Trabalhando, trabalhando. Mas fui lá embaixo ver a chuva, ficar um pouco parado na porta. E me vieram alguns pensamentos que eu quero anotar. Outro dia eu dei como souvenir pra dona Wendy Matthews, a "fada-madrinha" dos estudantes internacionais aqui, uma nota de real, e isso me fez lembrar que nós, Brasil, também somos Estados Unidos! Mas quanta diferença na estrutura política que esses nomes tão similares, Estados Unidos da América e Estados Unidos do Brasil, designam!
Os Estados americanos tem muita autonomia, em um estado se pode fumar maconha, no outro não, em um pode-se andar armado até os dentes sem necessitar licença, no outro não. Em alguns há pena de morte, em outros não.
Essa autonomia não é apenas política, é econômica. A maior parte do dinheiro dos impostos fica nos Estados e nos Municípios.
Que diferença em relação ao Brasil! No Brasil os Estados são pouco mais do que... "síndicos", não tem autonomia política, e dependem do Governo Central, financeiramente, pra tudo! Os governadores vivem "de pires na mão", em Brasília, mendigando verbas!
A consequencia lógica é que o Presidente é tão poderoso quanto um Rei, um Imperador! Quem controla as finanças, controla praticamente tudo!
E - paradoxalmente - essa centralização de poder impede que ações efetivas sejam tomadas. Infraestrutura - estradas, energia, saneamento - educação, saúde... Qual é a situação dessas áreas hoje no Brasil? E o que está sendo feito pra melhorar? Nada? Bom, me parece que um dos motivos, um grande motivo, é que é muito difícil administrar um país de dimensões continentais de uma maneira tão centralizada!
Precisa haver integração entre as regiões, políticas a nível nacional? Sim, sem dúvida. Mas se os Municípios e Estados tiverem autonomia e recursos pra agir, tenho a mais absoluta certeza que os resultados seriam muito melhores do que os de um governo centralizado! Planejamento centralizado foi muito tentado nos falidos regimes socialistas - e vejam no que deu! Milhares de mortos de fome na Rússia, na China... Não é uma boa forma de governar um país das dimensões do nosso!
Como eu disse, paradoxalmente o poder centralizado resulta em um vácuo de poder! O Brasil se tornou um dinossauro, o cérebro minúsculo não consegue gerenciar o corpo enorme!
A solução, a meu ver, é reformar a estrutura política e tributária. Empoderar os municípios e os estados. Como o poder pode "emanar do povo" se tudo é decidido em Brasília?! Temos que cumprir a Constituição, fazer que o povo, a sociedade civil organizada, retome o protagonismo da vida política da Nação! Tenho a mais absoluta convicção que municípios com autonomia e com recursos próprios melhorarão rapidamente em todas as áreas, e o mesmo será com os Estados. Ao Governo Federal deve tocar um papel de coordenação - importante, sim, mas não de protagonismo.
Ah, mas e se como resultado dessa independência local em algum rincão perdido do interior brasileiro algum "coronel" resolver dominar um município? E se isso acontecer em algum Estado?
Em relação a isso, me veio à memória a Guerra Civil americana. O Norte cometeu um grande engano, encarou Appomatox como o fim da guerra, tratou a rendição de um exército como uma vitória definitiva sobre o inimigo. O Norte - na minha opinião - teria de ter tratado o período da Reconstrução do Sul como uma extensão da guerra, mantido a ocupação militar por mais alguns anos, por uma geração talvez, até que os partidários do escravismo e da segregação não fossem mais que abomináveis fantasmas do passado. Não o fizeram, e a comunidade negra do Sul, assim como a Nação como um todo, pagaram um pesado tributo, carregaram uma nódoa infamante da qual só começaram a se livrar nos anos 1960.
E o que a Guerra Civil americana tem a ver com o Brasil? Simples, estamos em guerra civil. Uma sociedade em caos, Entre a quadrilha que ocupa as estruturas de Governo e as quadrilhas que se dedicam à outras formas de crime organizado, vivemos um estado de barbarismo. Estamos em guerra. E é esse o momento de um Governo Federal intervir - tal como a União ocupou o Sul que mesmo após a rendição insistia em não cumprir a Constituição dos Estados Unidos. O Exército garantiu o direito de os negros votarem e exercerem cargos públicos, puniu os criminosos de guerra, reprimiu as atividades subversivas - em uma palavra, fez prevalecer a lei!
E o Exército Brasileiro pode muito bem fazer esse papel! A Polícia Federal pode faze as atividades de inteligência, e o Exército pode se encarregar das operações que tenham um caráter mais militarmente operacional!
NÃO É PRECISO "INTERVENÇÃO MILITAR", como o pessoal anda pedindo! O que é preciso é que o Exército, SOB AS ORDENS DO GOVERNO LEGALMENTE CONSTITUÍDO, garanta a ordem da Nação! O Brasil tem de ser ocupado pelas forças da lei e do direito, tal como o Sul escravista foi ocupado pelo Exército do Norte!
Novamente analisando a Guerra Civil Americana: haviam interesses econômicos em jogo? Sim, seria ingenuidade negar. Mas havia idealismo, haviam princípios éticos e morais envolvidos. Um núcleo de cidadãos, principalmente na região chamada Nova Inglaterra, era contra a escravidão por motivos éticos. O Kansas-Nebraska Act, em 1854, que tentava legalizar a escravidão nos novos Territórios que estavam sendo colonizados em direção ao Oeste, foi o efetivo início - embora não declarado - da Guerra Civil. Que o digam o maravilhosamente louco John Brown, e os epsódios do Bleeding Kansas! Era gente que lutava contra a escravidão por idealismo, gente que não visava ganho econômico, ao contrário, deram suas posses e muitas vezes suas vidas pela causa da igualdade!
Essa era a força por trás da Guerra Civil, essas eram as pessoas que queriam a Reconstrução do Sul! Uma comunidade idealista, altruísta, amante da liberdade!
E nós, e o Brasil? Onde é a nossa Nova Inglaterra?! Porque não se ouve a voz do nosso John Brown?!
Isso, meus compatriotas - sim, a palavra me soa grandiloquente, mas me parece a que melhor exprime a idéia - isso, meus compatriotas, é o que cabe a nós responder!
Será a minha cidade, será o Estado onde eu vivo, a Nova Inglaterra brasileira a se erguer contra a injustiça?!
Estou eu à altura das palavras e dos atos de John Brown, clamarei destemidamente contra a opressão - com um rifle Sharps nas mãos se necessário?!
Obrigado por me ouvirem.
De volta aos estudos, que o homework não vai se fazer sozinho! :-)
Beijos, queridões!
PS: Desculpem as falhas e repetições que devem haver neste texto, foi saindo e como foi saindo eu escrevi, sem revisar. Não é o melhor estilo do mundo, mas é sincero. Mais beijos! :-*