Tuesday, April 18, 2017

HUM05020 – Antropologia: Fundamentos AULA 04 – Apresentação de Artigo “A Interpretação das Culturas” – Clifford Geertz Capítulo I – “Uma Descrição Densa – por uma Teoria Interpretativa da Cultura”

HUM05020 – Antropologia: Fundamentos
AULA 04 – Apresentação de Artigo

“A Interpretação das Culturas” – Clifford Geertz
Capítulo I – “Uma Descrição Densa – por uma Teoria Interpretativa da Cultura”

Sumário


O AUTOR

Clifford Geertz (23.ago.1926-30.out.2006) era um antropologista Americano que é lembrado principalmente pela sua influência na prática da antropologia simbólica, e que era considerado “por três décadas o mais influente antropologista nos Estados Unidos”.  Ele atuou até sua morte como Professor Emérito no Instituto de Estudos Avançados na Universidade de Princeton.

EXPERIÊNCIA

Geertz graduou-se em Filosofia em 1950, após servir na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial.  Prosseguiu seus estudos na Universidade de Harvard na qual graduou-se no Departamento de Relações Sociais em 1956.
Geertz recebeu formação como antropologista, e conduziu seu primeiro trabalho de campo de longo prazo, junto com sua esposa Hildred, em Java (financiado pela Fundação Ford e pelo MIT).  Ele estudou a vida religiosa de uma pequena cidade por dois anos e meio, vivendo com a família de um trabalhador.
Após concluir sua tese, Geertz retornou a Bali e Sumatra.  Obteve seu Ph.D. com uma dissertação chamada “Religion em Modjukuto: a Study on Ritual Belief in a Complex Society”.
Geertz lecionou em diversas universidades, tornando-se professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Chicago em 1960.
Nos meados da década de 1960, Geertz mudou o curso de seus estudos e começou uma nova pesquisa no Marrocos, que resultou em diversas publicações.
Em 1970 Geertz passou a lecionar Ciências Sociais no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, em New Jersey.  Em 1973, ele publicou “The Interpretacion of Cultures”, uma coletânea de ensaios que Geertz havia escrito durante a década de 1960.
Esta se tornou seu trabalho mais conhecido e deu a ele o status de, não apenas um estudioso da Indonésia, mas um teórico da Antropologia.

IDÉIAS E CONTRIBUIÇÕES

Geertz era um defensor da Antropologia Simbólica, um enfoque que dá atenção principalmente ao papel dos símbolos na construção de um significado público.  Em seu trabalho seminal[1], “A Interpretação das Culturas”, Geertz definiu cultura como “um sistema de concepções herdadas expresso em formas simbólicas através do qual os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conhecimento sobre a vida e suas atitudes frente a ela.”


CONCEITOS

ANTROPOLOGIA SIMBÓLICA

“Antropologia Simbólica”, ou, mais amplamente, “Antropologia Simbólica e Interpretativa”, é o estudo de símbolos culturais e de como estes símbolos podem ser usados para melhor compreender uma sociedade em particular.   De acordo com Clifford Geertz, “acreditando, como Max Weber, que o homem é um animal suspenso em uma teia de significados que ele mesmo teceu, eu tomo a cultura como sendo estas teias, e a análise destas é, portanto, não uma ciência experimental em busca de leis, mas uma ciência interpretativa em busca de significado”.

DESCRIÇÃO DENSA

Nos campos da Antropologia, Sociologia, estudos religiosos e desenvolvimento organizacional, uma “descrição densa” do comportamento humano é aquela que explica não apenas o comportamento, mas também seu contexto, de forma que estes comportamentos ganhem significado para um observador externo.
O termo foi criado pelo filósofo Gilbert Ryle e complementado por Geertz como uma forma de descrever seu próprio método de fazer etnografia[2].  Desde então, o termo e a metodologia que ele representa se tornaram correntes nas Ciências Sociais e mesmo além delas. 

