-se abertamente assim, precisam inventar fachadas que as tornem aceitáveis.  Esta me parece uma demonstração empírica de que o enfoque de Rousseau é mais realista em relação à natureza de nossa mente – da alma humana, se quiserem usar tais palavras.   

3.      Comentários - talvez impertinentes da parte de um calouro de Ciências Sociais.

Como calouro, estou consciente de que meus conhecimentos são muito limitados.  Mas, calouro ou não, sou um acadêmico, e isto implica, mais do que no direito, na obrigação de declarar o meu entendimento sobre nossos temas de estudo.
Valiosas como são as contribuições dos autores clássicos, eles viveram em outra época, em outra sociedade.  Não podemos colocar de lado suas obras, mas temos a obrigação de interpretá-las no contexto do nosso tempo.  É nesse espírito que faço as considerações a seguir.

4.      “Estado de Natureza”: o estado natural do homem é em sociedade!

Como vimos, tanto Hobbes quanto Rousseau apresentam seu conceito do “contrato social” colocando a sociedade civil em oposição ao “estado de natureza” – que seria um estado do homem “antes que a sociedade organizada existisse”.    Mas, na minha opinião, não há tal coisa!  O homem nasce pertencendo a uma sociedade, isto independente de ser um aborígene perdido em algum sertão ou um habitante de uma grande cidade, independente de tomarmos o homem dos dias atuais ou as sociedades mais antigas e primitivas!
Jared Diamond, em seu livro “The Third Chimpanzee”[1], apresenta o conceito de que o homem é nada mais que uma espécie de chimpanzé.  Mesmo que não aceitemos a hipótese integralmente, é inegável que somos primatas – e os primatas vivem em sociedade, conforme detalhada e amplamente descrito nos trabalhos de Jane Gooddal[2].   O estado de natureza do homem é em sociedade!  Não há notícia, na antropologia nem na sociologia, de alguma população de homens primitivos vivendo isolados uns dos outros.  O homem – e mesmo o proto-homem, como comprovam os trabalhos de Diamond e Gooddal – sempre viveu em grupos.  E não há agrupamento humano, mesmo os que vivem na Idade da Pedra – os yanomâmis, os aborígenes australianos, etc. – que não tenha uma “sociedade civil organizada”.  Sempre há um chefe, sempre há um xamã, sempre há um conselho de anciãos...  Aos que argumentarem que “a organização rudimentar da tribo não pode ser comparada à nossa evoluída e complexa sociedade”, respondo que as razões que poderiam impedir a analogia são apenas o arraigado etnocentrismo e a arrogância intelectual da nossa sociedade. 

 

O Contrato Social

Uma vez que, como vimos acima, o homem nasce em sociedade, a idéia de “contrato social” simplesmente não tem sentido.  É possível a um neonato do sexo feminino recusar-se a ser estrangulado pelos pais, conforme o costume ainda vigente na China?  É possível a um pária indiano recusar-se a pertencer à sua casta?  Ou, no oposto do espectro social, é possível ao filho de um rei (da Inglaterra, da Dinamarca...) negar-se a viver como filho de rei?  Não, o homem nasce dentro de uma sociedade, e dentro desta sociedade em uma determinada condição.  O “contrato social” existe independentemente de sua vontade e do seu consentimento; é intrínseco à condição humana, é inevitável – e, portanto, não se trata de “contrato” algum!  Não sou marxista, mas o conceito de “luta de classes” de Marx, neste ponto, me parece descrever bem melhor os fatos sociais.  Também a filosofia de Aristóteles, neste ponto, estava mais correta do que a dos contratualistas. 

 

