Monday, October 19, 2015

Dia da Matrícula... da Marianinha Queiroz! :-)

A Mariana leu o meu post aqui no blog, e respondeu partilhando sobre o dia da matrícula dela!
Achei tri, pedi licença pra ela pra colocar aqui... e aqui está!
Obrigado, Mariana!

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Pedro, desculpa o tamanho da minha redação, mas vamos lá.
Interessante que eu estava lendo o seu relato e em alguns momentos senti como se fosse eu falando, rsrs. Esse dia de matrículas foi de certa forma impactante, lembro que passei por ele duas veze
s, embora tenha estudado 3 semestres na KSU. O primeiro foi quando cheguei para fazer o curso de inglês, teve aquela semana de orientação, teste de nivelamento e depois fiz a matrícula. O segundo foi desse jeitinho que vc falou, tinha várias pessoas realizando a matrícula, íamos lá com nossas sugestões e eles analisavam e nos aconselhavam pegar aquelas disciplinas que queríamos ou não. Porém, a matrícula que me marcou mais foi quando eu já estava em arq - cursando o finalzinho do spring - e a coordenadora do curso foi ao Studio com uma pasta com os dados de todos os alunos e pediu para conversar individualmente com cada um. Ela queria saber como estavam sendo as disciplinas daquele semestre, olhou as nossas notas, perguntou pq ainda não constava a nota de uma disciplina e disse que iria conversar com o professor. Perguntou se eu tinha alguma reclamação ou elogio a fazer e por último, começamos a escolher as disciplinas para o Fall. Interessante que eu queria pegar uma disciplina de outra major e esta precisava de autorização especial, Rebecca - a coordenadora - ligou para a coordenadora da outra major e conseguiu a autorização. Mas para minha surpresa, o que achei incrível veio depois. Eu estava em dúvida se pegava o Studio de um ano ou do outro, então ela marcou para mim um horário na sala dela e convidou um dos professores que coordenava os Studios de arq para conversar comigo, explicar cada um deles e saber quais as minhas expectativas, para só assim decidirmos qual studio eu pegaria.
Confesso que só com minha primeira semana na KSU já fiquei surpresa. Esse espírito de família, nossa, como sinto saudade disso. Não consegui criar em anos estudando com uma turma aqui no Brasil um vínculo tão forte quanto o que criei com a minha turma da K-State.
Saudade desse amor pela universidade, orgulho em dizer que fazemos parte dela, orgulho em vestir a camisa púrpura e falar que somos Wildcats. Como era bom poder enviar um email para o professor pedindo para conversar com ele no domingo as 10h da manhã e ele ir ao Studio - sim, ao studio, pois certamente ele estaria na universidade - para tirar nossas dúvidas.
E para finalizar, obrigada por compartilhar o seu texto, sempre gostei de ler as suas impressões e experiências e desculpa acabar escrevendo aqui sobre a minha. Rsrsrs Mas decidi compartilhar contigo um pouquinho.
Espero que esteja muito feliz já que está em casa novamente.
Super abraço!!!


Friday, October 09, 2015

DIA DA MATRÍCULA NA KSU - 22 de Agosto de 2014

DIA DA MATRÍCULA
Eu achei estas anotações, perdidas, e vi que não estavam no blog.  Provávelmente eu postei no Face.  Mas isso não pode ficar fora deste blog, e portanto aqui está!

Sexta-feira, 22 de Agosto, foi o dia da matrícula aqui na Kansas State University, para todos os estudantes estrangeiros e para muitos americanos também.  
Pelo que eu entendi, era o dia da matrícula dos “freshmen”, os calouros.
Muitas coisas chamaram a minha atenção, e eu resolvi escrever este pequeno texto para partilhá-las.  Afinal, estou aqui para aprender e partilhar o conhecimento, e isso não apenas no que se refere a conteúdo acadêmico mas  também quanto à cultura americana.

Um dia especial para a matrícula.  Nada de entrar no site da faculdade e se matricular, nada de “semana de matrículas” onde cada um por si vai na secretaria e se matricula.  E porque fazem assim?  Porque “se matricular” não é simplesmente escolher uma lista de disciplinas.  É ser apresentado ao “espírito da faculdade”.  E “ser um aluno” não é simplesmente assistir aulas, é participar de uma comunidade! 
Após um check-in, fomos todos para um auditório.  E ali passamos mais de duas horas assistindo a palestras e vídeos.  Falou o vice-reitor, falaram coordenadores de áreas de estudo, falaram representantes dos estudantes, falou até o representante da torcida organizada dos times da faculdade! 
Pra vocês terem uma idéia do envolvimento deles com a KSU:  a cor da KSU é púrpura, e o carro do vice-reitor é púrpura!  Aliás, eu o reconheci quando ele veio ao palco – na semana passada, eu estava andando pelo campus com um mapa na mão, e ele parou o tal carro púrpura para perguntar se eu precisava de ajuda!
Quando saímos do auditório e fomos efetivar a matrícula, cada um dos candidatos teve uma reunião com um professor orientador.  Haviam dois ou três para cada área – Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Ciências da Computação, Sistemas de Informação, etc.  Eles revisavam o curriculum da high school de cada calouro – e da universidade anterior se era transferência – e sugeriam matérias (“courses”, eles chamam aqui o que nós chamamos de “cadeiras” ou “disciplinas” na ULBRA – o que causa certa confusão ao ouvir pela primeira vez).  Cada aluno tinha toda a liberdade de argumentar e pedir alternativas. 
Feita a matrícula, cada um saindo com sua grade horários na mão, fomos todos a um almoço de boas-vindas.  E, vejam só – durante o almoço o gerente do refeitório também fez uma palestra, dizendo como eles trabalhavam, dizendo que se esforçavam para nos servir comida saudável e saborosa, e que se punha à disposição para reclamações e sugestões.  Que se alguém tivesse alguma receita nova, principalmente os estrangeiros, ele teria o maior prazer em tentar preparar!