ETNOGRAFIA

“Etnografia” é o estudo sistemático de culturas, através da exploração dos fenômenos culturais, onde o pesquisador observa a sociedade do ponto de vista do objeto do estudo.  Uma etnografia é um meio para representar – em descrições e graficamente – a cultura de um grupo.
A etnografia, como apresentação de dados empíricos sobre sociedades humanas e suas culturas, foi pioneira nos ramos biológico, social e cultural da Antropologia, mas se tornou comum nas Ciências Sociais em geral – Sociologia, História, etc. 

SEMIÓTICA

“Semiótica” é o estudo de “construção de significado”[3], o estudo do processamento de símbolos (semiose) e da comunicação significativa.  Inclui o estudo dos símbolos e de sua interpretação.  A tradição semiótica explora o estudo dos símbolos como uma parte significativa da comunicação.  Diferentemente da linguística, entretanto, a semiótica também estuda sistemas simbólicos não-linguisticos.
A semiótica é vista, frequentemente, como tendo um papel relevante na Antropologia.   Por exemplo, o semiótico e escritor italiano Umberto Eco propôs que todos os fenômenos culturais podem ser estudados como comunicações.

SÍMBOLO (SIGN)

Em semiótica, um “símbolo” é “qualquer coisa que comunica um significado - que não é o próprio símbolo – para o intérprete do símbolo.  O significado pode ser intencional, como uma palavra enunciada, ou não-intencional, como um sintoma clinico significando uma condição médica particular. 


O TEXTO EM ESTUDO

UM CONCEITO SEMIÓTICO DE CULTURA

No “Capítulo I” do seu livro “A Interpretação das Culturas”, intitulado “Uma Descrição Densa: Por uma Teoria Interpretativa da Cultura”, Clifford Geertz começa propondo uma nova definição de cultura – ou um novo enfoque ao estudo das culturas.  Cita a multiplicidade de definições provida (onze!), por exemplo, por Clyde Kluckhohn, em seu trabalho Mirror for Man, e considera que é necessário um conceito de cultura que tenha um argumento definido a propor, que represente uma escolha alternativa a este ecletismo.
A proposta de Geertz é “um conceito de cultura essencialmente semiótico”.  “Acreditando, como Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e sua análise; portanto, não como ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado.  É justamente uma explicação que eu procuro, ao construir expressões sociais enigmáticas na sua superfície.”

ETNOGRAFIA – A ANÁLISE ANTROPOLÓGICA COMO FORMA DE CONHECIMENTO – “DESCRIÇÃO DENSA”

Segundo Geertz, “em antropologia, o que os praticantes fazem é etnografia”.  E, “segundo os livros-texto, praticar etnografia é estabelecer relações, selecionar informantes, transcrever textos, levantar genealogias, mapear campos, manter um diário, e assim por diante.  Mas não são estas coisas, as técnicas e os processos determinados, que definem o empreendimento.  O que o define e o tipo de esforço intelectual que ele representa:  um risco elaborado para uma “descrição densa”, tomando emprestada uma noção de Gilbert Ryle.”