Hobbes

Hobbes nasceu em uma classe que hoje seria chamada “burguesia”.  Alcançou celebridade graças aos seus méritos acadêmicos, mas também graças à proteção dos aristocratas.  Na minha humilde opinião, seu vínculo com os nobres Cavendish é o de um servo.  Um servo com privilégios, um servo gozando de certo status – mas ainda assim um servo.  Hobbes é, mutatis mutandis, o que o movimento negro nos Estados Unidos chamava um “Uncle Tom” – um serviçal que é não apenas obediente ao seu senhor, mas verdadeiramente devotado a ele.  Esta devoção não se origina sentimentos de admiração ou afeição verdadeiros, mas é nada mais do que uma forma de sobrevivência psicológica e emocional, um tipo de “Síndrome de Estocolmo”.  Como poderia tal homem defender a liberdade?!   Não, em tal contexto social e psicológico, Hobbes só poderia ter a visão de que a obediência a um senhor – qualquer senhor, em quaisquer condições – é melhor do que o caos que a liberdade inevitavelmente traria, e que a escravidão é lícita.
Todo o seu conceito de “estado natural” – que, como vimos nos parágrafos anteriores, não tem a menor base empírica, muito pelo contrário – é nada mais que uma racionalização destinada a justificar as conclusões, que já estavam definidas de antemão – não pelo raciocínio do “pensador”, mas pelas suas emoções, pela sua psique!   É impressionante ver como um homem que se intitula “cientista” faz tantas afirmações apriorísticas sem que lhe ocorra em momento algum um lampejo de dúvida, de autocrítica!  A explicação que consigo encontrar é que Hobbes sofria de um distúrbio de personalidade autoritária[3] em que sua identidade, seu “eu”, vinha do pertencimento a seus patrões e não de si mesmo; ele portanto necessitava legitimar sua submissão de todas as formas a fim de evitar um colapso desta identidade.  A não ser assim, então Hobbes não era sincero; escrevia como um “marqueteiro” de seus patrões da nobreza.

Rousseau

É dito que o fato de Rousseau ter abandonado cinco – sim, cinco! – filhos na “roda dos órfãos” é um argumento “ad hominem” e nada tem a ver com sua filosofia.  Mas se considerarmos que uma de suas principais obras, Emile, trata da importância da educação, a meu ver o argumento deixa de ser ad hominem e torna-se relevante.  Há aqui, senão uma oposição entre a vida do homem e sua filosofia, no mínimo uma gritante dicotomia.  Entretanto, isto não tira o valor da filosofia.  Mesmo apegando-se ao conceito de Hobbes de “homem no estado natural”, ele defende que "o estado de natureza é observável se olharmos para nós mesmos". Se o argumento é sólido ou não, é outra questão: podemos deduzir um princípio geral da natureza humana observando apenas a nós mesmos?  Mas, pelo menos, é um argumento, o que é uma grande vantagem em relação a Hobbes, que nada mais faz do que apresentar afirmações apriorísticas[4].   

5.      Fontes

·         Encyclopaedia Britannica – Thomas Hobbes, English Philosopher - https://www.britannica.com/biography/Thomas-Hobbes
·         Guerra dos Trinta Anos - https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Trinta_Anos
·         Stanford Encyclopedia of Philosophy - Jean Jacques Rousseau - https://plato.stanford.edu/entries/rousseau/





[3] Digo “autoritária” e não “masoquista” de acordo com os conceitos que Erich Fromm descreve em sua obra “Análise do Homem”,  que conceituam o sadismo e o masoquismo como faces de um mesmo tipo de personalidade ( ver https://en.wikipedia.org/wiki/Erich_Fromm ).  Saliente-se aqui que não me refiro a sadomasoquismo estritamente no sentido sexual,  embora esta seja uma manifestação frequente deste traço de personalidade.  Refiro-me ao tipo de perfil psicológico improdutivo descrito por Fromm sob esta denominação, quando a pessoa procura fundir-se a outro, parasitariamente, em busca de uma identidade que não consegue encontrar em si mesma.
[4] A propósito, a Declaração de Independência dos Estados Unidos contém declarações apriorísticas – mas as identifica claramente como tais – “São inverdades incontestáveis para nós: todos os homens nascem iguais, ...”.  Não há problema em afirmar princípios fundamentais – o problema é trazê-los, como faz Hobbes, para dentro da argumentação filosófica!

Wednesday, July 12, 2017

Relato de uma Experiência com o Sistema Bancário Americano



Este post estava no Facebook, 12 de julho de 2015.
Resolvi que vale uma entrada no blog.

Tenho que acrescentar um comentário:  todo o relato se aplica à minha experiência com um pequeno banco de uma pequena cidade - o Commerce Bank, de Manhattan, KS.
Mas como não existem pequenos bancos no Brasil, o relato da experiência continua sendo válido e interessante.