Uma coisa que me chamou a atenção aqui é que os “funcionários de nível superior” realmente “botam a mão na massa”!  A pessoa que está arrumando a mesa para uma palestra pode ser uma vice-reitora; quem vem falar contigo quando a recepcionista pede ajuda com uma dúvida pode ser a Coordenadora de Relações Internacionais.  A impressão que eu tive é que a divisão de tarefas entre “subalternos” e “chefes” é muito mais fluida do que no Brasil!

Me deixem tentar passar a essência da impressão que eu tive apresentando a vocês alguns “lemas” que eu pincei das diversas palestras que assistimos.


GET INVOLVED!  IT´S FAMILY!
Isso nos foi dito vezes e vezes sem conta!  “A KSU é a sua nova família!”  Envolvam-se, desenvolvam relacionamentos, criem vínculos!  Sua época aqui vai marcar a Universidade e vai marcar as suas vidas pra sempre!
“Nós estamos aqui para ajudar.  O custo da educação nos Estados Unidos é alto, mais alto do que nos outros países.  Mas isto tem um retorno:  os professores tem tempo para estar à disposição, de vocês, para ajudar todos a ter sucesso.  Os estudantes veteranos também estarão à sua disposição para ajudar – vocês vão ter “tutores”, que podem inclusive assistir á aula com vocês e ajudar nas dificuldades específicas que estiverem enfrentando.  O interesse de todos aqui é que todos tenham sucesso.  It´s family!”

IT´S UP TO YOU!
Essa é outra nota tônica!  Ficou claro que ter um bom desempenho acadêmico é responsabilidade do estudante, é nossa responsabilidade.  Todos estarão à disposição para ajudar, mas cada um tem de ser proativo, trabalhar duro, pedir ajuda quando necessário. 
Os professores esperam que cada aluno trabalhe, por sua conta, no mínimo duas horas para cada hora em sala de aula – em algumas disciplinas, três horas de trabalho “de casa” para cada hora em sala de aula.  Ninguém vai fiscalizar;  simplesmente quem não fizer isso não vai ter a menor possibilidade de sucesso acadêmico.
Isso pra nem falar na frequencia às aulas e na pontualidade.  Sabem aquele esqueminha de não ir à primeira aula do ano, coisa que às vezes a gente faz no Brasil, “porque o professor só vai explicar o conteúdo da disciplina e passar o cronograma, e isso já está no Moodle mesmo”?  Pois então, neguinho, te atrasa DOIS MINUTOS pra primeira aula aqui, e o professor já pode ter te “dropado”, te excluído da lista de alunos, e dado a tua vaga pra outro!  Tem que se apresentar pro jogo, senão já era!
E já nos avisaram que as aulas são essencialmente participativas, que muito poucas vezes “assistir aula” vai se limitar a ouvir explanações do professor!

CAT COMMUNITIES – DON´T “OVER SPECIALIZE”
Quanto a isto, primeiro um pouco de contexto:  um estudante de graduação (“undergraduate”, eles dizem aqui, o que também causa um bocado de confusão, no início, aos brasileiros) se gradua em um “major” – ou seja, no que chamamos no Brasil um “curso superior” ou “bacharelado”.  Mas pode também já sair do bacharelado com uma especialização, ou “minor”.  Por exemplo, um bacharel em Sistemas de Informação com uma especialização em Administração.  Mas – e aí há uma grande diferença em relação ao Brasil – a “minor” não precisa ser relacionada à área da “major”!  Tanto quanto eu entendi, um Analista de Sistemas pode perfeitamente cursar as cadeiras necessárias para ter um “minor” em História, por exemplo!
Eles acreditam que isso evita “super-especialização”, que forma pessoas capazes de ter uma visão de mundo mais abrangente e – igualmente importante – de entender pessoas de outras áreas!
“Cat Communities” são grupos de estudantes que se encontram em salas de aula e grupos de estudo que não pertencem – e muitas vezes não tem a menor conexão aparente – com a área de estudos do seu “major” (da sua graduação).   Não é raro ver, por exemplo, um estudante de Engenharia fazendo um curso de Psicologia.  Ou um estudante de Literatura fazendo um curso de Matemática.   Ou músicos fazendo Matemática e vice-versa.  E muitas outras “variações” que seriam vistas como muito estranhas no Brasil – se chegassem a ocorrer. 