GILBERT RYLE – “O QUE `LE PENSEUR` ESTÁ FAZENDO” – O TIQUE, A PISCADELA, A IMITAÇÃO

Geertz cita o texto de Ryle, descrevendo “dois garotos piscando rapidamente o olho direito”.  Num deles, esse é um tique involuntário, no outro, é “uma piscadela conspiratória a um amigo”.  Embora os movimentos sejam idênticos; observados isoladamente, como o faria uma câmara, ou seja, numa observação “fenomenalista”, não se poderia dizer qual deles seria um tique nervosa ou uma piscadela ou, na verdade, se ambas eram piscadelas ou tiques nervosos.  No entanto, embora não retratável, a diferença é grande.
“Quem pisca está se comunicando e, de fato, comunicando-se de uma forma precisa e especial:  (1) deliberadamente, (2) a alguém em particular, (3) transmitindo uma mensagem particular, (4) de acordo com um código socialmente estabelecido e (5) sem o conhecimento dos demais companheiros.”
“Suponhamos que haja um terceiro garoto que, para divertir os companheiros, imita o piscar do que tem tique nervoso de uma maneira propositada, grosseira, óbvia.  Naturalmente, ele faz o mesmo movimento.” Mas este garoto não está piscando nem tendo um tique nervoso, ele está imitando alguém.  Não se trata de passar uma mensagem às escondidas, mas de ridicularizar.
E se o imitador resolver praticar sua imitação em casa, diante de um espelho, de forma a fazê-la mais super-óbvia, talvez com uma careta – usando, enfim, os truques dos mímicos?  Neste caso ele não estará tendo um tique nervoso, nem piscando, nem imitando – estará ensaiando! 
Entretanto, para a câmara ou para um behaviorista radical, o que ficaria registrado é que ele está contraindo rapidamente sua pálpebra – como quem pisca, ou tem tique, ou imita.
As complexidades são infindáveis.

O OBJETO DA ETNOGRAFIA: UMA HIERARQUIA ESTRATIFICADA DE ESTRUTURAS SIGNIFICANTES

Entre a “descrição superficial” do ato (contrair a pálpebra) e a “descrição densa” (ter tique, piscar, imitar, ensaiar), está o objeto da etnografia:  uma hierarquia estratificada de estruturas significantes em termos das quais o s tiques nervosos, as piscadelas, as falsas piscadelas, as imitações, os ensaios das imitações, são produzidos, percebidos e interpretados, e sem as quais eles de fato não existiriam – não importa o que alguém fizesse ou não com sua pálpebra.

MARROCOS, MARMUSHA, 1912:  OS BERBERES, O COMERCIANTE JUDEU, OS SOLDADOS FRANCESES

Geertz dá um exemplo mais complexo, e concreto, da diferença entre a “descrição superficial” e o behaviorismo, e a “descrição densa” e a “antropologia simbólica e interpretativa”, descrevendo um incidente entre os nativos berberes, um comerciante judeu que tinha relações de comércio mais ou menos pacíficas com os nativos, e as forças de ocupação francesas.
Geertz mostra que a descrição dos fatos – pitorescos, cheios de ação, e interessantes por si, sem dúvida – não provê nem de longe qualquer noção dos significados culturais subjacentes.  Também salienta que a própria contextualização – os fatos ocorreram nas montanhas do Marrocos, em 1912, e estão sendo narrados em 1968 – já determina muito da nossa compreensão.

A ATIVIDADE DO ANTROPOLOGISTA

Segundo Geertz, “o que o etnógrafo enfrenta, de fato (...) é uma multiplicidade de estruturas conceituais complexas, muitas delas sobrepostas ou amarradas umas às outras, que são simultaneamente estranhas, irregulares e inexplícitas, e que ele tem que, de alguma forma, primeiro apreender e depois apresentar.”
“O comportamento humano é ação simbólica – ações com significado, como a fonação na fala, o pigmento na pintura, a linha na escrita ou a ressonância na música.”
Devemos indagar além da aparência, buscar o que está sendo transmitido – “seja um ridículo ou um desafio, uma ironia ou uma zanga, um deboche ou um orgulho”.
“A cultura não é uma coisa”, uma realidade “super-orgânica”e auto-contida, com forças e propósitos em si mesma.  “A cultura tampouco é reduzível ao padrão bruto de acontecimentos que podemos observar nas comunidades”.  E tampouco – conforme afirmou Ward Goodenough – “a cultura está localizada na mente e no coração dos homens”.

“O objetivo da antropologia é o alargamento do universo do discurso humano.  ...  Esse é um objetivo ao qual o conceito de cultura semiótico se adapta especialmente bem.  Como sistema entrelaçado de signos interpretáveis ... a cultura não é um poder, algo ao qual podem ser atribuídos os acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições ou os processos; ela é um contexto, algo dentro do qual eles podem ser descritos de forma inteligível – isto é, descritos com densidade.”