Comentários sobre "coisas americanas" - dessa vez tou in the mood pra criticar! 
SISTEMA BANCÁRIO.
Tive que transferir um dinheiro da minha conta pra outra conta, aqui dentro dos Estados Unidos. Outro banco, outra cidade. Coisa que tu vai num ATM no Brasil e faz na hora. Fui no ATM do meu banco, não achei a função de "Transferência". Fui até a minha agência bancária, e descobri que não tinha achado a função... porque o ATM não tem essa função. Mas no caixa é uma coisa simples de fazer, né? Nananinanão! "Por favor aguarde um minutinho que a gerente já vai lhe atender"! What?! Acreditem, pra fazer uma transferência a gerente teve que preencher uns formulários - preencheu no computador, claro - mas teve que imprimir - imprimir! - e eu assinei. Os formulários incluem a Cidade/Estado da agência bancária de destino, e - acreditem! - o ENDERÊÇO da pessoa que vai receber o dinheiro! Eu quase perguntei se iam mandar pelo Pony Express! 
Bizarrice das bizarrices: quem faz a transação pra debitar o dinheiro na minha conta não sou eu, é o funcionário do banco! Eu não conseguia nem ver a tela dela, pra ver se ela estava debitando a quantida que eu tinha pedido, que estava no formulário, ou não!
Custo de uma transferência bancária? 30 dólares, mais ou menos cem reais pelo câmbio de hoje!  
E não termina aí! Tudo feito, a gerente perguntou "O senhor quer um número pra rastrear a transação, no caso de algo dar errado?" Quero, né? Daí a criatura PEGA O TELEFONE (!) e começa uma loooonga conversa com sei lá quem, passando os dados da transferência, e esse sei-lá-quem passou a ela um número, que ela então adicionou ao formulário impresso! "Se o dinheiro não chegar lá entre hoje e amanhã, o senhor pode voltar aqui comigo que com esse número eu posso rastrear a transação"!
Bom, como eu não tinha conseguido ver o que ela tinha feito (o valor realmente transferido), eu pedi pra ela me dar um extrato da minha conta.
Rá! Extrato?! "O seu extrato pode ser acessado pela Internet daqui a uma semana. Na verdade o senhor vai recebê-lo pelo Correio, automaticamente."
Eu não entendi, não tinha caído a minha ficha. Perguntei se não seria mais simples então eu ir num ATM e tirar um extrato. Aí ela me esclareceu direitinho: OS ATMs NÃO DÁO EXTRATO ATUALIZADO! Leva uns dias até os lançamentos aparecerem na tua conta. "Uns dias" significa uma semana ou mais! Os ATMs dão saldo atualizado, mas não extrato!
Gente, inacreditável, parece o Brasil dos anos 1970! 

Tuesday, June 06, 2017

Pedro e suas meditações sobre a América - RELACIONAMENTOS.


Em uma conversa com uma das minhas orientadoras - essa tem a função de dar apoio à adaptação dos estudantes, bem legal ela - eu destaquei o fato de que ELES NÃO TEM UMA PALAVRA PARA "NAMORADO / NAMORADA"! É "girlfriend", "boyfriend". E, sim, essa orientadora me confirmou que eles mesmos ficam confusos com isso, que muitas vezes tem que explicar "this is Mary, my girl friend - but notice that she is a girl, and she is my friend, but she is not my girlfriend"! :-) Portanto, eles não podem tampouco "namorar". Eles "do date", eles "see each other". Eu disse pra minha orientadora, "That's crazy! We scheduled this meeting, so we are "dating"! And we are not blind, so we are "seeing each other" right now!" :-) Ela concordou que isso é maluco! Eu acho que isso diz bastante sobre a cultura americana! Em Português - e em Espanhol também - nós não apenas temos "namorado" e "noivo" - e é tão bonito em Espanhol, "Voy a regalar flores para mi novia", "Extraño tanto a mi prometida" - nós criamos novas palavras, como por exemplo "namorido"! Eu acho que isso diz bastante sobre a nossa cultura, também - e gosto mais assim!
Eu acho que essa diferença cultural tem bastante a ver com um fato que eu já comentei aqui - os bares latinos, os bares de salsa, tem um astral muito melhor, uma energia muito mais positiva, que os bares americanos "normais"!


