A Mariana leu o meu post aqui no blog, e respondeu partilhando sobre o dia da matrícula dela!
Achei tri, pedi licença pra ela pra colocar aqui... e aqui está!
Obrigado, Mariana!
-x-x-x-x-x
Pedro, desculpa o tamanho da minha redação, mas vamos lá.
Interessante que eu estava lendo o seu relato e em alguns momentos senti como se fosse eu falando, rsrs. Esse dia de matrículas foi de certa forma impactante, lembro que passei por ele duas vezes, embora tenha estudado 3 semestres na KSU. O primeiro foi quando cheguei para fazer o curso de inglês, teve aquela semana de orientação, teste de nivelamento e depois fiz a matrícula. O segundo foi desse jeitinho que vc falou, tinha várias pessoas realizando a matrícula, íamos lá com nossas sugestões e eles analisavam e nos aconselhavam pegar aquelas disciplinas que queríamos ou não. Porém, a matrícula que me marcou mais foi quando eu já estava em arq - cursando o finalzinho do spring - e a coordenadora do curso foi ao Studio com uma pasta com os dados de todos os alunos e pediu para conversar individualmente com cada um. Ela queria saber como estavam sendo as disciplinas daquele semestre, olhou as nossas notas, perguntou pq ainda não constava a nota de uma disciplina e disse que iria conversar com o professor. Perguntou se eu tinha alguma reclamação ou elogio a fazer e por último, começamos a escolher as disciplinas para o Fall. Interessante que eu queria pegar uma disciplina de outra major e esta precisava de autorização especial, Rebecca - a coordenadora - ligou para a coordenadora da outra major e conseguiu a autorização. Mas para minha surpresa, o que achei incrível veio depois. Eu estava em dúvida se pegava o Studio de um ano ou do outro, então ela marcou para mim um horário na sala dela e convidou um dos professores que coordenava os Studios de arq para conversar comigo, explicar cada um deles e saber quais as minhas expectativas, para só assim decidirmos qual studio eu pegaria.
Confesso que só com minha primeira semana na KSU já fiquei surpresa. Esse espírito de família, nossa, como sinto saudade disso. Não consegui criar em anos estudando com uma turma aqui no Brasil um vínculo tão forte quanto o que criei com a minha turma da K-State.
Saudade desse amor pela universidade, orgulho em dizer que fazemos parte dela, orgulho em vestir a camisa púrpura e falar que somos Wildcats. Como era bom poder enviar um email para o professor pedindo para conversar com ele no domingo as 10h da manhã e ele ir ao Studio - sim, ao studio, pois certamente ele estaria na universidade - para tirar nossas dúvidas.
E para finalizar, obrigada por compartilhar o seu texto, sempre gostei de ler as suas impressões e experiências e desculpa acabar escrevendo aqui sobre a minha. Rsrsrs Mas decidi compartilhar contigo um pouquinho.
Espero que esteja muito feliz já que está em casa novamente.
Super abraço!!!
Monday, October 19, 2015
Friday, October 09, 2015
DIA DA MATRÍCULA NA KSU - 22 de Agosto de 2014
DIA
DA MATRÍCULA
Eu achei estas anotações, perdidas, e vi que não estavam no blog. Provávelmente eu postei no Face. Mas isso não pode ficar fora deste blog, e portanto aqui está!
Sexta-feira, 22 de
Agosto, foi o dia da matrícula aqui na Kansas State University, para todos os
estudantes estrangeiros e para muitos americanos também.
Pelo que eu entendi,
era o dia da matrícula dos “freshmen”, os calouros.
Muitas coisas chamaram
a minha atenção, e eu resolvi escrever este pequeno texto para
partilhá-las. Afinal, estou aqui para
aprender e partilhar o conhecimento, e isso não apenas no que se refere a
conteúdo acadêmico mas também quanto à
cultura americana.
Um dia especial para a
matrícula. Nada de entrar no site da
faculdade e se matricular, nada de “semana de matrículas” onde cada um por si
vai na secretaria e se matricula. E porque
fazem assim? Porque “se matricular” não
é simplesmente escolher uma lista de disciplinas. É ser apresentado ao “espírito da
faculdade”. E “ser um aluno” não é
simplesmente assistir aulas, é participar de uma comunidade!
Após um check-in,
fomos todos para um auditório. E ali
passamos mais de duas horas assistindo a palestras e vídeos. Falou o vice-reitor, falaram coordenadores de
áreas de estudo, falaram representantes dos estudantes, falou até o
representante da torcida organizada dos times da faculdade!
Pra vocês terem uma
idéia do envolvimento deles com a KSU: a
cor da KSU é púrpura, e o carro do vice-reitor é púrpura! Aliás, eu o reconheci quando ele veio ao
palco – na semana passada, eu estava andando pelo campus com um mapa na mão, e
ele parou o tal carro púrpura para perguntar se eu precisava de ajuda!
Quando saímos do
auditório e fomos efetivar a matrícula, cada um dos candidatos teve uma reunião
com um professor orientador. Haviam dois
ou três para cada área – Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Ciências da
Computação, Sistemas de Informação, etc.
Eles revisavam o curriculum da high school de cada calouro – e da
universidade anterior se era transferência – e sugeriam matérias (“courses”,
eles chamam aqui o que nós chamamos de “cadeiras” ou “disciplinas” na ULBRA – o
que causa certa confusão ao ouvir pela primeira vez). Cada aluno tinha toda a liberdade de
argumentar e pedir alternativas.
Feita a matrícula,
cada um saindo com sua grade horários na mão, fomos todos a um almoço de
boas-vindas. E, vejam só – durante o
almoço o gerente do refeitório também fez uma palestra, dizendo como eles
trabalhavam, dizendo que se esforçavam para nos servir comida saudável e
saborosa, e que se punha à disposição para reclamações e sugestões. Que se alguém tivesse alguma receita nova,
principalmente os estrangeiros, ele teria o maior prazer em tentar preparar!
Uma coisa que me
chamou a atenção aqui é que os “funcionários de nível superior” realmente
“botam a mão na massa”! A pessoa que
está arrumando a mesa para uma palestra pode ser uma vice-reitora; quem vem
falar contigo quando a recepcionista pede ajuda com uma dúvida pode ser a
Coordenadora de Relações Internacionais.
A impressão que eu tive é que a divisão de tarefas entre “subalternos” e
“chefes” é muito mais fluida do que no Brasil!
Me deixem tentar
passar a essência da impressão que eu tive apresentando a vocês alguns “lemas”
que eu pincei das diversas palestras que assistimos.
GET
INVOLVED! IT´S FAMILY!
Isso nos foi dito
vezes e vezes sem conta! “A KSU é a sua nova
família!” Envolvam-se, desenvolvam
relacionamentos, criem vínculos! Sua
época aqui vai marcar a Universidade e vai marcar as suas vidas pra sempre!
“Nós estamos aqui para
ajudar. O custo da educação nos Estados
Unidos é alto, mais alto do que nos outros países. Mas isto tem um retorno: os professores tem tempo para estar à
disposição, de vocês, para ajudar todos a ter sucesso. Os estudantes veteranos também estarão à sua
disposição para ajudar – vocês vão ter “tutores”, que podem inclusive assistir
á aula com vocês e ajudar nas dificuldades específicas que estiverem
enfrentando. O interesse de todos aqui é
que todos tenham sucesso. It´s
family!”
IT´S UP
TO YOU!
Essa é outra nota tônica! Ficou claro que ter um bom
desempenho acadêmico é responsabilidade do estudante, é nossa
responsabilidade. Todos estarão à
disposição para ajudar, mas cada um tem de ser proativo, trabalhar duro, pedir
ajuda quando necessário.
Os professores esperam
que cada aluno trabalhe, por sua conta, no mínimo duas horas para cada hora em
sala de aula – em algumas disciplinas, três horas de trabalho “de casa” para
cada hora em sala de aula. Ninguém vai
fiscalizar; simplesmente quem não fizer
isso não vai ter a menor possibilidade de sucesso acadêmico.
Isso pra nem falar na
frequencia às aulas e na pontualidade.
Sabem aquele esqueminha de não ir à primeira aula do ano, coisa que às
vezes a gente faz no Brasil, “porque o professor só vai explicar o conteúdo da
disciplina e passar o cronograma, e isso já está no Moodle mesmo”? Pois então, neguinho, te atrasa DOIS MINUTOS
pra primeira aula aqui, e o professor já pode ter te “dropado”, te excluído da
lista de alunos, e dado a tua vaga pra outro!
Tem que se apresentar pro jogo, senão já era!
E já nos avisaram que
as aulas são essencialmente participativas, que muito poucas vezes “assistir
aula” vai se limitar a ouvir explanações do professor!
CAT
COMMUNITIES – DON´T “OVER SPECIALIZE”
Quanto a isto, primeiro
um pouco de contexto: um estudante de
graduação (“undergraduate”, eles dizem aqui, o que também causa um bocado de
confusão, no início, aos brasileiros) se gradua em um “major” – ou seja, no que
chamamos no Brasil um “curso superior” ou “bacharelado”. Mas pode também já sair do bacharelado com
uma especialização, ou “minor”. Por
exemplo, um bacharel em Sistemas de Informação com uma especialização em
Administração. Mas – e aí há uma grande
diferença em relação ao Brasil – a “minor” não precisa ser relacionada à área
da “major”! Tanto quanto eu entendi, um
Analista de Sistemas pode perfeitamente cursar as cadeiras necessárias para ter
um “minor” em História, por exemplo!
Eles acreditam que
isso evita “super-especialização”, que forma pessoas capazes de ter uma visão
de mundo mais abrangente e – igualmente importante – de entender pessoas de
outras áreas!
“Cat Communities” são
grupos de estudantes que se encontram em salas de aula e grupos de estudo que não
pertencem – e muitas vezes não tem a menor conexão aparente – com a área de
estudos do seu “major” (da sua graduação).
Não é raro ver, por exemplo, um estudante de Engenharia fazendo um curso
de Psicologia. Ou um estudante de
Literatura fazendo um curso de Matemática.
Ou músicos fazendo Matemática e vice-versa. E muitas outras “variações” que seriam vistas
como muito estranhas no Brasil – se chegassem a ocorrer.
IT´S NOT
JUST ABOUT GRADES
“Ter bom desempenho
acadêmico”, aqui, foi-nos deixado claro, não se resume a ter boas notas. É preciso participar da vida da comunidade
universitária. Pode ser como atleta,
como tutor de calouros, como membro de um dos vários clubes de estudos – mas é
preciso mostrar que se é capaz de desenvolver relacionamentos produtivos, de
contribuir para o grupo, de trabalhar harmonicamente com todos os tipos de
pessoas, de conviver com opostos.
Porque eles acreditam
nos valores humanos da tolerância e da boa-vontade? Sim, mas também porque é isso que teremos de
fazer na vida profissional, e é isso que as empresas, os futuros empregadores,
vão procurar – pessoas capazes de trabalhar eficazmente, harmonicamente, em
equipe! O curriculum acadêmico tem que
mostrar isso, ou a colocação no mercado vai ficar mais difícil!
CARA, ELES SENTEM AMOR POR ESTE LUGAR, E SE
ORGULHAM DE PERTENCER A ESTA UNIVERSIDADE!
Isso foi uma coisa que
eu senti de maneira muito forte, e me impressionou!
O amor que os
professores, os estudantes veteranos, os ex-alunos, sentem pela KSU é uma coisa
que salta aos olhos, que impressiona, que emociona! O entusiasmo com que eles se empenham em
promover o sucesso da Universidade, seja nos esportes, seja em atividades
acadêmicas, é uma coisa para a qual eu – infelizmente – quase que só vejo
paralelo no Brasil no alienante, estúpido e improdutivo fanatismo das torcidas
de futebol! Ah, se ao menos
“torcêssemos” no Brasil pelas nossas
Universidades como torcemos pelos clubes de futebol... Mas há outra comparação que me ocorre, menos
amarga felizmente – a dos ex-militares! Pode-se dizer que o companheirismo, o vínculo
que persiste pela vida afora e a forte ligação com a sua unidade que eu vejo
nos colegas que serviram o Exército é semelhante à relação que eles mostram com
a Universidade aqui.
O orgulho que eles tem
pelos sucessos da Universidade! Não
importa a área; os estudantes das Exatas celebram uma premiação da Agronomia,
por exemplo, da forma como se festeja o sucesso de um parente – não um irmão,
um primo talvez, mas um primo de quem gostamos muito!
“It´s family!”
SÃO SÓ PRIMEIRAS IMPRESSÕES, EU SEI!
Pessoal, eu sei que
são só primeiras impressões, e que podem mudar, quase certamente vão mudar!
Mas eu quis escrever
exatamente assim, ainda sob o efeito deste primeiro impacto.
Partilhar com vocês as
impressões do meu “olhar virgem”.
Veremos o que nos
aguarda!
Abraço saudoso a todos
vocês, caros colegas, caros professores!
Termino com o lema que
está na entrada da biblioteca daqui, e cujo espírito eu acredito que nos une:
“LET THE LOVE OF LEARNING RULE HUMANITY!”
Saturday, September 12, 2015
ABAIXO O GOVERNO FEDERAL! AUTONOMIA PARA OS ESTADOS!
ABAIXO O GOVERNO FEDERAL! AUTONOMIA PARA OS ESTADOS!
O PROBLEMA: O maior problema do Brasil é o Govêrno brasileiro. Seja no papel de opressor, explorador, corrupto ou "apenas" incompetente, a atuação governamental raramente proporcionou algum bem para o país, em nenhuma época, em nenhuma instância. Quase todo o tempo, causou muito mal.
UMA SAÍDA UTÓPICA: O ideal seria nos livrarmos do Governo. Na anarquia nós já vivemos. Poderíamos muito bem ao menos não pagar por instituições que só existem num mundo de fantasia - ilusão que pagamos muito caro para manter. Infelizmente esta saída não é prática; creio que esta afirmação é evidente por si e dispensa maior fundamentação.
A SOLUÇÃO EFICAZ: TEMOS DE TIRAR TODO O PODER DO GOVERNO FEDERAL! PRINCIPALMENTE O PODER FINANCEIRO! Que os impostos arrecadados nos Estados fiquem nos Estados - a não ser que os próprios Estados decidam fazer doações aos co-irmãos! Que os Estados se encarreguem de todos os serviços aos seus cidadãos! Pensem no volume de máquina administrativa que será eliminado com isto! No volume de dinheiro que poderá ser canalizado para as atividades-fim, em lugar de sustentar castas privilegiadas! Pensem em quanto mais fácil será para a população fiscalizar e cobrar seus servidores!