FONTES:




[1] Seminal: “que contém as sementes de um desenvolvimento posterior”.
[2] Ver o ensaio “Thick Description: Toward an Interpretive Theory of Culture”, Geertz, 1973.  Geertz explica ter adotado o termo de Gilbert Ryle, especificamente da palestra ~What is le Penseur doing?”
[3] “Construção de significado”: tradução livre da expressão inglesa “Meaning-making”: definida como o processo pelo qual as pessoas constroem, entendem, ou dão sentido aos acontecimentos da vida, relacionamentos, e à sua própria identidade.  Fonte: “Meaning-making”, https://en.wikipedia.org/wiki/Meaning-making .

Wednesday, April 12, 2017

Voto Distrital é melhor que Voto Proporcional – e o Voto em Lista Fechada é o Fundo do Poço!



Na cadeira de Política I – Fundamentos da Teoria Política, o professor colocou em debate se seria melhor o voto distrital ou o voto proporcional.

Vamos abrir um parêntese – caso deseje mais informações sobre estes sistemas, veja
·         Voto distrital x Sistema proporcional -  https://antoniopires.jusbrasil.com.br/artigos/121940631/voto-distrital-x-sistema-proporcional

Bem, fora os debates entrenós alunos, o professor destacou os pontos fracos dos dois sistemas.
No voto distrital, existe a possibilidade de que um partido que tem representação significativa – digamos, quarenta por cento dos eleitores em todos os distritos – não eleja nenhum representante.  Esta situação pode levar a que a minoria – mesmo significativa – fique sem representantes.
No voto proporcional – o sistema que estamos usando no Brasil - o ponto fraco é que os votos “para a legenda” elegem candidatos que não tiveram votos!  Basta que um ou dois candidatos tenham uma votação significativa, e os outros são eleitos – pois a “legenda” (coligação ou partido) tem direito às vagas.
Portanto, nenhum dos sistemas é perfeito.

Mas o voto proporcional dá resultados MUITO RUINS!
DOS 513 DEPUTADOS FEDERAIS BRASILEIROS, APENAS 35 FORAM ELEITOS COM OS PRÓPRIOS VOTOS!
Repetindo: apenas 35 deputados federais foram escolhidos pela votação popular, os restantes foram NOMEADOS PELOS PARTIDOS!  Sim, porque o partido é que escolhe a lista de candidatos!  E o eleitor vota em um...  e elege outro!
Veja a estarrecedora situação, no artigo “Apenas 35 dos 513 deputados foram eleitos com os próprios votos” - http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/150807-apenas-35-dos-513-deputados-foram-eleitos-com-os-proprios-votos.html para mais detalhes.

Meia dúzia de dirigentes partidários escolhe os deputados!
Isto é democracia?
É por isto que, a cada vez que alguém diz que "somos responsáveis pelo descalabro da política brasileira, porque votamos nessa gente", eu discordo!  NÓS NÃO VOTAMOS NESSA GENTE!  OS PARTIDOS ESCOLHERAM ESSES REPRESENTANTES!  
E se pararmos para pensar no que são os partidos no Brasil atualmente, e quantos dos seus dirigentes estão respondendo a processos criminais, como a situação política poderia ser diferente?
Só podemos concluir que, com o sistema proporcional de votação, a estrutura de governo brasileira tende a ir de mal a pior!

Como eu disse, o voto distrital não é perfeito.  Não apenas pela deficiência de representação da minoria, como pela possibilidade de problemas na definição dos distritos – prática que, quando mal-intencionada é chamada “gerrymandering” pelos americanos (você pode ver o Schwarzenegger falando sobre isto no vídeo https://www.facebook.com/attn/videos/1326876190681170/ ). 
Mas estes problemas são infinitamente menores do que a eleição de representantes... que não representam ninguém (!), que é o resultado do nosso voto proporcional!