Observação:  isto foi um post no Facebook em 06 de junho de 2015.  O Face me lembrou disto, e achei que valia colocar aqui no blog!

Sunday, May 21, 2017

DIFERENÇA ENTRE DEDUÇÃO E INDUÇÃO (ou, "somos os 'pets' de Deus!")


Durante as minhas aulas de Introdução ao Pensamento Filosófico me tem sido repetido dezenas de vezes que “a diferença entre um argumento dedutivo e um argumento indutivo é que as premissas do argumento dedutivo são tidas como cem por cento verdadeiras, enquanto as premissas do argumento indutivo são resultado de observação[1] e portanto não podem ser tomadas como garantidas”.
Ou assim eu entendi.
Sou um calouro, e portanto posso muito bem ter entendido errado.
De qualquer forma, em dado momento, percebi que
a)       Este conceito não faz sentido para mim
b)      Eu o rejeito como sem utilidade
c)       Eu vim a conceber – incipientemente, ainda – uma outra definição do que é a diferença entre dedução e indução.
E é isto que quero descrever aqui.

A diferença entre dedução e indução é muito mais simples e mais fundamental:
DEDUÇÃO USA LÓGICA
INDUÇÃO NÃO TEM NADA A VER COM LÓGICA!
Entretanto, dedução e indução não formam “reinos” distintos, muito pelo contrário, elas formam, em conjunto, a base para a construção do conhecimento e da ciência!

Passo a fundamentar minhas afirmações.

DEDUÇÃO
Tomemos o exemplo clássico de argumento dedutivo, “Todos os homens são mortais, Sócrates é homem, logo Sócrates é mortal”.  Um modus ponens inatacável de acordo com os princípios da Lógica Proposicional.  Se desenharmos um diagrama de Venn – um grande conjunto de “mortais” contendo um conjunto de “homens” e este por sua vez contendo um elemento “Sócrates”, vemos que a conclusão “Sócrates pertence ao conjunto dos mortais” é inatacável.



Mas ser logicamente inatacável não demonstra que o valor de verdade das premissas é garantidamente verdadeiro!
A validade do argumento é proclamada pelos princípios da Lógica Proposicional, e podemos confirmar a Lógica usando a Teoria dos Conjuntos, como acabamos de fazer.  Podemos obter confirmação também usando a Álgebra Booleana e a Lógica de Predicados – mas isto é assunto para outro post, J .
Mas... quem garante que “todos os homens são mortais”?
Para colocar isto em dúvida, não precisamos sequer entrar no domínio do “espiritual”, alegando que cada homem tem uma alma que sobrevive ao corpo e é imortal – o que já bastaria para tornar não-sólido todo o argumento.
Mesmo sem “esticar” o significado do termo “mortal”, ficando apenas no plano físico, a verdade é que tudo que podemos afirmar é que “todos os homens que conhecemos até hoje morreram”.  Mas não há prova cabal de que não há imortais ocultos entre nós.  Tampouco podemos afirmar que todos os homens vivos hoje irão morrer.  “Muito provavelmente” irão, isto é verdade.   Mas a lógica não pode garantir que a afirmação “todos os homens são mortais” é verdadeira!  Se acha que estou fazendo uma afirmação ousada – ou insana, J - leia o que David Hume escreveu sobre “o problema da indução”;  se não acredita em mim, talvez leve em conta as idéias de um grande filósofo, historiador, economista e ensaísta, que exerceu uma influência fundamental na filosofia.

Mas que as conclusões dedutivas não eram necessariamente verdade, já sabíamos – basta lembrar que os argumentos dedutivos podem ser válidos sem ser sólidos!
E, sempre que as premissas dos nossos argumentos dedutivos forem oriundas de indução (como no exemplo dado) não teremos certeza absoluta da sua solidez!

Acho muito importante salientar que o “exemplo clássico” de “argumento dedutivo”... tem premissas oriundas de indução!

Ouso dizer, então – sou um calouro ousado, holy shit! – que a solidez do clássico argumento “Sócrates é mortal” é adquirida “por transitividade” da probabilidade de valor de verdade de suas premissas, que são resultado de indução!