Pensem na riqueza de soluções políticas, administrativas e financeiras que surgirá desta autonomia! O quanto cada Estado poderá contribuir, com seus erros e acertos, para o aprendizado de todos! No quanto poderemos evoluir, coletivamente como nação e individualmente como cidadãos!
E o Brasil, acaba? Claro que não. Ser brasileiro significará ter um passaporte, poder residir e trabalhar em qualquer parte do território, em resumo ter uma nacionalidade, participar da irmandade dos Estados brasileiros - Estados que terão identidade própria, que serão membros dignos e autônomos de uma Federação, ao invés de escravos de um Govêrno Central que a ninguém representa, que a mais ninguém serve a não ser a si próprio, que há muito perdeu toda a legitimidade!
O PROBLEMA: O maior problema do Brasil é o Govêrno brasileiro. Seja no papel de opressor, explorador, corrupto ou "apenas" incompetente, a atuação governamental raramente proporcionou algum bem para o país, em nenhuma época, em nenhuma instância. Quase todo o tempo, causou muito mal.
UMA SAÍDA UTÓPICA: O ideal seria nos livrarmos do Governo. Na anarquia nós já vivemos. Poderíamos muito bem ao menos não pagar por instituições que só existem num mundo de fantasia - ilusão que pagamos muito caro para manter. Infelizmente esta saída não é prática; creio que esta afirmação é evidente por si e dispensa maior fundamentação.
A SOLUÇÃO EFICAZ: TEMOS DE TIRAR TODO O PODER DO GOVERNO FEDERAL! PRINCIPALMENTE O PODER FINANCEIRO! Que os impostos arrecadados nos Estados fiquem nos Estados - a não ser que os próprios Estados decidam fazer doações aos co-irmãos! Que os Estados se encarreguem de todos os serviços aos seus cidadãos! Pensem no volume de máquina administrativa que será eliminado com isto! No volume de dinheiro que poderá ser canalizado para as atividades-fim, em lugar de sustentar castas privilegiadas! Pensem em quanto mais fácil será para a população fiscalizar e cobrar seus servidores!
Pensem na riqueza de soluções políticas, administrativas e financeiras que surgirá desta autonomia! O quanto cada Estado poderá contribuir, com seus erros e acertos, para o aprendizado de todos! No quanto poderemos evoluir, coletivamente como nação e individualmente como cidadãos!
E o Brasil, acaba? Claro que não. Ser brasileiro significará ter um passaporte, poder residir e trabalhar em qualquer parte do território, em resumo ter uma nacionalidade, participar da irmandade dos Estados brasileiros - Estados que terão identidade própria, que serão membros dignos e autônomos de uma Federação, ao invés de escravos de um Govêrno Central que a ninguém representa, que a mais ninguém serve a não ser a si próprio, que há muito perdeu toda a legitimidade!
Saturday, May 09, 2015
Onde é a nossa Nova Inglaterra?! Porque não se ouve a voz do nosso John Brown?!
Trabalhando, trabalhando. Mas fui lá embaixo ver a chuva, ficar um pouco parado na porta. E me vieram alguns pensamentos que eu quero anotar. Outro dia eu dei como souvenir pra dona Wendy Matthews, a "fada-madrinha" dos estudantes internacionais aqui, uma nota de real, e isso me fez lembrar que nós, Brasil, também somos Estados Unidos! Mas quanta diferença na estrutura política que esses nomes tão similares, Estados Unidos da América e Estados Unidos do Brasil, designam!
Os Estados americanos tem muita autonomia, em um estado se pode fumar maconha, no outro não, em um pode-se andar armado até os dentes sem necessitar licença, no outro não. Em alguns há pena de morte, em outros não.
Essa autonomia não é apenas política, é econômica. A maior parte do dinheiro dos impostos fica nos Estados e nos Municípios.
Que diferença em relação ao Brasil! No Brasil os Estados são pouco mais do que... "síndicos", não tem autonomia política, e dependem do Governo Central, financeiramente, pra tudo! Os governadores vivem "de pires na mão", em Brasília, mendigando verbas!
A consequencia lógica é que o Presidente é tão poderoso quanto um Rei, um Imperador! Quem controla as finanças, controla praticamente tudo!
E - paradoxalmente - essa centralização de poder impede que ações efetivas sejam tomadas. Infraestrutura - estradas, energia, saneamento - educação, saúde... Qual é a situação dessas áreas hoje no Brasil? E o que está sendo feito pra melhorar? Nada? Bom, me parece que um dos motivos, um grande motivo, é que é muito difícil administrar um país de dimensões continentais de uma maneira tão centralizada!
Precisa haver integração entre as regiões, políticas a nível nacional? Sim, sem dúvida. Mas se os Municípios e Estados tiverem autonomia e recursos pra agir, tenho a mais absoluta certeza que os resultados seriam muito melhores do que os de um governo centralizado! Planejamento centralizado foi muito tentado nos falidos regimes socialistas - e vejam no que deu! Milhares de mortos de fome na Rússia, na China... Não é uma boa forma de governar um país das dimensões do nosso!
Como eu disse, paradoxalmente o poder centralizado resulta em um vácuo de poder! O Brasil se tornou um dinossauro, o cérebro minúsculo não consegue gerenciar o corpo enorme!
A solução, a meu ver, é reformar a estrutura política e tributária. Empoderar os municípios e os estados. Como o poder pode "emanar do povo" se tudo é decidido em Brasília?! Temos que cumprir a Constituição, fazer que o povo, a sociedade civil organizada, retome o protagonismo da vida política da Nação! Tenho a mais absoluta convicção que municípios com autonomia e com recursos próprios melhorarão rapidamente em todas as áreas, e o mesmo será com os Estados. Ao Governo Federal deve tocar um papel de coordenação - importante, sim, mas não de protagonismo.
Ah, mas e se como resultado dessa independência local em algum rincão perdido do interior brasileiro algum "coronel" resolver dominar um município? E se isso acontecer em algum Estado?
Em relação a isso, me veio à memória a Guerra Civil americana. O Norte cometeu um grande engano, encarou Appomatox como o fim da guerra, tratou a rendição de um exército como uma vitória definitiva sobre o inimigo. O Norte - na minha opinião - teria de ter tratado o período da Reconstrução do Sul como uma extensão da guerra, mantido a ocupação militar por mais alguns anos, por uma geração talvez, até que os partidários do escravismo e da segregação não fossem mais que abomináveis fantasmas do passado. Não o fizeram, e a comunidade negra do Sul, assim como a Nação como um todo, pagaram um pesado tributo, carregaram uma nódoa infamante da qual só começaram a se livrar nos anos 1960.
E o que a Guerra Civil americana tem a ver com o Brasil? Simples, estamos em guerra civil. Uma sociedade em caos, Entre a quadrilha que ocupa as estruturas de Governo e as quadrilhas que se dedicam à outras formas de crime organizado, vivemos um estado de barbarismo. Estamos em guerra. E é esse o momento de um Governo Federal intervir - tal como a União ocupou o Sul que mesmo após a rendição insistia em não cumprir a Constituição dos Estados Unidos. O Exército garantiu o direito de os negros votarem e exercerem cargos públicos, puniu os criminosos de guerra, reprimiu as atividades subversivas - em uma palavra, fez prevalecer a lei!
E o Exército Brasileiro pode muito bem fazer esse papel! A Polícia Federal pode faze as atividades de inteligência, e o Exército pode se encarregar das operações que tenham um caráter mais militarmente operacional!
NÃO É PRECISO "INTERVENÇÃO MILITAR", como o pessoal anda pedindo! O que é preciso é que o Exército, SOB AS ORDENS DO GOVERNO LEGALMENTE CONSTITUÍDO, garanta a ordem da Nação! O Brasil tem de ser ocupado pelas forças da lei e do direito, tal como o Sul escravista foi ocupado pelo Exército do Norte!
Novamente analisando a Guerra Civil Americana: haviam interesses econômicos em jogo? Sim, seria ingenuidade negar. Mas havia idealismo, haviam princípios éticos e morais envolvidos. Um núcleo de cidadãos, principalmente na região chamada Nova Inglaterra, era contra a escravidão por motivos éticos. O Kansas-Nebraska Act, em 1854, que tentava legalizar a escravidão nos novos Territórios que estavam sendo colonizados em direção ao Oeste, foi o efetivo início - embora não declarado - da Guerra Civil. Que o digam o maravilhosamente louco John Brown, e os epsódios do Bleeding Kansas! Era gente que lutava contra a escravidão por idealismo, gente que não visava ganho econômico, ao contrário, deram suas posses e muitas vezes suas vidas pela causa da igualdade!
Essa era a força por trás da Guerra Civil, essas eram as pessoas que queriam a Reconstrução do Sul! Uma comunidade idealista, altruísta, amante da liberdade!
E nós, e o Brasil? Onde é a nossa Nova Inglaterra?! Porque não se ouve a voz do nosso John Brown?!
Isso, meus compatriotas - sim, a palavra me soa grandiloquente, mas me parece a que melhor exprime a idéia - isso, meus compatriotas, é o que cabe a nós responder!
Será a minha cidade, será o Estado onde eu vivo, a Nova Inglaterra brasileira a se erguer contra a injustiça?!
Estou eu à altura das palavras e dos atos de John Brown, clamarei destemidamente contra a opressão - com um rifle Sharps nas mãos se necessário?!
Obrigado por me ouvirem.
De volta aos estudos, que o homework não vai se fazer sozinho! :-)
Beijos, queridões!
PS: Desculpem as falhas e repetições que devem haver neste texto, foi saindo e como foi saindo eu escrevi, sem revisar. Não é o melhor estilo do mundo, mas é sincero. Mais beijos! :-*
Os Estados americanos tem muita autonomia, em um estado se pode fumar maconha, no outro não, em um pode-se andar armado até os dentes sem necessitar licença, no outro não. Em alguns há pena de morte, em outros não.
Essa autonomia não é apenas política, é econômica. A maior parte do dinheiro dos impostos fica nos Estados e nos Municípios.
Que diferença em relação ao Brasil! No Brasil os Estados são pouco mais do que... "síndicos", não tem autonomia política, e dependem do Governo Central, financeiramente, pra tudo! Os governadores vivem "de pires na mão", em Brasília, mendigando verbas!
A consequencia lógica é que o Presidente é tão poderoso quanto um Rei, um Imperador! Quem controla as finanças, controla praticamente tudo!
E - paradoxalmente - essa centralização de poder impede que ações efetivas sejam tomadas. Infraestrutura - estradas, energia, saneamento - educação, saúde... Qual é a situação dessas áreas hoje no Brasil? E o que está sendo feito pra melhorar? Nada? Bom, me parece que um dos motivos, um grande motivo, é que é muito difícil administrar um país de dimensões continentais de uma maneira tão centralizada!
Precisa haver integração entre as regiões, políticas a nível nacional? Sim, sem dúvida. Mas se os Municípios e Estados tiverem autonomia e recursos pra agir, tenho a mais absoluta certeza que os resultados seriam muito melhores do que os de um governo centralizado! Planejamento centralizado foi muito tentado nos falidos regimes socialistas - e vejam no que deu! Milhares de mortos de fome na Rússia, na China... Não é uma boa forma de governar um país das dimensões do nosso!
Como eu disse, paradoxalmente o poder centralizado resulta em um vácuo de poder! O Brasil se tornou um dinossauro, o cérebro minúsculo não consegue gerenciar o corpo enorme!
A solução, a meu ver, é reformar a estrutura política e tributária. Empoderar os municípios e os estados. Como o poder pode "emanar do povo" se tudo é decidido em Brasília?! Temos que cumprir a Constituição, fazer que o povo, a sociedade civil organizada, retome o protagonismo da vida política da Nação! Tenho a mais absoluta convicção que municípios com autonomia e com recursos próprios melhorarão rapidamente em todas as áreas, e o mesmo será com os Estados. Ao Governo Federal deve tocar um papel de coordenação - importante, sim, mas não de protagonismo.
Ah, mas e se como resultado dessa independência local em algum rincão perdido do interior brasileiro algum "coronel" resolver dominar um município? E se isso acontecer em algum Estado?
Em relação a isso, me veio à memória a Guerra Civil americana. O Norte cometeu um grande engano, encarou Appomatox como o fim da guerra, tratou a rendição de um exército como uma vitória definitiva sobre o inimigo. O Norte - na minha opinião - teria de ter tratado o período da Reconstrução do Sul como uma extensão da guerra, mantido a ocupação militar por mais alguns anos, por uma geração talvez, até que os partidários do escravismo e da segregação não fossem mais que abomináveis fantasmas do passado. Não o fizeram, e a comunidade negra do Sul, assim como a Nação como um todo, pagaram um pesado tributo, carregaram uma nódoa infamante da qual só começaram a se livrar nos anos 1960.
E o que a Guerra Civil americana tem a ver com o Brasil? Simples, estamos em guerra civil. Uma sociedade em caos, Entre a quadrilha que ocupa as estruturas de Governo e as quadrilhas que se dedicam à outras formas de crime organizado, vivemos um estado de barbarismo. Estamos em guerra. E é esse o momento de um Governo Federal intervir - tal como a União ocupou o Sul que mesmo após a rendição insistia em não cumprir a Constituição dos Estados Unidos. O Exército garantiu o direito de os negros votarem e exercerem cargos públicos, puniu os criminosos de guerra, reprimiu as atividades subversivas - em uma palavra, fez prevalecer a lei!
E o Exército Brasileiro pode muito bem fazer esse papel! A Polícia Federal pode faze as atividades de inteligência, e o Exército pode se encarregar das operações que tenham um caráter mais militarmente operacional!
NÃO É PRECISO "INTERVENÇÃO MILITAR", como o pessoal anda pedindo! O que é preciso é que o Exército, SOB AS ORDENS DO GOVERNO LEGALMENTE CONSTITUÍDO, garanta a ordem da Nação! O Brasil tem de ser ocupado pelas forças da lei e do direito, tal como o Sul escravista foi ocupado pelo Exército do Norte!