VOTO EM LISTA
A proposta, atualmente em andamento, de “voto em lista fechada”, é um TERRÍVEL RETROCESSO num sistema que já é muito ruim!
Os deputados estão tentando alterar um sistema que já é distorcido, a fim de que nós, eleitores, tenhamos ainda menos influência no resultado das eleições.
Temos de nos opor a isto de todas as formas que pudermos!  Temos de impedir isso!

Na minha opinião, o voto distrital é o melhor para o Brasil de hoje.  Enquanto não tivermos uma reforma política que o implemente, pelo menos não vamos permitir que os partidos decidam internamente, a portas fechadas, quem vai ser legislador neste País!


Uma "leitura teatral" na aula de Teoria da Liderança (12.abril.2015)

Isto estava num post do Face.
Achei que valia a pena registrar aqui no blog.
O post é antigo, mas é novo no sentido de que sou um novo acadêmico de Humanas!  :-)


12 de abril de 2015

Kansas State University - Leadership Studies

Transcrevendo mais um epsódio da vida escolar internacional... Contei isso no Skype e achei que valia a pena partilhar com o mundo! :-) -)
Outro dia uma chinesinha colega de aula me impressionou. Era o dia dela apresentar trabalho em aula. Eu sei como nós estrangeiros nos sentimos quando chega essa hora, eu já tive que apresentar o meu trabalho nessa aula. Essa foi a pior pra mim, porque não é tecnologia, é Teorias da Liderança. Pra mim é muito mais difícil apresentar esse tipo de trabalho do que qualquer assunto técnico. Falar de Psicologia, Ética, Sociologia, num idioma que não é o meu, o bicho pega, ao menos pra mim!
Bom, chegou a vez da chinesinha, e ela me surpreendeu positivamente. Acho que a todos nós, inclusive o professor. Ela tem que ter planejado aquilo cuidadosamente! Foi bom demais pra ter sido de improviso!
Ela falou bem alto, colocando bem a voz, e bem devagar. Ela também usou a técnica de intercalar a leitura de frases de um resumo que ela distribuiu com as considerações que ela fazia. Um pouco ela lia, um pouco ela comentava. Isso facilitou tanto "aprender" a pronúncia peculiar dela quanto "se achar" no contexto em caso de necessidade. Então mesmo quando o jeito que ela pronunciava as palavras não era o correto (e às vezes os chineses tem uma pronúncia muito louca! :-):-)), e isso dificultava entender palavra por palavra, como estava dando pra seguir o contexto, eu entendi tudo! Muito boa a apresentação dela, lidou magistralmente com as dificuldades!
Foi quase uma "leitura dramática!" :-):-)
Na verdade, tenho que confessar: a coisa toda era tão exótica que eu não conseguia tirar os olhos da guria! Pra mim foi como assistir a um número teatral! :-) :-)

Tuesday, April 04, 2017

PARA PENSAR: LIVRE ARBÍTRIO



Perguntas, perguntas,perguntas...
Quem tem respostas, respostas, respostas?
;-)
  • Células tem um comportamento determinístico.  Complexo, mas determinístico – nas mesmas circunstâncias, farão a mesma coisa – sempre!  Uma célula não tem livre-arbítrio – não pode escolher não fazer determinada reação química.
  • Somos compostos de células.  Como a combinação de bilhões de máquinas determinísticas e sem consciência pode (ou poderia) em um organismo não-determinístico?  A resposta “o livre-arbítrio vem da alma, que vem de Deus” não tem relevância, uma vez que é uma declaração tanto não-comprovável quanto não-falseável.
  • Se não temos livre-arbítrio, então todos os acontecimentos do nosso Universo estavam pré-determinados desde o início do Universo – inclusive nossas pretensas escolhas?
  • Sem livre-arbítrio, que sentido fazem nossos valores éticos?  
  • Podemos viver sem valores éticos? 
  • Se há a possibilidade de que a vida perca o sentido se viermos a descobrir que não temos livre-arbítrio, não será este um conhecimento a ser evitado a todo custo?