E quando nossas deduções tem solidez garantida? 
Ora, quando as premissas são garantidamente verdadeiras!
E isto é possível?
Claro que sim...  mas não no “mundo real”.
Temos deduções garantidamente sólidas quando as premissas vem do “mundo das abstrações”, como por exemplo a Geometria e outros ramos da Matemática.   Como os princípios fundamentais destas abstrações são uma criação do nosso intelecto, nada há neles que escape ao nosso controle.

Mas temos de ter em mente – a dedução pode ser – e é, e isto é uma das suas maiores utilidades - aplicada a premissas obtidas por indução, e através desta aplicação podemos nos certificar da validade do nosso raciocínio – embora não da solidez de nossa conclusão!


FINALMENTE, INDUÇÃO!
E o que é então esta “indução” da qual já tanto falei?
Ora, não é nada mais do que a tendência inata de todas as criaturas a “generalizar a partir de observações particulares”.
Um exemplo clássico de argumento indutivo são os célebres cisnes: "Todos os cisnes que já vimos são brancos, portanto todos os cisnes são brancos".  Onde está a lógica neste argumento?  Em lugar algum, porque a lógica nada tem a fazer na indução!  O fundamento lógico da indução é a sua premissa de que "a natureza tem uma regularidade".  E, se quisermos usar indução, temos de aceitá-lo - tal como temos que aceitar os princípios da lógica proposicional se quisermos usá-la!
Dando um exemplo simples, usando uma inteligência simples (e fofa):  Teu cachorro não sabe quando vais sair com ele ou sem ele?  Como ele sabe?  Será que lê tua mente?  Ou será que não aprendeu que quando estás com uma certa roupa, a uma certa hora, e olhas pra ele de um certo jeito, vais leva-lo a passear?  Teu cachorro está usando “indução” – “Uóf, ele fez isto ontem, e anteontem, e no dia antes de anteontem – portanto ele vai fazer isto hoje também! Uóf!  Passeio!”
Não há nada de “lógica” nisto, há apenas a aceitação da premissa de que “há regularidade na natureza” – premissa que partilhamos com os cachorros, e com a maioria dos seres vivos  (talvez todos) [2].
Somos, de certa forma, “os pets de um Poder Superior” – Deus, a Natureza, o Universo, whatever!   “O Sol sempre nasce, portanto continuará a nascer.”  Indução!  “Seres vivos sempre geraram prole semelhante a eles, portanto continuarão a gerar.” Indução!
Mas e se amanhã Deus, ou a Natureza, ou whathever, estiver cansado ou simplesmente indisposto e não levar seus pets a passear?  Quem nos garante que isto não irá acontecer?  Não a lógica, certamente!

Então a indução é simplesmente “ter esperança de que a regularidade continue”?
Certamente que não – porque podemos fortalecer nossas induções entrelaçando-as para formar princípios mais gerais - ou seja, nossas expectativas estariam baseadas em regularidades em tese mais significativas...  Mas o “problema da indução” é assunto para a obra de uma vida, e não tema para um texto de calouro.  Sugiro a leitura do excelente livro “What is This Thing Called Science”, de Alan Chalmers, para uma introdução ao assunto.

Mas, então, a lógica é inútil para a indução?
De forma alguma!
A lógica nos permite identificar “a regularidade correta” (ou a “regularidade que importa”, ou “o tipo certo de regularidade”). 
Por exemplo:  tenho que admitir que, quando tinha uns três ou quatro anos de idade, lembro de ter pensado que “as árvores fazem o vento”.  Porque eu morava num local arborizado, e sempre que havia vento, os ramos das árvores estavam se movimentando.  Logo...  J
Abandonei este paradigma quando constatei que havia vento também em lugares sem árvores.
Um exemplo menos pessoal:  a história de Chantecler, o galo personagem-título da peça de Rostand, que acreditava que seu canto fazia nascer o Sol!  Até o dia em que dormiu demais, e o Sol nasceu sem ele...
Eu, e Chantecler, cometemos um engano grosseiro em uma das questões mais complexas da ciência – o estabelecimento de relações de causalidade entre regularidades observadas.  
A indução, por si, não é capaz de nos dar uma explicação do mundo.
Apesar disto, a indução é a base da ciência.
E para fazermos boa ciência, é preciso que percebamos não só as regularidades, mas também quais regularidades são relevantes, e como elas estão relacionadas.  É preciso que façamos aplicações do nosso paradigma científico para comprová-lo – e na elaboração destas aplicações a dedução desempenha papel fundamental!  É preciso que estabeleçamos correlações de causa e efeito entre as regularidades que observamos, para provar a consistência do nosso modelo de mundo – e aqui também a dedução é um instrumento essencial!