Novamente analisando a Guerra Civil Americana: haviam interesses econômicos em jogo? Sim, seria ingenuidade negar. Mas havia idealismo, haviam princípios éticos e morais envolvidos. Um núcleo de cidadãos, principalmente na região chamada Nova Inglaterra, era contra a escravidão por motivos éticos. O Kansas-Nebraska Act, em 1854, que tentava legalizar a escravidão nos novos Territórios que estavam sendo colonizados em direção ao Oeste, foi o efetivo início - embora não declarado - da Guerra Civil. Que o digam o maravilhosamente louco John Brown, e os epsódios do Bleeding Kansas! Era gente que lutava contra a escravidão por idealismo, gente que não visava ganho econômico, ao contrário, deram suas posses e muitas vezes suas vidas pela causa da igualdade!
Essa era a força por trás da Guerra Civil, essas eram as pessoas que queriam a Reconstrução do Sul! Uma comunidade idealista, altruísta, amante da liberdade!
E nós, e o Brasil? Onde é a nossa Nova Inglaterra?! Porque não se ouve a voz do nosso John Brown?!
Isso, meus compatriotas - sim, a palavra me soa grandiloquente, mas me parece a que melhor exprime a idéia - isso, meus compatriotas, é o que cabe a nós responder!
Será a minha cidade, será o Estado onde eu vivo, a Nova Inglaterra brasileira a se erguer contra a injustiça?!
Estou eu à altura das palavras e dos atos de John Brown, clamarei destemidamente contra a opressão - com um rifle Sharps nas mãos se necessário?!
Obrigado por me ouvirem.
De volta aos estudos, que o homework não vai se fazer sozinho! :-)
Beijos, queridões!
PS: Desculpem as falhas e repetições que devem haver neste texto, foi saindo e como foi saindo eu escrevi, sem revisar. Não é o melhor estilo do mundo, mas é sincero. Mais beijos! :-*
Monday, February 02, 2015
Mais uma entrevista...
Mais uma vez alguém decidiu me fazer perguntas sobre essa experiência de intercâmbio. E mais uma vez eu partilho uma resposta aqui no blog. Desta vez não tem tradução. Só quero ser lido por quem é curioso, quem tem brilho no olhar, espírito inquieto e coração apaixonado!
"How did your career lead you to study abroad in the U.S. as an undergraduate student?"
My career did not lead me to study abroad. I made a choice to study abroad.
First of all, I realized I could, I did qualify. I had ENEM grade, I had English proficiency, I had good grades, I had academic extracurricular activities... Then I felt I did want to have this experience. That it would add to my professional skills and broaden my worldview; it would change me, it would change the way people see me. I felt that this time studying abroad would enhance what I value the most - the ability to influence people and make a difference in the in the world, make it better, a lot or a little bit, according to my possibilities - but do it! And, yes, I'm talking about pursuing professional status and wealthy. But it is mostly about daring to live life to the full, throw yourself over the void of the new, of the unknown, with your dreams as wings - and rejoice with excitement! I share with all youngsters I meet - my children, my grandchildren, their friends, my college mates - "That's how life can be, that's how I feel it shall be, and if I, 59 years old, I'm daring to step into the thresholds of future, where I supposedly do not belong - what couldn't you achieve, you with youth's tremendous power and the future ahead?" I'm deeply grateful for every chance I have encouraging any of these youngsters' first step; I look forward for the day their achievements amaze me; that will be the day I'll know, for sure, I did something meaningful.
"How did your career lead you to study abroad in the U.S. as an undergraduate student?"
My career did not lead me to study abroad. I made a choice to study abroad.
First of all, I realized I could, I did qualify. I had ENEM grade, I had English proficiency, I had good grades, I had academic extracurricular activities... Then I felt I did want to have this experience. That it would add to my professional skills and broaden my worldview; it would change me, it would change the way people see me. I felt that this time studying abroad would enhance what I value the most - the ability to influence people and make a difference in the in the world, make it better, a lot or a little bit, according to my possibilities - but do it! And, yes, I'm talking about pursuing professional status and wealthy. But it is mostly about daring to live life to the full, throw yourself over the void of the new, of the unknown, with your dreams as wings - and rejoice with excitement! I share with all youngsters I meet - my children, my grandchildren, their friends, my college mates - "That's how life can be, that's how I feel it shall be, and if I, 59 years old, I'm daring to step into the thresholds of future, where I supposedly do not belong - what couldn't you achieve, you with youth's tremendous power and the future ahead?" I'm deeply grateful for every chance I have encouraging any of these youngsters' first step; I look forward for the day their achievements amaze me; that will be the day I'll know, for sure, I did something meaningful.
Wednesday, January 28, 2015
O GOVERNO BRASILEIRO É UM MIMADO ADOLESCENTE INFRATOR
O GOVERNO BRASILEIRO É UM MIMADO ADOLESCENTE INFRATOR
Esse pensamento me ocorreu quando vi o modo pelo qual o Governo pretende equilibrar as contas públicas. O desequilíbrio vem de as despesas serem maiores do que as receitas. Solução? Conseguir mais dinheiro! Só que o Governo não tem dinheiro, não produz nada. O Governo vive do NOSSO dinheiro, do dinheiro dos impostos ASTRONÔMICOS que pagamos. Foi daí que me surgiu a analogia. O Governo vive de "mesada", mesada paga por nós, que somos como aqueles pais escravizados pelos filhinhos mimados, que querem sempre mais e mais. As semelhanças não param aí, no fato de quem nada produz ter tudo enquanto quem trabalha tem de passar privações. A semelhança está no luxo de "patricinhas" e "mauricinhos" ricos em que os governantes vivem. LUXO, não apenas "conforto". Olhem por exemplo para o Palácio Piratini. Agora vão dar uma olhada numa escola pública, ou num hospital público. É o mesmo padrão? Como é que falta dinheiro pra manutenção de uma escola e SOBRA pro luxo do Governador?! Não tem dinheiro pra um salário decente pra um professor, não tem dinheiro pra contratar mais policiais, mas SOBRA pra pagar Cargos em Comissão pros lambe-rabos dos governantes! É UMA VERGONHA, UM ABSURDO, MERECÍAMOS APANHAR NA CARA POR NOS SUBMETERMOS A UMA INDIGNIDADE DESSAS! E eles não estão nunca satisfeitos, querem mais, mais e mais!!! Até quando?!
E o pior é que nossos governantes não são apenas meninos mimados, exigentes e inúteis: eles são "adolescentes infratores". O retorno que obtemos do nosso sacrifício não é dedicação, não é o fiel cumprimento das obrigações que tem. É TRAIÇÃO E ROUBO! Escândalo atrás de escândalo! Crimes não só contra o patrimônio da sociedade, mas contra a saúde, contra a educação, contra a vida!
De quem é a responsabilidade? É NOSSA! Cabe a nós, cidadãos, tutelar a república! NÓS SOMOS OS PAIS DESSES ADOLESCENTES MIMADOS E DELINQUENTES! CABE A NÓS IMPOR OS LIMITES, DAR UM BASTA!
Chega! Eles não fazem a lição de casa; eles tem que ficar sem a mesada! Somos chamados pra buscá-los na delegacia porque estavam fazendo arruaça; eles tem de ser castigados por isso!
Parece mentira que eu, que nunca tive problemas com meus filhos, tenha que ser o tutor de adultos, de supostas lideranças, que se revelam a cada dia mais irresponsáveis e desonestas!
Mas eu, assim como todos os cidadãos, não posso me furtar a essa responsabilidade! Façamos cada um de nós a sua parte, pequena que seja, até que a pequena fagulha que cada um de nós fizer brilhar se torne em uma chama que purifique nosso pobre País!
Resta-nos o consolo de que, neste caso, quando estivermos nos preparando para aplicar o castigo, a velha frase "Isto vai doer mais em mim do que em ti"... não vai se aplicar!
Esse pensamento me ocorreu quando vi o modo pelo qual o Governo pretende equilibrar as contas públicas. O desequilíbrio vem de as despesas serem maiores do que as receitas. Solução? Conseguir mais dinheiro! Só que o Governo não tem dinheiro, não produz nada. O Governo vive do NOSSO dinheiro, do dinheiro dos impostos ASTRONÔMICOS que pagamos. Foi daí que me surgiu a analogia. O Governo vive de "mesada", mesada paga por nós, que somos como aqueles pais escravizados pelos filhinhos mimados, que querem sempre mais e mais. As semelhanças não param aí, no fato de quem nada produz ter tudo enquanto quem trabalha tem de passar privações. A semelhança está no luxo de "patricinhas" e "mauricinhos" ricos em que os governantes vivem. LUXO, não apenas "conforto". Olhem por exemplo para o Palácio Piratini. Agora vão dar uma olhada numa escola pública, ou num hospital público. É o mesmo padrão? Como é que falta dinheiro pra manutenção de uma escola e SOBRA pro luxo do Governador?! Não tem dinheiro pra um salário decente pra um professor, não tem dinheiro pra contratar mais policiais, mas SOBRA pra pagar Cargos em Comissão pros lambe-rabos dos governantes! É UMA VERGONHA, UM ABSURDO, MERECÍAMOS APANHAR NA CARA POR NOS SUBMETERMOS A UMA INDIGNIDADE DESSAS! E eles não estão nunca satisfeitos, querem mais, mais e mais!!! Até quando?!
E o pior é que nossos governantes não são apenas meninos mimados, exigentes e inúteis: eles são "adolescentes infratores". O retorno que obtemos do nosso sacrifício não é dedicação, não é o fiel cumprimento das obrigações que tem. É TRAIÇÃO E ROUBO! Escândalo atrás de escândalo! Crimes não só contra o patrimônio da sociedade, mas contra a saúde, contra a educação, contra a vida!
De quem é a responsabilidade? É NOSSA! Cabe a nós, cidadãos, tutelar a república! NÓS SOMOS OS PAIS DESSES ADOLESCENTES MIMADOS E DELINQUENTES! CABE A NÓS IMPOR OS LIMITES, DAR UM BASTA!
Chega! Eles não fazem a lição de casa; eles tem que ficar sem a mesada! Somos chamados pra buscá-los na delegacia porque estavam fazendo arruaça; eles tem de ser castigados por isso!
Parece mentira que eu, que nunca tive problemas com meus filhos, tenha que ser o tutor de adultos, de supostas lideranças, que se revelam a cada dia mais irresponsáveis e desonestas!
Mas eu, assim como todos os cidadãos, não posso me furtar a essa responsabilidade! Façamos cada um de nós a sua parte, pequena que seja, até que a pequena fagulha que cada um de nós fizer brilhar se torne em uma chama que purifique nosso pobre País!
Resta-nos o consolo de que, neste caso, quando estivermos nos preparando para aplicar o castigo, a velha frase "Isto vai doer mais em mim do que em ti"... não vai se aplicar!
Monday, January 26, 2015
São Paulo acabou!
Então, conforme prometido, aqui vai o meu post de "Profeta do Apocalipse":
CRISE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SÃO PAULO
* - Ao redor de março deste ano, a população de São Paulo estará numa situação insustentável, variando do racionamento à falta total e absoluta de água para as necessidades básicas - higiene, cozinhar e até pra beber.
* - Em outras palavras - a cidade estará em um processo de desintegração, tanto econômica quanto social. Um acampamento de nômades é impossível sem água, que dirá uma metrópole de vinte milhões de habitantes!
* - Até junho, muitos já terão migrado. Todos os que não sofrem da "síndrome do autômato" que é epidêmica na nossa sociedade já terão abandonado a cidade. Restarão os que só sabem ir trabalhar toda manhã e sentar em frente à TV toda noite, sem jamais pensar ou ter qualquer atitude por iniciativa própria.
* - A partir de junho, a falta dágua estará fazendo grandes indústrias fecharem; é impossível fábricas trabalharem sem água.
* - Quando as fábricas fecharem, até mesmo o "rebanho de gnus" sairá da passividade. A reação mais óbvia é êxodo em massa; a possibilidade de motins e saques não pode ser excluída.
* - Até o final deste ano, a maior metrópole da América do Sul terá, técnicamente, deixado de existir. Não é absurdo imaginar um cenário pós-apocalítico de um deserto de concreto calcinado, com talvez algumas dezenas de milhares de habitantes sobrevivendo em condições precárias. Como centro produtivo e econômico, São Paulo estará acabado.
* - As consequencias da catástrofe não se limitarão aos (ex-) habitantes de São Paulo, Uma crise financeira sem precedentes atingirá a todo o País e também aos parceiros no Exterior. E o impacto de milhões de refugiados em busca de casa e trabalho será devastador sobre todos os assalariados do Brasil.
* - Pode ser que isto nos leve a tomar as atitudes DRÁSTICAS e URGENTES que a degradação do meio-ambiente está a exigir. Ou pode ser simplesmente o primeiro passo para que o povo do Brasil, lugar tão rico em recursos naturais, se torne a primeira vítima da crise ambiental.
CRISE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SÃO PAULO
* - Ao redor de março deste ano, a população de São Paulo estará numa situação insustentável, variando do racionamento à falta total e absoluta de água para as necessidades básicas - higiene, cozinhar e até pra beber.
* - Em outras palavras - a cidade estará em um processo de desintegração, tanto econômica quanto social. Um acampamento de nômades é impossível sem água, que dirá uma metrópole de vinte milhões de habitantes!
* - Até junho, muitos já terão migrado. Todos os que não sofrem da "síndrome do autômato" que é epidêmica na nossa sociedade já terão abandonado a cidade. Restarão os que só sabem ir trabalhar toda manhã e sentar em frente à TV toda noite, sem jamais pensar ou ter qualquer atitude por iniciativa própria.
* - A partir de junho, a falta dágua estará fazendo grandes indústrias fecharem; é impossível fábricas trabalharem sem água.
* - Quando as fábricas fecharem, até mesmo o "rebanho de gnus" sairá da passividade. A reação mais óbvia é êxodo em massa; a possibilidade de motins e saques não pode ser excluída.
* - Até o final deste ano, a maior metrópole da América do Sul terá, técnicamente, deixado de existir. Não é absurdo imaginar um cenário pós-apocalítico de um deserto de concreto calcinado, com talvez algumas dezenas de milhares de habitantes sobrevivendo em condições precárias. Como centro produtivo e econômico, São Paulo estará acabado.
* - As consequencias da catástrofe não se limitarão aos (ex-) habitantes de São Paulo, Uma crise financeira sem precedentes atingirá a todo o País e também aos parceiros no Exterior. E o impacto de milhões de refugiados em busca de casa e trabalho será devastador sobre todos os assalariados do Brasil.