OK, as perguntas não vieram "inteiramente" de mim...
Em grande parte vem do livro "Freedom Evolves", de Daniel Dennett .
Há uma pitada também de  "O que é Ciência, Afinal?", de Alan Chalmers .


Monday, April 03, 2017

A SOCIOLOGIA É UMA CIÊNCIA DIFERENCIADA PELO FATO DE SEUS OBJETOS TEREM CONSCIÊNCIA E INTENÇÕES. SERÁ?

A SOCIOLOGIA É UMA CIÊNCIA DIFERENCIADA PELO FATO DE SEUS OBJETOS TEREM CONSCIÊNCIA E INTENÇÕES.  SERÁ?

Contextualizando: escrevo isto às onze da noite, depois de um dia de trabalho e de aula que começou às seis da manhã.  A cabeça gira a milhão, as ideias estão meio confusas.  Mas faço estas anotações para registrar alguns pensamentos que me ocorreram, despertadas pelo assunto da aula.
A elaboração é fraca, as citações de fontes estão ausentes, sorry.
Elaborarei isto depois.  Ou não.
Quem sabe alguém não resolve comentar neste post?
Quem sabe não se torna um fórum, e não simplesmente uma entrada num blog?

Então:
 Como dito no título, “a Sociologia é uma ciência diferenciada pelo fato de seus objetos terem consciência e intenções – o que não pode ser dito a respeito de uma molécula , por exemplo”.

·         Qualquer ciência que estuda seres vivos – OK, seres vivos “superiores” – não lida com consciência e intenções?  Quem já lidou com animais domésticos – vacas, cavalos, cachorros, ... – não pode duvidar que eles tem personalidades.  São agressivos ou dóceis, ativos ou preguiçosos, etc. ,etc.  Se tem personalidades, certamente tem “intenções”.  “Ah, mas eles são governados princpalmente pelo instinto, e os humanos pelo raciocínio”.  Hã hã, é por isto que duzentos milhões de brasileiros se submetem a ser roubados por uma plutocracia, sem reagir.  Poque somos guiados pela razão.  É por isto que a degradação do meio ambiente está levando a uma queda brutal na qualidade de vida – senão à impossibilidade da vida humana na Terra – e continuamos a degradar o ambiente, num afã suicida – porque somos guiados pela razão...
·         Tese:  temos sim, como característica da espécie, um tipo extremado de raciocínio, tão extremado que chega – talvez – a ser qualitativamente diferente do das outras espécies.  Mas temos também uma carga instintiva e uma carga de “consciência coletiva”, que nos guia mesmo que dela não estejamos conscientes.  Nos guia, acredito, mais do que a própria razão.  Então nossa diferença das outras espécies seria mais uma questão de grau do que de diferença qualitativa básica!
·         “Mozart não seria Mozart sem a sua cidade, sem a Alemanha, e sem sua época”, foi dito hoje em aula.  “Entretanto, Mozart não era apenas isto, era também Mozart!”  Verdade.  Bem, então  o que não era o ambiente sociológico de Mozart, era sua hereditariedade!   Poderia Mozart não ser Mozart?  Poderia ele, tendo nascido com a carga genética com que nasceu, dos pais que nasceu, no ambiente em que nasceu, ter escolhido não ser o gênio da música?
·         Se é assim, qual a diferença fundamental entre a Sociologia e, digamos a Ecologia?  Qual a diferença fundamental entre estudar o comportamento de uma matilha de lobos e o de uma tribo?
·         Temos livre-arbítrio?  Não podemos alterar a carga genética que recebemos e não podemos escolher de que pais e em que sociedade nasceremos.  Considerando o quanto dos nossos atos estes dois tipos de condicionantes determinam, o que sobra para o domínio do livre-arbítrio?