Disse ao início que "dedução usa Lógica, indução nada tem a ver com lógica, entretanto, dedução e indução não formam “reinos” distintos, muito pelo contrário, elas formam, em conjunto, a base para a construção do conhecimento e da ciência!”
QED!






[1][1] Assumo que o meu leitor esteja familiarizado com o conceito de “argumento” “proposição” ou “premissa”, “validade” e “solidez”.  Espero que eu também esteja, ;-) !
[2] Acaba de me ocorrer que uma boa razão para acreditar na regularidade da natureza é a própria evolução dos seres vivos – mutações aleatórias só podem conduzir a seres mais adaptados ao meio ambiente se este meio ambiente possuir uma certa regularidade!  Mas isto é outro assunto!

HUM01861 - INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO - PRIMEIRA AVALIAÇÃO

ESCLARECIMENTO
Porque estou postando a minha prova de Filosofia?  Bem, antes de mais nada porque este blog funciona para mim como um "caderno de anotações" - coloque aqui coisas que quero poder consultar mais tarde.  Também porque acredito que os colegas de turma (HUM01861 - INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO FILOSÓFICO - TURMA D (2017/1)) poderão achar interessante.  Eu certamente gostaria (gostarei?) de ver as provas deles.
E - talvez a melhor razão - porque postei estas respostas e achei que tinha ido bem na prova.  Talvez tenha ido.  Talvez eu tire até, digamos, mais de oito.  Mas o que importa é que, depois de postar a prova, continuei pensando, e cheguei à conclusão de que eu não me daria mais de sete!
Não porque eu sinta que sei pouco do conteúdo que nos foi pedido, mas porque estou pensando que o aprendi a abordagem errada - talvez apenas com a ênfase inapropriada - ao conteúdo que nos foi passado.  Específicamente, a diferença entre argumento dedutivo e argumento indutivo.  Mas isto é assunto para outro post! :-)  (atualização:  este "outro post" saiu, é este aqui: ""Diferença entre Dedução e Indução" )
Por enquanto, espero que a leitura do meu trabalho seja de algum proveito ou entretenimento - e fico no aguardo de poder ler os dos colegas!

Ah, antes gostaria de partilhar com vocês alguns links interessantes com que deparei no proceso de redação:
LINKS CONSULTADOS:
·         What the Tortoise Said to Achilles - Lewis Carroll - http://www.ditext.com/carroll/tortoise.html
·         What the Tortoise Said to Achilles - https://en.wikipedia.org/wiki/What_the_Tortoise_Said_to_Achilles
·         The standard form of rules of inference - https://en.wikipedia.org/wiki/Rule_of_inference


Artigos interessantes encontrados:
·         Introdução ao Pensamento Lógico - Por: Eduardo Chaves - http://www.genismo.com/logicatexto2.htm
·         O que é um argumento bom (ou cogente)? – 2 - http://duvida-metodica.blogspot.com.br/2009/02/o-que-e-um-argumento-bom-ou-cogente-2_08.html
·         Pensar, Una incitación a la filosofía de Simon Blackburn – LIVRO COMPLETO! - https://pt.scribd.com/doc/64329852/Pensar-Una-incitacion-a-la-filosofia-de-Simon-Blackburn






FILOSOFIA – AVALIAÇÃO I – PEDRO FRANCISCO BORGES PEREIRA - 00290300

Questão 1
O principal exemplo da utilização de um argumento lógico é quando procuramos convencer alguém de uma tese – a conclusão; se somos honestos e estamos bem informados, (i) essa conclusão é verdadeira. Para efetuar esse convencimento, apresentamos proposições que (ii) possam ser aceitas também por nosso interlocutor e (iii) que sustentem a conclusão – i.e., que o façam aceitá-la também. Esse é um bom argumento. Por que só um argumento sólido preenche essas três condições?