* - Pode ser que isto nos leve a tomar as atitudes DRÁSTICAS e URGENTES que a degradação do meio-ambiente está a exigir. Ou pode ser simplesmente o primeiro passo para que o povo do Brasil, lugar tão rico em recursos naturais, se torne a primeira vítima da crise ambiental.
Saturday, January 17, 2015
Entrevistas - III
Então, pessoal, o Dr. Maurício Escobar, que foi meu professor na ULBRA, achou que eu seria um bom assunto para um trabalho dos alunos do curso de Informática do IFSul - Charqueadas.
Eu fiquei muito satisfeito em poder colaborar com o pessoal, até porque o Professor Maurício foi dos melhores professores que eu já tive.
Houve até uma parte "pitoresca" quanto às respostas, eu estava viajando, feriado de Thanksgiving, e parte dos questionários eu respondi dentro do carro, viajando entre New Orleans e Houston; outra parte foi respondida em hotéis.
Bom, o fato é que nas respostas - em boa parte graças às excelentes perguntas das meninas - eu digo muita coisa relativa à profissão, muita coisa das minhas crenças pessoais, e resolvi guardar isso aqui no blog.
Além de ser útil pra mim, quem sabe não pode ter algum valor pra alguém mais?
Esta entrevista, feita pela Tainá e pela Shéron, é a terceira e última da série.
Obs: eu falo várias vezes no "material que enviei". Tanto quanto eu me lembro, esse tal "material" é a primeira entrevista.
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Eu fiquei muito satisfeito em poder colaborar com o pessoal, até porque o Professor Maurício foi dos melhores professores que eu já tive.
Houve até uma parte "pitoresca" quanto às respostas, eu estava viajando, feriado de Thanksgiving, e parte dos questionários eu respondi dentro do carro, viajando entre New Orleans e Houston; outra parte foi respondida em hotéis.
Bom, o fato é que nas respostas - em boa parte graças às excelentes perguntas das meninas - eu digo muita coisa relativa à profissão, muita coisa das minhas crenças pessoais, e resolvi guardar isso aqui no blog.
Além de ser útil pra mim, quem sabe não pode ter algum valor pra alguém mais?
Esta entrevista, feita pela Tainá e pela Shéron, é a terceira e última da série.
Obs: eu falo várias vezes no "material que enviei". Tanto quanto eu me lembro, esse tal "material" é a primeira entrevista.
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Nomes: Tainá e Shéron
Turma: INF-1AT (Ifsul – Charqueadas)
Questionário
1)
Por qual razão você escolheu a
Informática como área de atuação?
Entao, meninas, a informatica “aconteceu” na minha vida. Eu conto essa historia no material que mandei
pra voces. No meu blog (os links estao
no material, nao incluo aqui porque estou sem acesso a internet, estou
escrevendo no carro, enquanto nao eh a minha vez de dirigir J ). Eu era operador de
maquina de contabilidade, em 1974, quando uma empresa de processamento de dados
foi criada na cidade onde eu morava (Pelotas).
Eles me contrataram porque a coisa mais parecida com um operador de computador
que existia na cidade era um operador de maquina de contabilidade. Depois fiz um curso de programacao COBOL na
empresa, virei estagiario, programador, analista de sistemas... nao parei mais.
2)
Quando você tinha a nossa
idade, qual era a sua relação com a informática?
Bom, eu nao sei a idade de voces.
Eu soh fui ter contato – indiretamente – com computadores aos dezesseis
anos, quando trabalhava como auxiliar de contabilidade. Alem de usar as maquinas, que podiam, de uma
forma muito rudimentar, ser programadas, recebiamos relatorios impressos por
computador, que vinham da matriz no Rio de Janeiro. Eu soh fui ver um computador – um mainframe
IBM/370 – e seus equipamentos perifericos – leitoras de cartao, impressoras,
unidades de disco, unidades de fita, e os equipamentos de entrada de dados –
perfuradoras de cartoes e gravadoras de disquetes, quando tinha 18 anos e fui contratado como digitador. Eu vivi em um mundo sem computadores! J
3)
O que você acha indispensável
para formação de quem quer trabalhar na área da Informática?
Comecar por uma boa Introducao as Ciencias da Computacao. Historia da Informatica – mas nao apenas
teoria, pratica tambem, tipo construir um Computador Universal e usa-lo para
resolver alguns algoritmos simples. Pesquisar
sobre diversos usos da Informatica, e formar opinioes sobre eles, inclusive no
terreno filosofico e etico. E, de uma
forma muito pratica, aprender sobre as diversas aplicacoes – engenharia,
circuitos logicos, sistemas operacionais, aplicacoes, redes, seguranca... Assim, alem de poder escolher a area na qual
prefere atuar, vai ter uma boa nocao da informatica como um todo.
4)
Você passou por alguma
orientação antes de escolher esta área ou foi a sua escolha própria?
Olhem, a minha profissao, como eu jah disse, “aconteceu” . Eu gosto de programar, gosto de escrever
codigo. Ganho a vida escrevendo
aplicacoes em linguagens de alto nivel.
Na faculdade eu descobri que tambem gosto e tenho certa aptidao para
codificar em linguagens de baixo nivel, ou seja, poderia atuar na area de
software basico ou computacao embarcada.
Mas eu estou dirigindo – ao menos tentando dirigir – a minha carreira no
sentido de ser um Data Scientist.
Trabalhar com Big Data, Data Mining, Information Discovery. Se possivel usar isso para apoiar projetos de
pesquisa, fazer algo significativo, nao quero ajudar a Amazon a vender livros.
5)
Quais passos tu seguiste até
chegar à faculdade? Havia feito técnico na área?
Meninas, eu fiz a coisa errada.
Eu comecei a trabalhar com programacao com 19 anos, como eu contei. E fui sendo autodidata e/ou aprendendo novas
tecnologias em cursos tecnicos, cursos de extensao. Nao eh a melhor maneira, nao foi a melhor
escolha.
Tanto que aqui estou eu, velho, com quase 40 anos de profissao nas
costas, e de volta aos bancos escolares.
Vou estudar o quanto puder, ateh quando puder. E estudar no ambiente academico, nao mais
isolado, acredito que assim terei resultados melhores.
E quero ensinar tambem, porque tenho muito a partilhar da minha
experiencia, e lecionar vai me ajudar – obrigar, na verdade – a continuar
aprendendo sempre.
6)
Quais são, na tua opinião, as
maiores dificuldades do curso da Ciência da Computação?
Foram... Ra ra ra, jah foram!
Foram as Matematicas. Eu sou bom
com logica, mas nao com operacoes matematicas propriamente ditas.
E uma dificuldade que eu ainda tenho – eu creio que eh consequencia
de ter passado tantos anos como autodidata – eh fazer exatamente o que o
professor estah pedindo. Quando eu gosto
de um assunto, eu vou pesquisando mais e mais e gasto muito mais tempo do que
seria necessario. Isso as vezes me
complica com as outras materias.
E quando eu nao gosto de um assunto, OMG que luta me forcar a fazer
aquilo, mesmo que seja facil.
Principalmente quando eh facil, quando nao tem desafio! Ainda estou lutando com isso.
7)
Quais dicas você daria para
quem quer entrar nesta área, para que possa lidar com a constante e crescente
concorrência?
Gente, eu nao sei se sou a melhor pessoa pra dar essa
orientacao. Eu vejo que o mercado pede
cada vez mais que as pessoas sejam capazes de trabalhar com varias tecnologias. Mas eu nao sei se elas sabem o que estao
pedindo. Elas pedem que a pessoa seja
capaz de trabalhar com Java e com PHP, por exemplo. E pedem uso avancado das duas
ferramentas! Afinal, eles querem
especialistas capazes de fazer uso avancado da ferramenta ou querem um
generalista que sabe um pouco de tudo?
Como o mercado me parece assim meio confuso, eu opto por dominar BEM
o que eh fundamental pra minha area de atuacao.
Por exemplo, se vais trabalhar com desenvolvimento web, HTML, CSS e Java
Script sao essenciais. Saber bem. Tem
neginho usando Java Script como se fosse procedural, sem se dar conta que eh
uma linguagem orientada a funcoes. Isso
nao eh culpa dos profissionais, eh culpa das empresas que ficam exigindo que a pessoa
fique mudando de tecnologia. Cabe a nos
nos informamos, verificar o que eh realmente fundamental na nossa area de
atuacao, e nos auto-qualificamos nisso que eh essencial. Se dominar bem os
fundamentos, aprender novas rtecnologias vai ser mais facil.
8)
A cada dia temos mais recursos
tecnológicos disponíveis, quais são seus meios de manter-se sempre atualizado?
Olha, como eu disse na questao anterior, eu nao acho que seja
possivel saber tudo de tudo. Eu nao acho
nem que seja preciso, e nem que seja desejavel!
Tenho um professor aqui na Kansas State University que concorda
comigo! E ele eh uma autoridade em
bancos de dados. Eh nisso que ele foca –
bancos de dados! Ele sabe construir um
Web Site, sabe PHP, sabe Ruby... Mas nao
tenta ser o melhor nisso, nao tenta ser vanguarda nisso. Nisso ele eh “seguidor” de colegas em quem
ele confia, que sabe que sao competentes.
Ele eh “lider” em bancos de dados
– e os colegas e as empresas vem a ele pedindo auxilio pra resolver problemas
complexos nessa area.
Eh isso que eu acho que se deve fazer: definir uma area central de atuacao, e
investir nessa. Nas outras a gente vai
acompanhando o que dah, e quando nao dah a gente pede pros colegas
especialistas nisso nos ensinarem o que precisamos.
9)
Em quais das etapas de trabalho/estudo
vividas até hoje você mais se identificou?
Bah, eh dificl de dizer.
Gostei de tanta coisa! Adorei ser
professor no SENAC! Adorei estar em sala
de aula, interagindo com os alunos!
Aprendi muito muito muito, tanto me preparando pra dar boas aulas quanto
com a interacao com os alunos. Aprendi
em termos tecnicos e em termos humanos tambem.
Gosto muito de trabalhar na minha empresa. Eu decido a maneira como vou trabalhar,
ninguem me diz que tecnologia ou que metodologia devo usar. Nao gosto da parte administrativa, mas pra
isso eu posso contratar alguem.
Tambem gostei muitodo meu perioo como Consultor Tecnico, onde eu
tinha de saber a fundo um produto e os recursos tecnologicos que o faziam
funcionar. Isso eh bem o meu
perfil. A area de atuacao tambem era uma
coisa que eu gosto, que eh grandes plantas industrias. Gosto muito mais de suportar manutencao
industrial, engenharia, do que de aplicacoes administrativas. E tambem foi uito bom interagir com colegas e
clientes do mundo todo, tanto remotamente, via Skype, quanto viajando para os
Estados Unidos e recebendo os colegas (indianos, canadenses, americanos) no
Brasil.
10)
E para finalizar, quais são
suas metas futuras em relação ao trabalho e estudo?
Bueno, essa eu vou copiar e colar
de outro questionario J :
Profissao: eu quero ser um consultor de reputacao
reconhecida. O que eu gosto eh Data
Science, BI, Sistemas Especialistas.
Quero ser consultor nessa area.
E quero leconar. Tipo, ser consultor 50% do tempo, lecionar o
restante.
Os estudos vao em paralelo. Quero me formar, fazer uma especializacao, e
entao lecionar – se possibel na universidade onde eu estudo. Quero fechar o ciclo. Talvez entao busque um PhD, se fosse possivel
fazer no exterior, na Europa desta vez, seria otimo!
Entrevistas - II
Então, pessoal, o Dr. Maurício Escobar, que foi meu professor na ULBRA, achou que eu seria um bom assunto para um trabalho dos alunos do curso de Informática do IFSul - Charqueadas.
Eu fiquei muito satisfeito em poder colaborar com o pessoal, até porque o Professor Maurício foi dos melhores professores que eu já tive.
Houve até uma parte "pitoresca" quanto às respostas, eu estava viajando, feriado de Thanksgiving, e parte dos questionários eu respondi dentro do carro, viajando entre New Orleans e Houston; outra parte foi respondida em hotéis.
Bom, o fato é que nas respostas - em boa parte graças às excelentes perguntas das meninas - eu digo muita coisa relativa à profissão, muita coisa das minhas crenças pessoais, e resolvi guardar isso aqui no blog.
Além de ser útil pra mim, quem sabe não pode ter algum valor pra alguém mais?
Esta entrevista, feita pela Julia e pela Carolina, é a segunda de uma série de três.
Obs: eu falo várias vezes no "material que enviei". Tanto quanto eu me lembro, esse tal "material" é a primeira entrevista.
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Eu fiquei muito satisfeito em poder colaborar com o pessoal, até porque o Professor Maurício foi dos melhores professores que eu já tive.
Houve até uma parte "pitoresca" quanto às respostas, eu estava viajando, feriado de Thanksgiving, e parte dos questionários eu respondi dentro do carro, viajando entre New Orleans e Houston; outra parte foi respondida em hotéis.
Bom, o fato é que nas respostas - em boa parte graças às excelentes perguntas das meninas - eu digo muita coisa relativa à profissão, muita coisa das minhas crenças pessoais, e resolvi guardar isso aqui no blog.
Além de ser útil pra mim, quem sabe não pode ter algum valor pra alguém mais?
Obs: eu falo várias vezes no "material que enviei". Tanto quanto eu me lembro, esse tal "material" é a primeira entrevista.
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INSTITUTO
FEDERAL SUL-RIO-GRANDENSE
CAMPUS
CHARQUEADAS
Nomes: Carolina e Julia
Curso: Técnico
em Informática
Turma: INF
1AT
Disciplina: Iniciação
à Informática
Professor: Maurício
Escobar
Questionário
Entrevistado: Pedro Francisco – Estudante de
computação
Olá Pedro! Somos alunas, do curso de
Informática, do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense Campus Charqueadas, Julia e
Carolina. O professor Maurício nos solicitou um trabalho sobre as Áreas
relacionadas à Informática, no qual deveríamos entrevistar uma das pessoas que
ele nos indicou. Decidimos lhe entrevistar porque achamos que esta profissão é
muito importante para o mundo atualmente, sendo que é uma área de muita
importância no meio profissional em que vivemos e gostaríamos de conhecermos um
pouco mais sobre esta profissão. Além
disso, sua trajetória e sua vontade de sempre ampliar seu conhecimento, nos
motiva.
Ficaremos muito gratas, se puderes nos
ajudar, respondendo 11 perguntas.
