Friday, April 28, 2023

Comentários sobre a tese de doutorado em Sociologia “A construção de uma vida digna e a batalha por legitimidade moral” por Nínive Fonseca Machado (UFRGS, IFCH, 2022/2)

 Esse trabalho foi... uma viagem!  Nos foi dado um capítulo da tese para ler e comentar, na disciplina de Antropologia da Moral e da Ética.  Li o capítulo, despertou-me grande interesse, busquei e encontrei a tese completa na Internet, e já nas primeiras páginas me emocionei bastante - a tese trata dos beneficiários do Bolsa Família; só lendo as citações e os agradecimentos nas primeiras páginas eu já estava grandemente tocado... O que não deixa de fazer sentido, porque a Ivana, minha mulher, que é Assistente Social, trabalha com esse público, e trabalha de uma forma que eu acho muito linda.  E minha irmã, minha falecida irmã, "a exilada política", de certa forma também trabalhou com esse público, e foi "recompensada" com cadeia e exílio - o que também me afetou bastante, a mim que era um adolescente que amava e admirava muitíssimo a irmã...

Então, o que escrevi talvez não tenha uma conexão direta, evidente, com a tese.  Diz mais sobre mim, sobre o que o texto despertou em mim.  Mas dizer isto, dizer como algo nos afetou, não será contribuir com o que temos de mais essencial e valioso?

Coloco abaixo um trecho, quem quiser ler mais é só seguir o link para o PDF completo:
Ah, o link para a tese completa, para quem quiser ler, está incluído no texto!

Trecho:
O Artigo
Antes mesmo de dizer algo sobre o “Resumo” da tese, quero transcrever o primeiro
“Agradecimento”, que me tocou profundamente:
Às mulheres e ao único homem que generosamente gastaram seu tempo comigo e
me deixaram entrar em suas casas e aprender um pouco sobre suas vidas. Suas
histórias refletem a trágica tradição brasileira de invisibilizar a pobreza, mas
também a incomensurável força que vocês têm ao lutarem cotidianamente pelo
reconhecimento de suas vidas. Sem vocês, esse trabalho não existiria.
... ... ...
... ... ...
Citações iniciais
Pode parecer estranho iniciar os comentários sobre um texto com as citações que o autor
escolheu colocar ao início do trabalho. Mas, aqui estão elas:
“Então, acho que o que está faltando no ser humano é cada um saber o seu lugar.”
Margareth Carbinato, presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado
de São Paulo

“Mas se aparecer uma faxina eu faço. Um serviço que não fosse pra me explorar eu
queria”
Beneficiária do Bolsa Família E. S. 59 anos

“O Brasil é uma história de sucesso colonial”
Grada Killomba

Comentários sobre o artigo “Onde no mundo estão os valores? Exemplaridade, Moralidade e Processo Social” de Joel Robbins (UFRGS, IFCH, 2022/2)

 Este trabalho foi escrito para a disciplina de Antropologia da Moral e da Ética.  Foi escrito "por obrigação", mas como discordei (petulante, eu, não é?) de muitas dos postulados do autor, achei que isso tornava o texto interessante, principalmente onde falo de "Caos e propriedades emergentes" no contexto da Sociologia...

Coloco abaixo um trecho do texto, quem quiser ler tudo basta seguir o link:

Trecho:
O comportamento de sistemas – ou seja, em uma concepção ampla, conjuntos de elementos
que interagem – pode convergir para um equilíbrio (estado permanente), para uma oscilação
estável (comportamento periódico) ou para uma “mudança caótica”2. Entretanto, o caos não
está além do alcance do estudo científico. Mesmo sistemas caóticos apresentam padrões,
chamados “atratores”. Partilho abaixo a imagem – que acho belíssima! – do “Atrator de
Lorenz, tema icônico na Teoria do Caos, representando a dependência dos fatores iniciais
(“efeito borboleta”) na dinâmica dos fluidos:
...
Podemos ver que há um padrão, mas o mesmo nunca se repete exatamente.
O que estou querendo comunicar – de forma muito abreviada e sucinta, já que mais não é
possível no escopo deste trabalho - é que não precisamos pensar em cultura como algo
homogêneo ou estático ou mesmo cujas mudanças obedeçam a leis em um modelo
“newtoniano”, determinísticas. É possível, sem abrir mão do conceito e sem abrir mão da
ciência, analisar “os aspectos caóticos do mundo”!

Foucault, a pessoa - Trabalho de Antropologia da Moral e da Ética (UFRGS, IFCH, 2022/2)

Este trabalho foi escrito para a disciplina de Antropologia da Moral e da Ética.
Achei que, se não ficou a oitava maravilha do mundo, não deixou de ficar interessante, e por isso... aqui está!

Aqui vai um trecho, como "amostra"; se gostar e quiser ver o arquivo completo, siga o link para o .PDF:
Foucault, a pessoa

Trecho:
Ora, seria o fato de estas ideias terem sido escritas por um autor, ele próprio,
homossexual, irrelevante?! Seria por irrelevância que a enciclopédia Britannica cita a
homossexualidade de Foucault en passant, e a enciclopédia Stanford a omite por
completo?! Às vezes, o que não é dito informa tanto, ou mais, do que o que é dito...
Estas omissões dão uma noção das forças que Foucault certamente teve de enfrentar
para viver abertamente sua sexualidade; seu renome como intelectual, a repercussão e o
impacto das suas ideias, em sua época e nos dias de hoje, dão uma dimensão dos
poderes de seu intelecto e de sua personalidade.
Intelecto e personalidade, entretanto, indubitavelmente (segundo as próprias
ideias de Foucault), inextricavelmente ligados com as condições de seu nascimento -
sua nacionalidade, sua classe social – e sua sexualidade. Parafraseando a professore Vi
Grunvald, creio que, para estudar o pensamento e o trabalho de Foucault, é
importantíssimo levar em conta que “Foucault era francês, nascido em uma França
colonialista e que, durante a juventude de Foucault (falo de 1945 a 1955,
aproximadamente) enfrentou movimentos de libertação na Algéria, no Vietnam, nos
Camarões... Foucault era além disto um burguês, nascido em uma família privilegiada,
com elevado status tanto social quanto financeiro. E Foucault era abertamente
homossexual, em uma sociedade em que isto era reprovado como ‘imoralidade’ e
‘doença’”.