“...se somos honestos e estamos bem informados, (i) essa conclusão é verdadeira.”
“... e (iii) que sustentem a conclusão...”
Se o nosso argumento for formalmente válido, i.e., estruturado de uma maneira correta em relação à lógica formal, poderemos demonstrar – logicamente – ao nosso interlocutor a sua validade – ou seja, que é impossível as premissas serem verdadeiras e a conclusão ser falsa (a não ser que nosso interlocutor seja a tartaruga que conversou com Aquiles, J, mas isto veremos na Questão 2).
Se, ao construirmos o nosso argumento, obedecermos a alguma das formas argumentativas clássicas (primeiro sistematizadas por Aristóteles), como o modus ponendus ponens ou o modus tollens, poderemos usar os recursos da lógica proposicional (por exemplo operadores Booleanos) para demonstrar a validade do nosso argumento.  Se nossas proposições forem verdadeiras, nosso argumento será, além de válido, também sólido.  E sendo nosso argumento válido e sólido, só restará ao nosso interlocutor aceitar que nossa conclusão é verdadeira!

“apresentamos proposições que (ii) possam ser aceitas também por nosso interlocutor”
As razões para aceitar nossas proposições variam conforme o domínio a que elas pertencem.  Pode-se dizer que alguns argumentos, de certa forma, dispensam convencimento do interlocutor, pois as proposições são evidentes “per se” e a conclusão pode ser demonstrada por pura lógica:
Quando aplicamos a lógica proposicional ao domínio das abstrações, o valor de verdade das nossas proposições é binário e depende somente das convenções da abstração.  Por exemplo, tomemos a Geometria Plana:  se digo que “Retas paralelas não tem pontos em comum; as retas r1 e r2 tem um ponto em comum, logo r1 e r2 não são paralelas”, tudo que eu preciso fazer para comprovar minha premissa antecedente é recorrer à definição de “retas paralelas” no universo da geometria euclidiana; para comprovar minha premissa consequente posso recorrer a um gráfico cartesiano mostrando os segmentos de r1 e r2 com o ponto em comum, ou posso aplicar a equação reduzida da reta (y=mx+n) a pontos conhecidos de r1 e r2 para demonstrar que tem um ponto em comum.  QED, o valor de verdade de minhas premissas, no universo abstrato da geometria plana, pode ser provado.   Resta a possibilidade de meu interlocutor não conhecer geometria euclidiana, e eu ter de ensiná-lo – mas então não se tratará propriamente de “convencer”, e sim de “informar”.

Quando lidamos com o mundo real e não com abstrações, é muito difícil, se não impossível, provar cabalmente que uma proposição é verdadeira.  Podemos apenas demonstrar que as proposições são plausíveis ou até mesmo que tem um alto grau de probabilidade de ser verdadeiras. Posso usar estatística, inferência bayesiana, explicações causais (que serão usualmente resultado de outras induções e portanto estarão apenas adiando o problema); podemos também empregar a escrita conceitual criada por Frege, que evoluiu na estrutura quantificacional usada por Leibniz– todos estes recursos poderão demonstrar que minhas proposições são “muito prováveis”, mas não “absolutamente certas”.
Isto não impede que eu use as regras da lógica para verificar a validade do meu raciocínio – apenas, eu não terei certeza da solidez do meu argumento; poderei no máximo demonstrar que “ele é válido assumindo-se que as proposições sejam verdadeiras” e que ele “tem a mesma probabilidade de ser sólido que as minhas proposições têm de ser verdadeiras”.
Mas apesar disto eu posso construir argumentos válidos e sólidos no domínio do “mundo real” – basta que para isto eu use proposições que negam alguma coisa.  Em outras palavras:  o conhecimento do mundo “natural” nos vem por indução, e a indução, intrinsecamente, não pode nos dar certeza absoluta de que alguma regra é verdadeira.  Pode, contudo, nos dar a certeza de que uma regra é falsa – basta encontrarmos uma exceção!  Dando um exemplo extremamente simples e por isto mesmo ilustrativo: tomemos o argumento “todos os cisnes são brancos, a ave que estamos vendo é negra, logo não pode ser um cisne”.  O argumento é válido.  Mas basta que encontremos um cisne negro para que seja provado que não é sólido!