Desde
já, agradecemos a colaboração.
Atenciosamente,
Julia e Carolina .
1- O que
motivou você a escolher a profissão que segue atualmente?
Meninas, esta resposta estah no material
que enviei antes, entao nao vou me estender muito. Eu tinha 18 anos (1974), era operador de
maquinas de contabilidade, uma empresa de informatica (Centro de Processamento
de Dados, usando um IBM/370) se instalou na minha cidade (Pelotas), eu fui
trabalhar como Operador de Data Entry (i.e., digitador, usavamos maquinas de
gravacao de disketes, IBM 3742), a empresa necessitava programadores, abriu um
curso interno de Programacao COBOL (apoiado pela IBM), fiz, passei, virei
estagiario de programacao, programador, analista de sistemas – tudo na mesma
empresa. Desde o primeiro momento em
que trabalhei com os computadores senti que “tinha jeito” e gostava daquilo.
2- Para
você, qual a importância da área de sua profissão no mundo de hoje?
Bah, essa eh dificil. A importancia eh total, geral, a programacao
estah em tudo, nos mais diversos formatos.
Computacao embarcada, robots, telefones, computadores, geladeiras,
TVs... Dependemos da tecnologia para
tudo! Se voces virem o meu blog (o link
estah no material que eu enviei, neste momento nao tenho internet, estou
escrevendo dentro de um carro! J ), vao encontrar um artigo sobre “A
Singularidade”. O artigo estah em
ingles, claro, porque foi um “tema pra casa” daqui. Mas se voces nao souberem ingles acho que um
Google tradutor quebra bem um galho. O
tema, “A Singularidade”, se refere ao momento em que a Inteligencia Artificial
nao apenas sobrepujara a inteligencia humana, mas escapara do nosso controle. Nao eh ficcao cientifica, eh ciencia! Muito interessante! Recomendo a leitura, no meu artigo tem um
link pro artigo original.
Em tempo: se voces nao sabem ingles,
aprendam o quanto antes. Sem ingles
voces nunca vao poder usar a tecnologia mais moderna, vao ter que esperar que
alguem traduza.
3- Sua
profissão de alguma forma influencia na sua vida pessoal?
Essa resposta tambem estah no material
que enviei. Mas vai um resuminho aqui: a
profissao me influenciou no sentido de buscar sempre me basear na logica,
gerenciar recursos, gerenciar tempo – em todas as areas da minha vida., mesmo
nos meus passatempos.
4- Em
algum momento de sua carreira como estudante ou profissional, você passou por
alguma dificuldade? Se sim, como isso te motivou ou influenciou no que você se
tornou hoje?
Como
profissional, me lembro de um momento dificil quando tive que aprender
Microsoft .Net. Eramos uma equipe de
programadores trabalhando com Visual Basic 6 e banco de dados Oracle. Eu usava muito Visual Basic for Applications,
nesta epoca, dentro do MS-Access, algumas vezes usando o Access para conectar
no Oracle. Entao veio uma ordem da
matriz da empresa de pararmos todo e qualquer desenvolvimento em Visual
Basic. Deveriamos passar a usar o Oracle
com .Net Framework.
Dificuldades:
ninguem (eramos quatro ou cinco) sabia .Net.
Nao recebemos nenhum treinamento, soh a ordem de comecar a usar. Visual Basic eh uma linguagem “procedural”,
embora jah “orientada a eventos” . O
Visual Basic .Net que tinhamos de aprender, apesar do nome igual, eh “Orientado
a Objetos”, um paradigma bastante diferente.
Entao as diferencas eram muito mais que de sintaxe, eram
conceituais. Tivemos que trabalhar
muito, ler muito manual, experimentar e errar muito, ateh “pegar o jeito”. Pra completar, o banco de dados “padrao” para
.Net Framework eh o MS SQL Server, e tinhamos de usar Oracle. Claro que funciona OK, mas eh mais complicado
um pouco de usar. Acabou que hoje tenho
Certificacao Microsoft em .Net e tive varios empregos como desenvolvedor de
software usando .Net.
Como
estudante, eu sofri nas Matematicas.
Tenho bom raciocinio logico, sou capaz de ver as equacoes apropriadas
aos problemas, mas fazer os calculos, Deus me acuda, nao eh o meu forte. Teve uma prova de Matematica que eu esperava
tirar algo em redor de 7 e acabei tirando 4,5 eu acho. Eu revisei tanto as questoes que acabei
estragando uma resposta. Fiquei meio
mal. Peguei a prova, e fiquei pensando
em juntar minhas coisas, ir me embora e nunca mais voltar. Depois me acalmei. Pensei “o pior que pode acontecer eh eu
rodar. Se eu for embora, eh certo que eu
rodo. Se eu ficar, rodarei ou nao. Entao
vou ficar e tocar a bola pra frente!” .
Me preparei bem pra proxima prova, passei, e bola pra frente! J
5- O que
te motivou a estudar fora do país? Quais os objetivos que você quer alcançar
com essa experiência?
Bom, acho que isso tambem eh mencionado
no material que eu enviei. Mas aqui vai um resuminho: Eu quero crescimento
pessoal. Acredito que conhecer um outro sistema educacional, outro programa de
ensino, em outro pais, vai me enriquecer muito.
E acredito tambem que, em termos praticos, isso vai se refletir em um
bom status profissional – e a correspondente recompensa financeira – quando eu
voltar ao Brasil. Uma razao muito forte
tambem foi estimular mais brasileiros a fazer o mesmo – claro, principalmente
meus filhos. Mas tambem todos os meus
colegas e todos os estudantes brasileiros.
6- Se
você fosse realizar uma palestra para um grupo de pessoas interessadas na mesma
profissão que a sua, quais as dicas que você diria a elas?
·
Escolha alguma coisa que goste de
fazer. Provavelmente tu vais ser bom no
que gostas de fazer. Mas o principal eh
gostar. A gente tem que se dedicar
muito, estar constantemente lendo e aprendendo.
Tem de passar o dia focado, concentrado no trabalho que estah fazendo,
eh trabalho mental, nao dah pra fazer pensando em outra coisa. E se a pessoa nao gostar, isso se torna uma
tortura. Felizmente dentro da
Informatica ha muitas areas que requerem aptidoes diferentes. Agora mesmo estou convivendo com o pessoal de
Cyber Seguranca. Eu tenho um
conhecimento bem basico do que eles fazem, quando falam entre eles chega um
momento em que eu fico perdido. E em
compensacao quando eu explico programacao pra eles eles ficam me olhando com
cara de cachorro que caiu do caminhao da mudanca. Sao areas bem diferentes. E ainda temos redes, sistemas operacionais,
computacao embarcada, etc., etc. etc.
Escolha uma area de que goste e se dedique a ela.
·
Tenha em mente que o que fazes nao eh
pra ti. O trabalho nao pode ser gratificante
apenas para o profissional que o executa.
Me permitam uma analogia, nao quero ser chulo nem desrespeitoso, mas nao
tenho muito tempo e nao me ocorre agora outro jeito de explicar: nao pode ser uma “masturbacao”, tem que ser
uma “relacao sexual”. Se tu nao sentires
prazer tem alguma coisa errada, mas se nao deres prazer ao parceiro tem alguma
coisa errada tambem. O nosso trabalho
tem a finalidade de resolver o problema de alguem. Nao podemos perder isso de vista. Temos que nos importar com o cliente,
trabalhar junto, envolver o cliente no processo, nos colocar no lugar
dele. O resultado da nossa atuacao
profissional tem que ser eliminar dificuldades que estao atormentando as
pessoas, melhorar a vida dessas pessoas.
·
Aprenda bem os fundamentos. Pra comecar adquira conhecimentos basicos
sobre as varias areas de atuacao – engenharia, software basico, robotica,
software comercial, bancos de dados... Isso
vai te mostrar a area da tua preferencia.
Te dedica entao a aprender BEM os conceitos fundamentais. Se for desenvolvimento de software, por
exemplo, tem que conhecer BEM logica de programacao e algoritmos, tem que
conhecer bem varios paradigmas de linguagens de programacao, etc., etc.
·
Nunca para de aprender. A nossa area muda sempre. Leia muito, artigos, foruns, livros;
participe de eventos profissionais, fique antenado no que estah acontecendo na
area de atuacao. Se parar de se
atualizar, em poucos anos vai estar desconectado do estado da arte da profissao.
7- Como
foi sua trajetória para fundar a sua empresa? Como ela se chama?
Hoje, nesse momento, a minha empresa sou
eu. Jah tive meia-duzia de funcionarios,
se terei novamente o futuro dirah. Mas
provavelmente nunca vai ser grande, porque o meu diferencial eh prestar servico
totalmente “sob medida” e com qualidade muito boa, muito melhor que o mercado
em geral. E nao existe mao-de-obra pra
fazer isso em grande escala.
Eu fundei minha empresa para poder
trabalhar do meu jeito. Seguir minha metodologia. Fiz cursos de gerenciamento e de qualidade
total no SENAC, meus funcionarios tambem fizeram. Tinhamos “Reunioes da Qualidade”, onde
definiamos, em grupo, as melhores praticas.
As melhores praticas eram continuamente avaliadas e revisadas. O objetivo era nao parar nunca de melhorar.
Funcionou. Por exemplo, construi no ano 2000 um sistema
que roda ateh hoje, sem requerer manutencao corretiva! Meus sistemas seguem esse padrao! Isso eh algo muito raro no mercado!
Tambem criei minha empresa para poder
administrar os meus ganhos. Infelizmente
existem empresas que querem pagar o minimo possivel. Exigem profissionais qualificados e querem
pagar salario de estagiario. Acho que
todos nos profissionais de informatica devemos nos recusar a receber salarios
indignos. Se todos recusarem esses
salarios, se organizarem em cooperativas, criarem empresas, trabalharem como
autonomos, buscarem alternativas, enfim, e recusarem receber essas miserias de
dois ou tres salarios minimos, os empresarios vao passar a oferecer salarios
decentes.
8- Atualmente
o mundo se surpreende com as novas tecnologias que estão surgindo e tornando o
mercado de trabalho mais amplo. Além disso, a informática está se tornando o
centro do mundo, sendo um processo essencial na evolução do mundo moderno. Qual
a sensação de fazer parte desse processo e poder trabalhar com algo tão
fascinante?
Bom, a sensacao eh semelhante a que tive
quando comecei a atuar como programador, en 1975 – um programador tem o poder
de milhares de homens! Para o jovem que
eu era na epoca, isso me levava quase a um delirio de poder! J Hoje estou velho e controlo isso. Nao me auto-comprazo com a sensacao de poder,
procuro focar na gratidao pela chance de poder fazer algo tao significativo. E – jah dizia o Homem-Aranha ( J ) -
nunca nunca nunca perder de vista a responsabilidade que vem com o poder.
9- Você
consegue trabalhar sob pressão? Se não, por quê?
Se nao conseguisse trabalhar sob
pressao, eu teria que largar a profissao.
Estamos sempre submetidos a pressao do tempo, os gerentes e/ou os
clientes sempre querem tudo mais rapido, mais rapido!
Eu tenho grandes fabricas como clientes
– no momento a CMPC, jah tive empreiteiros da Petrobras, Braskem, Samarco...
grandes fabricas. E se alguma coisa sai
errado no programa que diz que a tubulacao de petroleo estah OK, bom, a
tubulacao pode explodir, pode acontecer um grande desastre ecologico, pessoas
podem morrer.
Eu lido bem com a pressao do “tem que
estar certo”. Nao me importo de ter que
planejar com cuidado, revisar e testar tudo.
Nao gosto da pressao do tempo.
Como eu disse, os gerentes e os clientes sempre querem “mais rapido, pra
ontem”. Eu costumo negociar – queres
rapido, o programa vai fazer menos coisas.
Queres um programa que faca um milhao de coisas e queres em 15 dias,
contrata um magico, nao um programador.
E sacrificar a qualidade eh coisa que eu
nao faco. Eh se queimar
profissionalmente, na verdade seria abrir mao da minha etica profissional. Tempo e escopo eu negocio, qualidade nao!
10- Com
base em suas experiências, como você acha que um profissional pode contribuir
para o crescimento de uma empresa? E o que ele deve fazer para que sua carreira
profissional não apenas se mantenha, mas sim evolua para que novas
oportunidades possam aparecer?
Eu sou um desenvolvedor de
software. Um desenvolvedor de software
pode analisar os processos de negocios e sugerir melhorias, aumentando a
eficiencia, aumentando a qualidade, melhorando o rendimento da empresa como um
todo.
Uma das habilidades que um desenvolvedor
de software deve ter eh a de se colocar no lugar dos seus usuarios, conhecer o
trabalho que eles fazem, entender as dificuldades que enfrentam e quais sao os
principais objetivos. Esse conhecimento
pode ser usado para ajudar os diferentes a conhecerem o trabalho uns dos
outros, proporcionando uma maior integracao e uniao na empresa, mais
produtividade e melhor ambiente de trabalho.
Para a carreira evoluir... o que eu tento fazer eh ser honesto, “dizer o
que faco e fazer o que digo”, como um gerente uma vez orientou. Manter minha palavra, trabalhar pelo bem
comum. Bom, tambem nao dah pra deixar os
aproveitadores usarem a gente. Preservar
a dignidade e o amor-proprio. “Quem
muito se abaixa o rabo lhe aparece”, diz um velho ditado.
Em uma palavra: eu acredito em ser
tecnicamente competente, isso eh o basico, eh o minimo. Estudar pra melhorar cada vez mais e se
manter atualizado. E ser verdadeiro, ser
fiel ao proprio carater. Se estiveres no
lugar certo pra ti, pro tipo de pessoa que tu es, vais progredir.
11- Qual
seu maior sonho em relação a sua profissão e aos seus estudos?
Profissao: eu quero ser um consultor de reputacao
reconhecida. O que eu gosto eh Data
Science, BI, Sistemas Especialistas.
Quero ser consultor nessa area.
E quero leconar. Tipo, ser consultor 50% do tempo, lecionar o
restante.
Os estudos vao em paralelo. Quero me formar, fazer uma especializacao, e
entao lecionar – se possibel na universidade onde eu estudo. Quero fechar o ciclo. Talvez entao busque um PhD, se fosse possivel
fazer no exterior, na Europa desta vez, seria otimo!
Entrevistas - I
Então, pessoal, o Dr. Maurício Escobar, que foi meu professor na ULBRA, achou que eu seria um bom assunto para um trabalho dos alunos do curso de Informática do IFSul - Charqueadas.