That’s all, folks! J

I’ll be looking forward for your feedback!

PRIMEIRAS LEITURAS – SOCIOLOGIA I

PRIMEIRAS LEITURAS – SOCIOLOGIA I

Ontem enfrentei as primeiras leituras exibidas para o semestre, para Sociologia I
Não gostei dos dois primeiros textos, que eram os obrigatórios.
Ainda bem que resolvi fazer uma das “leituras opcionais”!
Obrigado, Mr. Chalmers, o senhor salvou a minha primeira sessão de estudos! :-)

BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983. (p.16 a
29).1
Primeiro:  Li as páginas certas?  Não sei.  Porque nenhum capítulo começa ou termina na página 16 ou na página 29 – nem na numeração impressa nas páginas, nem na numeração das imagens do PDF.  Por garantia, li desde o início e um pouco além da página 29, e acredito que sim, li o que o professor queria – a entrevista de Bourdieu em que ele descreve sua visão da sociologia como uma ciência que devemos ter cuidado em manter isenta de ideologias e apriorismos.
A leitura, em si é interessante.  A proposta de transcrever entrevistas e não um texto adrede elaborado é também válida. 
Mas a tradução... Oh deus, oh céus, ó vida! cheguei a voltar ao início do texto para confirmar se havia um nome de tradutor – porque parecia coisa do Google tradutor! 
Fui confirmar se era uma edição brasileira e – bingo!  Edição portuguesa!  J 
O livro na pasta do Dropbox é “Questões de Sociologia”, de Pierre Bourdieu – mas não é da Editora Marco Zero, como diz no nosso Programa, e sim da “Fim de Século – Edições , Sociedade Unipessoal, LDA., Lisboa, 2003”!
Bom, aí deu pra entender porque o texto designa “imaterial” como “mole” e “leigo” como “profano”!  Soa muito estranho para nós brasileiros.


CORADINI, Odaci Luiz. O referencial teórico de Bourdieu e as condições para sua aprendizagem e utilização. Veritas, Porto Alegre, v.41, n° 162, junho/1996. (207-220).
Li, como um aluno disciplinado.  Mas tenho de confessar que a leitura não foi muito proveitosa.  Achei o vocabulário muito avançado, muito profissional, para alguém que está tendo as primeiras aulas de Sociologia I.  Ou eu que sou ignorante mesmo.  Confesso que trechos como “Nesta perspectiva, a única forma de as ciências sociais romperem com as pre-noções e explicitarem os fundamentos das visões e di-visões do mundo social, que são culturais (e portanto, arbitrárias e não racionais) ou as bases culturais da dominação simbólica, é através da apreensão dos princípios que estruturam os respectivos illusio e  doxas subjacentes às posições nos campos de luta” não me trouxeram muito esclarecimento...


Alan F. Chalmers – O que é Ciência afinal?
Fiz esta leitura opcional e foi uma ótima decisão, porque o livro é interessantíssimo e agradabilíssimo de ler!

Comecei a leitura com algumas restrições, “como assim a ciência não é puramente um processo indutivo”?  E à medida que fui lendo fui percebendo que não, a ciência não avançou pelo indutivismo, e que eu, um “cara de exatas”, tinha uma idéia errada de o que é ciência.  Prossegui a leitura – já fascinado – pelo fasificacionismo (Nossa, porque não usar “falseabilidade” e banir o uso da palavra “falsificacionismo”?!), passando pelas descrições de como as observações não são conclusivas e como, ao longo da história, teorias “falseadas” ( J ) pelas observações foram mantidas.   E parei no capítulo que trata de “Teorias como Estruturas” – porque já era muito tarde.  Tive de me forçar a parar de ler, a leitura estava sendo realmente prazerosa e proveitosa!  Obrigado, Mr. Chalmers, o senhor salvou a minha primeira sessão de estudos!