­­ Questão 2
Tartaruga: “Aceito A e B e C e D. Suponhamos que ainda assim recuso aceitar Z; e então?” Aquiles: “Então a Lógica forçar-te-ia a fazê-lo! — Replicou triunfantemente Aquiles. [“O que a Tartaruga disse a Aquiles”]
i) Em que sentido podemos dizer que a Lógica é “coerciva” [dica: relacione com a noção de validade]? Qual o problema com a afirmação de Aquiles: “...a Lógica forçar-te-ia a fazê-lo”? [não, não é o emprego da mesóclise]
ii) Por que seria menos plausível dizer “a indução é coerciva”? O que torna o ceticismo sobre a indução (o “problema da indução”) mais plausível ou atraente que o ceticismo sobre a lógica?

“Qual o problema com a afirmação de Aquiles: ‘... a lógica forçar-te-ia a fazê-lo’?”
A Lógica é coerciva... se aceitarmos os princípios lógicos!  O argumento de Aquiles é um modus ponens, uma forma padronizada de regra de inferência.  Se aceitamos os princípios da lógica proposicional, somos forçados a aceitar que o argumento de Aquiles é válido – e aqui, como Aquiles pressupunha, encerra-se a questão.
O que a Tartaruga está fazendo é negar a validade da lógica proposicional.  E como a Tartaruga, maliciosamente, faz isto no contexto de um argumento seguindo um padrão de lógica proposicional, coloca Aquiles em uma regressão sem fim.
Se a Tartaruga estivesse fazendo isto de boa-fé, melhor seria que fosse jogar futebol, conforme a sugestão de Aquiles.  Mas já que conseguiu colocar nosso herói e – pretenso – lógico em um beco sem saída, creio que a Tartaruga está intencionalmente deixando em evidência que toda a lógica proposicional baseia-se em “princípios dados”, que aceitamos (devemos aceitar) a priori!  Esta aceitação é o que encerra a regressão infinita.
Pode parecer, à primeira vista, que este paradoxo põe em cheque o valor da Lógica.  Se lembrarmos, entretanto, que a validade da lógica proposicional pode ser matematicamente demonstrada, poderemos tranquilamente argumentar que se a Tartaruga não aceita seus postulados, melhor será que vá jogar futebol!

ii) Por que seria menos plausível dizer “a indução é coerciva”? O que torna o ceticismo sobre a indução (o “problema da indução”) mais plausível ou atraente que o ceticismo sobre a lógica?
Quando usamos a dedução, demonstramos que não há maneira de as premissas serem verdadeiras e a conclusão ser falsa
A indução baseia-se na observação.  As nossas ciências ditas “exatas” baseiam-se na observação (na experimentação) para validar (ou falsear) suas proposições.  O problema é que, até que o objeto da Ciência – o Universo – complete o seu ciclo de existência, não poderemos afirmar que observamos tudo.  Tentamos detectar regularidades no que observamos, esforçamo-nos para usar amostras significativas e sem viés em nossas observações, elaboramos nossas proposições de forma que sejam falseáveis – ou seja, de forma que façam uma afirmação sem ambiguidade...  Mas apesar disto tudo, jamais poderemos estar certos de que nossas induções espelhem “a verdade” – não até que observemos tudo em todo o Universo, e até o momento em que ele deixe de existir.
Esta incerteza constitui simultaneamente uma limitação e a maior força da indução.  Senão vejamos: as conclusões da dedução já estavam implícitas nas premissas, portanto na verdade não aprendemos nada de novo com a dedução – no máximo fazemos uma idéia mais clara e completa do que já sabíamos.  Ao contrário, a incerteza da indução deixa-a aberta a novos desdobramentos, trazendo novos conhecimentos.
Um exemplo que comentamos em aula é o do calendário.  O calendário elaborado segundo o geocentrismo funcionava perfeitamente para medir as estações e a passagem dos anos – funcionava baseado numa regularidade real, embora baseada em premissas equivocadas.  À medida que a teoria geocêntrica foi tentando incorporar mais e mais aplicações, inconsistências foram aparecendo – até que a dificuldade de conciliar as inconsistências levou a um novo paradigma: o sistema heliocêntrico.  As aplicações corretas da teoria anterior continuaram válidas, e novas aplicações se tornaram possíveis com o novo paradigma, uma vez que a Ciência havia aprendido a observar o Universo de uma maneira mais acurada – a partir da indução!