Eu fiquei muito satisfeito em poder colaborar com o pessoal, até porque o Professor Maurício foi dos melhores professores que eu já tive.
Houve até uma parte "pitoresca" quanto às respostas, eu estava viajando, feriado de Thanksgiving, e parte dos questionários eu respondi dentro do carro, viajando entre New Orleans e Houston; outra parte foi respondida em hotéis.
Bom, o fato é que nas respostas - em boa parte graças às excelentes perguntas das meninas - eu digo muita coisa relativa à profissão, muita coisa das minhas crenças pessoais, e resolvi guardar isso aqui no blog.
Além de ser útil pra mim, quem sabe não pode ter algum valor pra alguém mais?
Esta entrevista, feita pela Eduarda e pela Gabrieli, é a primeira de uma série de três.
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x
Eu fiquei muito satisfeito em poder colaborar com o pessoal, até porque o Professor Maurício foi dos melhores professores que eu já tive.
Houve até uma parte "pitoresca" quanto às respostas, eu estava viajando, feriado de Thanksgiving, e parte dos questionários eu respondi dentro do carro, viajando entre New Orleans e Houston; outra parte foi respondida em hotéis.
Bom, o fato é que nas respostas - em boa parte graças às excelentes perguntas das meninas - eu digo muita coisa relativa à profissão, muita coisa das minhas crenças pessoais, e resolvi guardar isso aqui no blog.
Além de ser útil pra mim, quem sabe não pode ter algum valor pra alguém mais?
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Olá Pedro, somos duas alunas do primeiro ano, do curso de
Informática no Instituto Federal Sul-Rio-Grandense Campus Charqueadas, Eduarda
e Gabrielli. O professor Maurício Escobar, nos pediu um trabalho sobre as áreas
de informática, e deveríamos entrevistar uma das pessoas que ele nos indicou.
Escolhemos fazer a entrevista com o senhor, pois temos muito interesse na área
de programação. Ficaremos muito gratas, se o senhor poder nos ajudar
respondendo 11 perguntas. Segue em anexo o questionário.
Gurias, eu
respondi as perguntas de vocês e, se vocês olharem depois do fim do
questionário, vâo ver que eu coloquei um monte de coisa mais lá. Leiam se quiserem, se tiverem tempo. Provávelmente coloquei coisa demais, que
vocês não precisam nem querem. É que eu,
como a maioria dos velhos, gosto de contar “causos”...
1-
Viajar para um lugar
diferenciado em que não se conhece ninguém é algo um tanto complicado, isso te
prejudicou de alguma forma nos estudos?
É uma dificuldade a mais,
sim.
O sistema de ensino é diferente. É muito homework (o velho “tema pra casa”). É esperado que o aluno trabalhe duas horas em casa pra cada hora que passa em aula. E eles passam tarefas de acordo com isso. Eu assisto aula doze horas por semana; isso me faz trabalhar no minimo 40 horas por semana, entre aula e homework.
Eu achei as aulas muito mais interativas que no Brasil. O professor explica alguma coisa e começa a perguntar. Ele não está querendo que repiram o que ele disse, ele quer que a turma construa interpretações e apresente idéias originais em cima do que ele disse. E alguns dos estudantes americanos são muito bons nisso, eles pensam rápido, eles apresentam idéias criativas.
O sistema de ensino é diferente. É muito homework (o velho “tema pra casa”). É esperado que o aluno trabalhe duas horas em casa pra cada hora que passa em aula. E eles passam tarefas de acordo com isso. Eu assisto aula doze horas por semana; isso me faz trabalhar no minimo 40 horas por semana, entre aula e homework.
Eu achei as aulas muito mais interativas que no Brasil. O professor explica alguma coisa e começa a perguntar. Ele não está querendo que repiram o que ele disse, ele quer que a turma construa interpretações e apresente idéias originais em cima do que ele disse. E alguns dos estudantes americanos são muito bons nisso, eles pensam rápido, eles apresentam idéias criativas.
Outra diferença muito
grande é que tudo tem “projeto prático”.
Não existe cadeira em que tu lês alguns livros, aprende a resposta
correta segundo a teoria, marca as cruzes nos lugares certos na prova e pronto,
tirou nota boa! Pra vocês fazerem uma
idéia, uma cadeira “fácil”, Introdução às Ciências da Computação, tem trabalhos
de pesquisa (é para essa cadeira que eu tenho que manter o blog, o professor dá
um tema por semana), tem um projeto de pesquisa em um assunto para cada grupo
(são 4 ou 5 em cada grupo) e este projeto de pesquisa inclui fazer um vídeo,
uma apresentação Power Point e um “Trecho de Livro Didático” sobre o assunto
designado. Não bastasse isso tudo, ainda
tem exercícios de programação com uma ferramenta chamada “Scratch”, criada pelo
MIT, e o trabalho final de programação vai ser criar um video game. Pode ser simples, mas tem que funcionar. A cadeira de Engenharia de Sistemas é
construir um sistema usando Metodologia Ágil – sistemas reais, com clientes
reais, para ajudar ONGs aqui da cidade. É tudo assim. Tem saber fazer.
A língua também é uma
dificuldade. Eu vim com boa nota no
TOEFL. Mas mesmo assim, na minha
primeira terça-feira (terças-feiras eu tenho aula das 09:00 às 12:30 e depois
das 14:30 às 15:45), eu saí da última aula, fui me encaminhando pra Biblioteca
pra ver se tinham os livros que eu ia precisar, e antes de chegar lá mudei o
rumo, fui pro apartamento, me joguei na cama de roupa e tudo e fiquei lá
deitado umas três horas, como se tivessem me dado uma paulada na cabeça – tal
foi o cansaço de quase seis horas de aula em inglês. Isso melhorou em seguida, tipo 15 dias depois
eu já saía da última aula “normal”, em condições de ir pra Biblioteca estudar.
Mas uma coisa é ficar
fácil entender o professor, outra coisa é participar de discussões de grupo –
quando além de todos falarem ao mesmo tempo, a sala está cheia de gente
falando. Nessas condições, eu às vezes
ainda tenho que pedir pras pessoas repetirem as coisas.
E nem sempre é fácil
entender o professor, porque nem todos são americanos. Eu tenho aula com um chinês que é bem difícil
de entender, e com um francês que tem um sotaque carregado e no início era
muito difícil entender, agora eu já me acostumei. Acho que agora é mais fácil pra mim entender
o professor francês que pros americanos.
E (quase) todo mundo
estuda muito aqui. As salas de estudo
ficam abertas 24 horas, 7 dias por semana. E sempre tem gente. Eu já fui na Biblioteca domingo de noite e
tava lotada, bombando! Negadinha
esfregando os olhos, cansada, e dê-lhe a estudar. Quem quer tirar nota boa tem que fazer assim,
a não ser que seja gênio. Também se vê
gente dormindo nos sofás da Biblioteca, até nas mesas dos laboratórios de
computação. Eu pensava que eram
vagabundos, até que eu mesmo fiquei tão cansado que entre uma aula e outra ia
pra Biblioteca estudar e dormia em cima do computador.
Livro. Livro é caro aqui! E tem muita leitura obrigatória que não tem
na Biblioteca – na boa e velha ULBRA, no Brasil, isso quase nunca acontecia. Se tu não comprares livro on-line, nem de
segunda mão, pode-se fácilmente gastar 400 ou 500 dólares em livros num
semestre. Se comprar de segunda mão, o
valor cai pra menos da metade. E se
tiver on-line, aí é bem acessível. Mas
TEM que ter os livros e TEM que ler os livros.
Se não ler, vai chegar na aula e vai ficar “boiando”, porque o professor
presumindo que tu estás a par do conteúdo do livro.
Por outro lado, também se
tem facilidades que não tem no Brasil.
Os professores tem “office hours” – horários em que ficam à disposição dos
alunos para tirarem dúvidas. Quando nos
receberam aqui, salientaram que a gente ficasse bem à vontade pra procurá-los e
pedir ajuda, porque eles são pagos e bem pagos pra ficar à disposição. Os professores também tem “assistentes”, que
ajudam quando a demanda é grande. E tem
também “monitoria” gratuita – alunos que ajudam alunos – pras matérias que são
tradicionalmente mais difíceis – Cálculo, essas coisas. Infelizmente pra maioria dos cursos (eles
chamam de “course” o que nós chamamos no Brasil de “cadeira” ou “matéria”, isso
me confundiu muito quando cheguei) de Sistemas de Informação não tem
monitoria. Mas eu já sou membro do
Núcleo da Association for Computing Machinery que tem aqui na Universidade, e
tem sessões de ajuda todas as terças.
Isso é outra coisa que
“bomba” aqui – as Associações de Estudantes e os Grupos de Estudo e
Debate. Tem grupo de Robótica, de Games,
de Cybersecurity, tem Mulheres na TI, vários, vários. E os professores apoiam, mas quem faz a coisa
funcionar são os alunos mesmo. Gente que
se organiza, gerencia o grupo, gente que trabalha, pesquisa, apresenta
trabalhos interessantes...
Também tem MUITA interação
com empresas, GRANDES empresas. Eu fui
“fiscal” de um concurso de programação que aconteceu aqui. Bagulho punk!
Dez problemas foram apresentados, tinham um dia pra resolver. Trabalho em grupos de três, mas só um
computador por grupo. Nenhum grupo
resolveu todos os problemas, na verdade nenhum grupo resolveu mais de cinco
problemas, e muitos não resolveram nenhum!
Difíceis mesmo, o bagulho era islâmico, como dizem uns coleguinhas aí no
Brasil! J
Mas sabem qual era o
prêmio? Bolsas pra dois anos de
pós-graduação! E o concurso era
patrocinado por empresas como Phillips 66, Garmin, Cerner, Koch... empresas
grandes, excelentes empregadores em potencial, todas de olho no pessoal que
estava concorrendo.
Isso acontece o tempo todo
aqui, empresas visitando. Na minha sala
de aula já esteve o pessoal da Google!
Eles vem, fazem palestras, conversam com a gente, é contigo conseguir se
destacar e chamar a atenção deles!
Mas se tu não conseguires
chamar a atenção destas grandes empresas, não tem problema, tem duas vezes por
ano a “Career Fair”. Empresas de todos
os portes, de todas as áreas de atuação, vem aqui, montam stands dentro do
estádio de futebol, e os estudantes (todos de terno e gravata, com um bolinho
de curriculuns embaixo do braço) passam dois dias visitando os stands, deixando
curriculum, conversando com os recrutadores.
Eu já fui, a gente tem que fazer estágio, e é normal aqui começar a
procurar estágio quase um ano antes do momento de realmente fazer. Detalhe: o terno que eu usei era doado, eles
fazem uma “feira de doações” na Union (o DCE aqui deles) pra quem não tem
dinheiro pra comprar roupa. Também tem
um setor da Faculdade onde te ajudam a montar o teu curriculum (curriculum americano
é diferente de como se usa no Brasil) e orientam como se portar nas
entrevistas.
2-
O que te motivou a realizar o
intercâmbio?
Pois então, gurias, o fato é que eu trabalho
com TI há 40 anos e só consegui ser Diretor na minha própria empresa! J Eu me considero um profissional bem bom, já
cheguei na ULBRA em 2009 com bastante conhecimento técnico, e de lá pra cá
aprendi bastante sobre os conceitos teóricos da profissão também. Mas sem ser bacharel, ninguém dá bola pras
minhas idéias. Em Desenvolvimento de
Sistemas, os resultados que a maioria das grandes companhias obtém é MUITO
ruim. Sistemas que não funcionam
direito, que não fazem o que deviam fazer, que custam muito mais do que foi
estimado, que precisam de manutenção constante, que são entregues muito depois
do prazo. Claro que tem alguma coisa
MUITO errada com a maneira que elas trabalham!
E eu tenho idéias pra obter resultados melhores! Quero estudar pra poder elaborar, refinar,
definir essas idéias. E quero ter um
status acadêmico porque é a única maneira de ser ouvido.
Meu objetivo quando voltar
ao Brasil é me formar, fazer uma especialização e ser professor – se possível
na boa e velha ULBRA, onde eu estudo. Se
eu puder fazer alguma pesquisa, OK, fico só na Universidade. Senão, quero ser professor tipo 20 horas e
trabalhar com consultoria – Modelagem de Negócios, Análise de Sistemas, Liderança
de Equipes de Desenvolvimento...
Mas uma motivação bem
forte veio das minhas filhinhas. A mais
moça (15 anos) falava em estudar no Exterior, mas tinha medo. Eu resolvi mostrar pra ela que não é nenhum
bicho de sete cabeças, que não precisa ser gênio, é só se aplicar nos
estudos. Nesse momento, no nosso País,
as portas estão abertas pra esse tipo de experiência. A mais velha (30 e poucos) começou uma
faculdade e parou, se formou Técnica em Enfermagem, trabalha com isto. Depois que eu vim pra cá, ela decidiu que vai
voltar pra faculdade! J
Eu vim pra crescer como
profissional, pra expandir o meu mundo.
Mas também pra mostrar pra gurizada toda – filhos, amigos, colegas da
faculdade – que dá pra fazer. Que eles
podem vir também.
3-
O que você estudou
detalhadamente, nos EUA?
Estou
fazendo em 4 “courses” – Introduction to Computing Science, Enterprise
Information Systems, Software Design Project e Programming Technics with Big
Data.
E, como eu já falei pra
vocês, tudo isso é visto em profundidade.
Semestre que vem tenho que
fazer mais 4 courses. A minha carga
horária semanal tem que ser no mínimo 36 horas de estudo, para manter o meu
status de estudante em tempo integral e portanto manter o VISA J-1 que me
permite ficar nos States.
4-
A profissão de programador te
influenciou de algum modo na vida pessoal?
Pôs olhem, gurias, eu digo
muitas vezes que “o ferreiro molda o ferro mas o ferro também molda o
ferreiro”. Sim, a minha profissão me
influenciou, sem dúvida nenhuma! Verdade
que quando eu comecei a trabalhar com programação, em 1975, eu “me achei”,
senti que era feito praquilo mesmo. Mas
sem dúvida a profissão acentuou traços da personalidade e comportamentos. Por exemplo, eu sempre sei quanto dinheiro
tenho no bolso e no banco. Tenho
controles de tudo, anoto os gastos e sei o percentual de tipo de gasto onde uso
meu dinheiro. Estou sempre lendo sobre
eficiência, sobre gerenciamento do tempo. Sou meio obcecado por achar a maneira
mais eficiente de fazer as coisas – qualquer coisa. Isso vai até os meus passatempos, como me
exercitar – me exercito de acordo com planos que eu monto e controlo. Eu também sou um bom dono de casa, cozinho,
lavo, varro – e numa fase em que, por problemas de doença na familia, eu era o
responsável pela casa (trabalhava, estudava e cuidava da casa, até hoje não sei
como fiz isso), eu montei um sistema de gerenciar as compras de mantimentos e
as refeições – eu e minha filha nos reuníamos, montávamos o cardápio pra semana
– planejar pra semana nos permitia ter uma alimentação mais equilibrada – e
íamos ao super não com uma lista de compras, mas com uma lista de pratos que
íamos preparar. Comíamos muito bem,
comida gostosa e saudável, e gastávamos menos que antes de usar o “sistema”! J E como eu tinha o cardápio
da semana toda, algumas coisas eu podia cozinhar no fim de semana e congelar,
depois era só botar no microondas e comer!
Ah, já ia esquecendo de
falar – nessa época eu bolei uma rotina que me permitia arrumar a casa e me
exercitar poupando tempo! Tipo, faz 20
apoios, e enquanto eu recupero o fôlego eu varro metade da sala. Faz 10 barras, e enquanto eu recupero o
fôlego termina de varrer a sala.
Eficiência, gerenciamento do tempo!
Funcionava muito bem! J Ainda faço isso aqui no
apartamento.
Também bolei uma “stand-up
workstation” – ou seja, um jeito de trabalhar de pé, pra aliviar minhas
costas. Custo zero – é só botar umas
caixas de papelão em cima da escrivaninha e botar o laptop em cima! Quando eu trabalhei em home-office,
trabalhava de pé pela manhã e sentado à tarde.
Alivia a coluna e as pernas! Se a
gente não usar a lógica, se guiar pelo “senso comum”, descarta esse tipo de
idéia como “loucura”. Mas se faz sentido
pela lógica, se traz benefícios, pra um programador não importa que pareça
estranho!
5-
Se poder, nos explique empresa
de desenvolvimento de softwares e consultoria.
Bah, meninas, olhem o site
da minha empresa – www.ppai.com.br.
O meu produto principal
são “sistemas customizados”. Sistemas
que atendem um nicho de mercado que não tem “pacotes” prontos – ou para o qual
os “pacotes” não atendem às necessidades dos meus clientes.
Em um negócio “completo”,
em que o cliente compre tudo que eu tenho pra oferecer, a parte de
“consultoria” começa com a Modelagem dos Processos de Negócio. Uso BPMN pra levantar e registrar os
processos como são no momento.
Geralmente esse levantamento resulta em possibilidades de otimização dos
processos. Não estamos ainda falando de
TI, estamos falando de processos de negócio, então a cultura da empresa tem que
ser levada em conta pra qualquer alteração que se cogite. Uma vez que se tenha definidos os processos
de negócios, pode-se pensar em desenvolver um Sistema de Informação que suporte
esses processos. Normalmente faço isso
com diagramas UML – Casos de Uso, Atividades, Estados – para definir lógicamente o sistema. Para os principais Casos de Uso, deve-se
também definir o formato de interface de usuário. Depois se define qual ferramenta vai ser
utilizada. Isso depende do porte do
sistema, de quanto dinheiro o cliente quer gastar, e também da cultura da
empresa. Se os caras só trabalham com
software livre, não vamos querer construir um sistema com Microsoft .Net. O próximo passo é projetar físicamente o
sistema – especificação técnica. Costumo
começar por um diagrama E-R e Diagramas de Classes, talvez Diagramas de
Sequencia.
Durante todo esse
processo, é ESSENCIAL que o cliente esteja envolvido no processo. Quem vai usar o sistema tem que estar sendo
ouvido o tempo todo, os executivos responsáveis pelo projeto tem de dar e
receber feedback constante. Sem o
envolvimento dos usuários não há sistema que funcione!
E temos que aceitar a
verdade que a Metodologia Ágil prega – “não é possível levantar TODOS os
requisitos”. Temos que aceitar
isso. Não dá pra esperar saber TUDO
sobre o sistema antes de começar a produzir software. É preciso conviver com alguma incerteza. Quanta incerteza? Bom, aí entra, eu acho, o feeling do
profissional experiente, que consegue se inteirar de tudo que é importante, de
tudo que é relevante para a arquitetura da solução a ser construída, e deixar
para depois os detalhes que não afetam a arquitetura, que são só questão de
detalhamento de recursos do sistema.
Além da documentação,
pode-se ao mesmo tempo construir protótipos da aplicação. Eu gosto muito do MS-Access pra isso. Pode-se construir todo o banco de dados – e
migrar tudo depois pra Oracle ou SQL Server com a maior facilidade, pode-se
criar um interface de usuário funcional, para que os clientes experimentem,
analisem e sugiram melhoramentos... Os
clientes entendem muito melhor um protótipo do que qualquer documentação.
Feito isso... é começar os
Sprints! Definir o sprint backlog,
construir, testar, homologar, colocar em produção. O ideal é de 15 em 15 dias entregar novos
componentes de software funcionando.
Bom, isso é a parte
técnica. E quanto ao dinheiro? Bom, meninas, se eu fosse bom no
gerenciamento financeiro, eu estaria rico! J Mas o ideal, o que eu faço
com os clientes que me conhecem, é dar uma estimativa geral das horas-homem que
o projeto vai tomar, dar um preço por hora-homem, e – aprovado isso – tocar o
barco.
Quando o cliente não me
conhece, geralmente ele não topa o esquema horas-homem. Daí eu coloco um valor pra cada tela e um
valor pra cada relatório. À medida que o
sistema vai ganhando mais telas e mais relatórios, eu acrescento um “percentual
de complexidade” em em cima dos valores – porque eu presumo que “embaixo” de
muitas telas e muitos relatórios vai haver um mecanismo cada vez mais complexo
pra fazer eles funcionarem harmonicamente.
Assim, se o cliente decidir que não quer mais um relatório, ou que quer
uma tela a mais, a gente não tem que renegociar nada – o preço foi definido em
relação ao número de objetos que eu vou construir.
Se a gente não usar a
metodologia “cascata” – e ninguém mais usa isso hoje em dia – esse é o único
jeito de trabalhar.
6-
Como é trabalhar com
programação nos dias de hoje?
Olha, a base é como sempre
foi. O principal fundamento é lógica de
programação, dominar algoritmos. Tem que
entender e dominar o paradigma das linguagens de programação que usa –
procedurais, orientadas a objeto, funcionais...
Tem gente que fala que pra começar a usar uma nova linguagem é muito
fácil, é só aprender a sintaxe. Pode ser
e pode não ser. É só aprender a sintaxe
quando a gente já conhece o paradigma da nova linguagem. Tipo, se eu sei Basic, aprender Python é
muito fácil. Mas pra quem trabalha com
ASP “clássico”, aprender Java não é só aprender sintaxe, tem que aprender a
Orientação a Objetos! E pra aprender a
usar – corretamente – Java Script, tem que entender o paradigma de uma
linguagem orientada a funções!
Essas diferenças eu acho
que são muito subestimadas nos dias de hoje.
Tem muita gente programando em meia-dúzia de linguagens, e não sabendo
nenhuma a fundo. SQL, então, é muito mal
usado, vejo esquemas de bancos de dados que não seguem as formas normais, a
rigor nem são bancos de dados, são “amontoados de tabelas”. E as consultas então... Funcionam, funcionam enquanto tem meia dúzia
de usuários acessando teu web site, mas não tem performance, não tem
escalabilidade... Bota cem criaturas
penduradas no teu site e tu vais ter um “denial of service”!
Nesse ponto eu sou
conservador, acho que tem que respeitar as ferramentas, se dedicar a aprender
bem algumas, e não tentar usar toda novidade que aparece. Se tem necessidade, se vai permitir fazer
alguma coisa que a ferramenta atual não oferece, OK, vamos pegar a
novidade. Senão, melhor se aprofundar no
que está usando, pra usar cada vez melhor.
7-
Como ter sucesso na sua
profissão?
O que é sucesso? Acho que varia de pessoa pra pessoa. O meu
sucesso é resolver os problemas dos meus clientes. É chegar numa empresa onde todo mundo está
stressado, preocupado, e quando eu termino o meu trabalho está todo mundo contente. E, claro, conseguir ganhar a minha vida com
isso. Eu tenho a maior satisfação no
fato de ter um bom relacionamento com todos os meus ex-funcionários e todos os
meus ex-clientes. Isso é essencial pra
mim. Fazer negócios que sejam bons pra
todos os envolvidos; eu e minha equipe levamos pra casa o dinheirinho do leite
das crianças, dividido entre nós numa base justa, e os clientes tem seus
problemas resolvidos.
Sucesso pra mim também é
ser técnicamente competente e não parar de aprender nunca. E fazer isso em grupo, em colaboração com
colegas, aprender juntos, forjar laços, ajudar uns aos outros.
Finalmente – ter boa
reputação no mercado, pra poder escolher meus clientes. Não trabalhar pra companhias de cigarros, ou
bebidas alcoólicas, ou junk food, por exemplo.
Porque eu não apóio essas coisas, não quero trabalhar pra favorecer uma
coisa que eu não apóio.
8-
Se não for muito pessoal, qual
o salário de um programador nos dias de hoje?
Bah, gurias, varia muito. Tem uns caras-de-pau querendo contratar
programador qualificado por 1500 reais. Não sei bem porque, mas me parece que o
pessoal do PHP tá mais exposto a essa exploração. Não tem sentido, porque a ferramenta é boa!
Eu acredito que esse tipo
de exploração tem que ser boicotado, que a gente tem que buscar alternativas,
se organizar em cooperativas, trabalhar como autônomo, evitar ao máximo aceitar
esses empregos. Não nos qualificamos pra
ficar ganhando salário de fome, ficar usando a nossa capacidade pra encher o
bolso de sanguessugas!
Felizmente o normal é bem
acima disso. As melhores empresas pagam
mais de 4000. Creio que se tu tiveres
algum tempo de casa numa Dell ou HP da vida, isso dobra ou quase dobra. Meu último emprego como Consultor dava 6000
por mês. Mas eu sei que isso era acima
da média do mercado.
Eu “acho” que essa média
hoje seria... entre 3 e 4 mil reais pra
desenvolvedores bons em Java ou em C#.
9-
O que fez o senhor se
interessar por programação?
Bom, essa história eu
conto num dos posts do meu blog. Vejam
lá. Eu era guri, 18 anos, operador de
máquina de contabilidade, e acabei sendo contratado por uma empresa de
processamento de dados.
10-
Como foi o seu primeiro contato
com a programação?
Olha, com “programação” em
geral acho que foi nas máquinas de contabilidade mesmo. Era uma programação muito primitiva, uma coisa
física, a gente trocava partes mecânicas da máquina pra alterar o lugar onde o
débito, o crédito e o saldo eram impressos nos nossos livros fiscais. Quando eu passei a trabalhar com computação
mesmo, num Centro de Processamento de Dados, eu fazia uma programação mais
avançada nas máquinas que gravavam os diskettes com os dados de entrada dos
sistemas. A gente tinha que ter
conhecimento da organização física do disco, trilhas, setores, pra poder
preparar a informação.
E nesta mesma empresa o
pessoal achou que eu tinha jeito pra coisa, fiz um curso de programação COBOL
ministrado pela empresa com apoio da IBM, virei estagiário de
programação... e não parei mais, desde
1975!
11-
Como foi a sua trajetória de
estudos, para chegar onde chegou e ser um programador reconhecido?
Olha, o meu primeiro curso
foi COBOL, curso interno, da empresa. Eu
tinha Ensino Médio, comecei a trabalhar muito cedo, com 15 anos, na época nem
existia faculdade de Computação, os que tinham bacharelado eram engenheiros,
administradores, matemáticos... E eu
aprendi a programar e fui burro o bastante pra pensar que não precisava de
faculdade. Quando me dei conta do meu
erro, já tinha família pra sustentar; estudar significaria privar-me e privar a
familia de vários confortos. Fiz a escolha
errada.
Fui autodidata por 30
anos. Depois do COBOL, aprendi FORTRAN
IV – esse eu fiz curso também. Basic eu
aprendi sozinho. dBase III e Clipper,
também aprendi sozinho. Depois paguei as
contas por muito tempo usando MS-Access com Visual Basic for Applications, que
também aprendi sozinho. Aí foi a vez de
aprender Oracle e MS-SQL Server – também autodidata. Chegou a hora do .Net – primeiro VB.Net,
depois C#. Fiz curso de .Net na Sisnema
e tenho Certificação Microsoft, mas quando eu fui fazer o curso eu já
trabalhava com .Net há um bom tempo – eu mesmo me ensinei. Esse foi sofrido. Virei noites em claro. Porque tinha mudado o paradigma, né gurias,
.Net é orientado a objeto! Comecei no
.Net fazendo aplicações pra Desktop, depois aprendi a usar .Net para aplicações
Web – aprendi dando manutenção pra uma aplicação Web!
Mas é como eu disse, eu
cansei de ser “o cara que aprendeu na prática”.
Sei que as minhas opiniões vão ser muito mais levadas em conta, vou ser
muito mais valorizado, se eu tiver graus acadêmicos pra garantir a minha
proficiência. E é justo que assim seja, porque a faculdade
está me ensinando muito!
Em 2008 eu... “hibernei” a
minha empresa e voltei a trabalhar como empregado. Isso me deu tempo pra, em 2009, começar o
bacharelado em Sistemas de Informação.
Mais um ano, no máximo, depois que voltar ao Brasil, e eu me formo.
E eu sempre digo pros mais
jovens – não façam como eu fiz, estudar depois de velho não é a melhor coisa, a
minha vida foi – e é – cheia de coisas boas, mas teria sido melhor se eu
tivesse priorizado os estudos na época certa!
Mas eu ainda estou em
marcha, meninas... Ainda estou em marcha! J
Desde
já, agradecemos pela sua colaboração!
Atenciosamente,
Eduarda e Gabrielli .
Gurias, se quiserem saber um pouco mais das coisas que
eu tenho feito, olhem a lista dos meus sites no Google. Está em https://sites.google.com/site/pedropereirasites/
. Lá tem links pra um site sobre .Net
que eu montei quando era instrutor no SENAC, pra um site de “temas pra casa”
que eu montei a partir do que cursei na ULBRA... Tem até um “tema de
matemática” que eu ajudei minha filhinha a fazer e coloquei num site! J
Tem também um artigo que a ULBRA publicou sobre a
minha vinda...
Claro, tem meu Linkedin - https://www.linkedin.com/profile/view?id=12467358
.
Acho que ver meu Linkedin vai esclarecer vocês
bastante!
E o site da minha empresa - http://www.ppai.com.br/ .
Vocês podem olhar também essas coisinhas que eu postei
no meu blog (não é um blog pessoal, é um blog de “tema pra casa”, coisa que tem
muito muito MUITO aqui):
Personal biography - http://pedropereiraksucis115.blogspot.com/2014_08_01_archive.html
Trecho: “I
shall also say that after 30 years working with Software Development, I started
a major in Information Systems at ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) in
2009. I´m in United States for one year
to attend some courses related with my major and then I´ll be back to Brazil to
graduate.”
Computer systems in daily life - http://pedropereiraksucis115.blogspot.com/2014/09/computer-systems-in-daily-life-this-is.html
Trecho: “Or we
could think of office applications. When
I was young, I was a very good typist.
My first job (I was 14 or 15 years old) was in a public notary office,
and we notary officers were known as top-level typists. As a matter of fact, we had to restrain our
speed to avoid “cramming” the types of our mechanical typewriters! But now I don’t know if I’d be able to type a
letter using a typewriter – so used I am to be able to correct mistakes,
re-organize sentences and even the whole text, and all the other resources that
text editors made available!
SKYPE
But, as an International Student, I think that an application which
started as a “Voice over Internet Protocol using a Peer-to-Peer Communication
Network” tool, around 2003, is the technology that I must focus in this
article. Yes, I use it to do
business. Yes, I use it to academic
activities. And, above it all, it allows
me to be with my family. I can not just
type messages, not just talk with them, I can see them. We can kind of “visit” each other, like one
of these days when I just put my laptop, with the webcam turned on, in the
kitchen and kept chatting with my daughter while cooking my dinner. Or we can just let the connection open, the
webcams turned on, and do our different stuffs, from time to time commenting
anything that comes to our heads, feeling as we were together, in the same
room. No, it doesn’t “heals”
homesickness, but surely is a lot better than a phone call, or just a letter
each week.
I really must be grateful to Janus Friis (he is from Denmark and,
coincidentally, I have relatives in Denmark and do use Skype to talk to them!)
and Niklas Zennström (Sweden), who, in collaboration with the founders of Kazaa
(a peer-to-peer file sharing application), created Skype! The name of the project derives from the
words “sky” and “peer”.”
How has the Internet Changed my Life - http://pedropereiraksucis115.blogspot.com/2014/10/how-has-internet-changed-my-life.html
Trecho: “That’s
an interesting question, since I’m old, and I’ve lived in a world not just
without Internet, but without personal computers!
Well, I´ve lived in a world without computers, period! J
My first contact with computers was around 1972. I worked in the accounting department of a
large chain of stores in Brazil, and we in the Pelotas (a city near the State´s
capital) branch received some reports – inventory position, sales summaries,
etc. – from the headquarters in Rio de Janeiro.
“These reports were printed by a computer, ooooh!” But I had never seen a computer – neither
none of my colleagues, I think.
Then in 1975 a new company was established in Pelotas (check the map
below, or at Google -
https://www.google.com/maps/place/Pelotas+-+RS,+Brazil/@-5.6312841,-102.7326842,3z/data=!4m2!3m1!1s0x95104991ad796447:0x99bab4aec1bd644f
), and it brought an “electronic brain” to the city! And since accounting machines were the stuff
most similar to computers in town, I have been hired. I was 19, with no formal training in
computing, none at all. I attended an
in-house COBOL programming course and became an intern programmer.”
Bom, gurias, se tiverem tempo leiam esse post todo. Creio que pode ser bem proveitoso. Eu conto histórias lá de 1975, quando comecei
a trabalhar com programação, e também coisas do ano passado e retrasado, quando
trabalhei remoto, em home-office, pra uma companhia americana.
Vocês também podem dar uma olhada no meu Face - https://www.facebook.com/pedrofrancisco.pereira
.
Eu conto muito da minha vida aqui nos meus posts.
Tem muita coisa lá de fotinho, de neve, de frio... Até fotinho do meu quarto tem! Muitos dos guris vão pra dormitório, mas eu
tive sorte e reparto apartamento com mais três estudantes, dormimos em beliches. Tem fotinho da comidinha brasileira que eu
faço de vez em quando, do meu primeiro (e único, até agora) jogo de futebol
americano (eles ficam bem loucos com isso!)...
Também tem muita partilha dos meus sentimentos, que as
circunstâncias aqui seguidamente tornam muito intensos...
E também tem coisas da vida acadêmica.
Acho que se browsearem lá vão achar alguma coisa útil
– e talvez até se divirtam um pouco!
Por exemplo, esse, do dia 14 de novembro:
Em casa. Estudando, ouvindo música, fazendo uns exerciciozinhos de tempos em tempos pra não ficar sonolento. Feijão e arroz no fogo, não quero gastar tempo indo no refeitório. Mas uso algum tempo pensando, não só nos estudos, na vida em geral. Eu tive uma percepção que o fato de ter assistido filme - em casa, como "diversão" - pela primeira vez aqui, sexta passada, tinha um significado. E hoje comecei a entender esse significado. Primeiro, o contexto: eu vi o meu primeiro filme no computador depois de passar algumas horas chafurdando em saudade, ouvindo a trilha sonora de um filme que eu vi com meu bebezinho Ana Valéria quando ela era pequena, chorando até ficar cansado e com os olhos inchados como se tivesse levado um soco bem dado em cada um. Parece que foi preciso isso pra que eu aceitasse que por agora não posso fazer nada a respeito dessa saudade, dessa distãncia, a não ser aceitar. Só por hoje, tudo que eu posso fazer é aceitar. Tive essa percepção antes mesmo de ter consciência disso. E assisti "Lone Ranger". Hoje, bem confortável aqui no apartamento, sozinho, ouvindo música alto, cozinhando, estudando com calma e sem stress, estou tendo um bom dia. E percebi a minha resistência em ter um bom dia! Comecei a entender aqueles imigrantes que só falam a lingua do pais natal em casa - como muitos dos imigrantes alemâes, italianos e japoneses fizeram no Brasil, como os latinos fazem aqui. Ou "acho" que comecei a entender. No meu caso, sinto culpa! Eu me sinto culpado quando aprecio as coisas boas daqui! Como se eu estivesse traindo o Brasil, como se eu estivesse traindo os laços com as pessoas que eu amo! Mas estou despertando pra realidade que apreciar um lugar não significa - de forma nenhuma - deixar de amar outro. Fazer novos amigos não significa esquecer os antigos. Sim, eu percebo o dilema - daqui por diante, onde quer que eu esteja, estarei sentindo saudade de alguém. Mas isso não quer dizer que "caí numa armadilha", que tenho uma carga a suportar. Quer dizer sim que a vida está me dando uma grande dádiva, a riqueza de carregar no meu coração amigos e lembranças de várias partes do mundo! Se a saudade é o preço, eu o pago de boa-vontade. E agradeço!
Eu resolvi o meu problema de me sentir culpado por estar me adaptando aqui, por estar apreciando a vida aqui? Ainda não. Sinto que não é só culpa, é medo. Quando aprecio a vida aqui, em algum lugar do meu coração sinto um medo terrível de me afastar dos meus bebês queridos. E a primeira reação é me voltar pro meu mundo interior, onde estou bem próximo dos meus bebezinhos, e virar as costas ao mundo real que está me rodeando. Mas essa não é a solução! Porque eu estou aqui, afinal? Não é pra mostrar aos bebês - e aos meus colegas de faculdade, a todos os jovens brasileiros, em certa medida - que a vida pode ser mais ampla do que imaginávamos? Que, ao menos só por hoje, neste momento da história do mundo e do nosso país - os portões do mundo estão abertos para nós, mesmo que não sejamos pessoas ricas? Então! Eu não estou aqui pra sofrer! Eu estou aqui pra correr atrás dos meus objetivos - e pra viver! Me adaptar, conhecer, fazer novos amigos! A minha mensagem não precisa ser, não deve ser "se vocês estiverem dispostos a sofrer muito, vocês podem estudar no exterior!". Eu quero que seja "Vocês podem estudar no exterior, vão enfrentar muitos desafios, mas vale a pena, porque vão aprender muito, vão crescer como profissionais e como pessoas, vão ter muitas alegrias!"
Então, queridos, eu renovo minha disposição e minha vontade de me adaptar aqui, de viver bem aqui, conhecer novas pessoas, sentir afeição por muitas delas - em duas palavras, ter sucesso e ser feliz. Eu sei que é isso que vocês meus amores aí no Brasil querem pra mim também. Ficar bem aqui não é traição, não é me afastar de vocês - é ser fiel a vocês.
Amo meu país, amo meus bebezinhos queridos, e é esse amor que vai me manter na direção certa - buscar o sucesso e a felicidade aqui, como faria no Brasil, como farei no Brasil quando voltar.
Obrigado por me ouvir, obrigado por estar comigo! Beijos!
Em casa. Estudando, ouvindo música, fazendo uns exerciciozinhos de tempos em tempos pra não ficar sonolento. Feijão e arroz no fogo, não quero gastar tempo indo no refeitório. Mas uso algum tempo pensando, não só nos estudos, na vida em geral. Eu tive uma percepção que o fato de ter assistido filme - em casa, como "diversão" - pela primeira vez aqui, sexta passada, tinha um significado. E hoje comecei a entender esse significado. Primeiro, o contexto: eu vi o meu primeiro filme no computador depois de passar algumas horas chafurdando em saudade, ouvindo a trilha sonora de um filme que eu vi com meu bebezinho Ana Valéria quando ela era pequena, chorando até ficar cansado e com os olhos inchados como se tivesse levado um soco bem dado em cada um. Parece que foi preciso isso pra que eu aceitasse que por agora não posso fazer nada a respeito dessa saudade, dessa distãncia, a não ser aceitar. Só por hoje, tudo que eu posso fazer é aceitar. Tive essa percepção antes mesmo de ter consciência disso. E assisti "Lone Ranger". Hoje, bem confortável aqui no apartamento, sozinho, ouvindo música alto, cozinhando, estudando com calma e sem stress, estou tendo um bom dia. E percebi a minha resistência em ter um bom dia! Comecei a entender aqueles imigrantes que só falam a lingua do pais natal em casa - como muitos dos imigrantes alemâes, italianos e japoneses fizeram no Brasil, como os latinos fazem aqui. Ou "acho" que comecei a entender. No meu caso, sinto culpa! Eu me sinto culpado quando aprecio as coisas boas daqui! Como se eu estivesse traindo o Brasil, como se eu estivesse traindo os laços com as pessoas que eu amo! Mas estou despertando pra realidade que apreciar um lugar não significa - de forma nenhuma - deixar de amar outro. Fazer novos amigos não significa esquecer os antigos. Sim, eu percebo o dilema - daqui por diante, onde quer que eu esteja, estarei sentindo saudade de alguém. Mas isso não quer dizer que "caí numa armadilha", que tenho uma carga a suportar. Quer dizer sim que a vida está me dando uma grande dádiva, a riqueza de carregar no meu coração amigos e lembranças de várias partes do mundo! Se a saudade é o preço, eu o pago de boa-vontade. E agradeço!
Eu resolvi o meu problema de me sentir culpado por estar me adaptando aqui, por estar apreciando a vida aqui? Ainda não. Sinto que não é só culpa, é medo. Quando aprecio a vida aqui, em algum lugar do meu coração sinto um medo terrível de me afastar dos meus bebês queridos. E a primeira reação é me voltar pro meu mundo interior, onde estou bem próximo dos meus bebezinhos, e virar as costas ao mundo real que está me rodeando. Mas essa não é a solução! Porque eu estou aqui, afinal? Não é pra mostrar aos bebês - e aos meus colegas de faculdade, a todos os jovens brasileiros, em certa medida - que a vida pode ser mais ampla do que imaginávamos? Que, ao menos só por hoje, neste momento da história do mundo e do nosso país - os portões do mundo estão abertos para nós, mesmo que não sejamos pessoas ricas? Então! Eu não estou aqui pra sofrer! Eu estou aqui pra correr atrás dos meus objetivos - e pra viver! Me adaptar, conhecer, fazer novos amigos! A minha mensagem não precisa ser, não deve ser "se vocês estiverem dispostos a sofrer muito, vocês podem estudar no exterior!". Eu quero que seja "Vocês podem estudar no exterior, vão enfrentar muitos desafios, mas vale a pena, porque vão aprender muito, vão crescer como profissionais e como pessoas, vão ter muitas alegrias!"
Então, queridos, eu renovo minha disposição e minha vontade de me adaptar aqui, de viver bem aqui, conhecer novas pessoas, sentir afeição por muitas delas - em duas palavras, ter sucesso e ser feliz. Eu sei que é isso que vocês meus amores aí no Brasil querem pra mim também. Ficar bem aqui não é traição, não é me afastar de vocês - é ser fiel a vocês.
Amo meu país, amo meus bebezinhos queridos, e é esse amor que vai me manter na direção certa - buscar o sucesso e a felicidade aqui, como faria no Brasil, como farei no Brasil quando voltar.
Obrigado por me ouvir, obrigado por estar comigo! Beijos!
Talvez gostem de um do
dia 31 de outubro...
Resultado de meia hora na cama, viajando, naquele estado de
"não sei se já acordei ou ainda estou dormindo": levantei e fiz os
rabiscos abaixo. Que resumem uma idéia de como construir uma solução heurística
e recursiva para um problema proposto: encontrar uma rota de múltiplas (número
indeterminado) de conexões entre aeroportos sem voos diretos. Interessante
principalmente por ser um tema relacionado ao clássico "Problema do
Caixeiro Viajante".
A “Palestra do Tempo”,
no dia 23 de outubro, foi divertida também!
Ah, no dia 16 de
outubro eu faço um comentário sobre uma aula e incluo um link sobre um site que
eu criei há um bom tempo atrás, quando eu era instrutor no SENAC!
11 de agosto eu tava
pegando as malas... Cheguei aqui dia 13.
Partilhei no Face alguma coisa das minhas impressões...
Charqueadas, Novembro
de 2014.
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