IT´S NOT JUST ABOUT GRADES
“Ter bom desempenho acadêmico”, aqui, foi-nos deixado claro, não se resume a ter boas notas.  É preciso participar da vida da comunidade universitária.  Pode ser como atleta, como tutor de calouros, como membro de um dos vários clubes de estudos – mas é preciso mostrar que se é capaz de desenvolver relacionamentos produtivos, de contribuir para o grupo, de trabalhar harmonicamente com todos os tipos de pessoas, de conviver com opostos. 
Porque eles acreditam nos valores humanos da tolerância e da boa-vontade?  Sim, mas também porque é isso que teremos de fazer na vida profissional, e é isso que as empresas, os futuros empregadores, vão procurar – pessoas capazes de trabalhar eficazmente, harmonicamente, em equipe!  O curriculum acadêmico tem que mostrar isso, ou a colocação no mercado vai ficar mais difícil!


CARA, ELES SENTEM AMOR POR ESTE LUGAR, E SE ORGULHAM DE PERTENCER A ESTA UNIVERSIDADE!
Isso foi uma coisa que eu senti de maneira muito forte, e me impressionou!
O amor que os professores, os estudantes veteranos, os ex-alunos, sentem pela KSU é uma coisa que salta aos olhos, que impressiona, que emociona!  O entusiasmo com que eles se empenham em promover o sucesso da Universidade, seja nos esportes, seja em atividades acadêmicas, é uma coisa para a qual eu – infelizmente – quase que só vejo paralelo no Brasil no alienante, estúpido e improdutivo fanatismo das torcidas de futebol!  Ah, se ao menos “torcêssemos”  no Brasil pelas nossas Universidades como torcemos pelos clubes de futebol...  Mas há outra comparação que me ocorre, menos amarga felizmente – a dos ex-militares!  Pode-se dizer que o companheirismo, o vínculo que persiste pela vida afora e a forte ligação com a sua unidade que eu vejo nos colegas que serviram o Exército é semelhante à relação que eles mostram com a Universidade aqui.
O orgulho que eles tem pelos sucessos da Universidade!  Não importa a área; os estudantes das Exatas celebram uma premiação da Agronomia, por exemplo, da forma como se festeja o sucesso de um parente – não um irmão, um primo talvez, mas um primo de quem gostamos muito!
“It´s family!”

SÃO SÓ PRIMEIRAS IMPRESSÕES, EU SEI!
Pessoal, eu sei que são só primeiras impressões, e que podem mudar, quase certamente vão mudar!
Mas eu quis escrever exatamente assim, ainda sob o efeito deste primeiro impacto.
Partilhar com vocês as impressões do meu “olhar virgem”.
Veremos o que nos aguarda!

Abraço saudoso a todos vocês, caros colegas, caros professores!
Termino com o lema que está na entrada da biblioteca daqui, e cujo espírito eu acredito que nos une:

“LET THE LOVE OF LEARNING RULE HUMANITY!”

Saturday, September 12, 2015

ABAIXO O GOVERNO FEDERAL! AUTONOMIA PARA OS ESTADOS!

ABAIXO O GOVERNO FEDERAL! AUTONOMIA PARA OS ESTADOS!
O PROBLEMA: O maior problema do Brasil é o Govêrno brasileiro. Seja no papel de opressor, explorador, corrupto ou "apenas" incompetente, a atuação governamental raramente proporcionou algum bem para o país, em nenhuma época, em nenhuma instância. Quase todo o tempo, causou muito mal.
UMA SAÍDA UTÓPICA: O ideal seria nos livrarmos do Governo. Na anarquia nós já vivemos. Poderíamos muito bem ao menos não pagar por instituições que só existem num mundo de fantasia - ilusão que pagamos muito caro para manter. Infelizmente esta saída não é prática; creio que esta afirmação é evidente por si e dispensa maior fundamentação.
A SOLUÇÃO EFICAZ: TEMOS DE TIRAR TODO O PODER DO GOVERNO FEDERAL! PRINCIPALMENTE O PODER FINANCEIRO! Que os impostos arrecadados nos Estados fiquem nos Estados - a não ser que os próprios Estados decidam fazer doações aos co-irmãos! Que os Estados se encarreguem de todos os serviços aos seus cidadãos! Pensem no volume de máquina administrativa que será eliminado com isto! No volume de dinheiro que poderá ser canalizado para as atividades-fim, em lugar de sustentar castas privilegiadas! Pensem em quanto mais fácil será para a população fiscalizar e cobrar seus servidores!
Pensem na riqueza de soluções políticas, administrativas e financeiras que surgirá desta autonomia! O quanto cada Estado poderá contribuir, com seus erros e acertos, para o aprendizado de todos! No quanto poderemos evoluir, coletivamente como nação e individualmente como cidadãos!
E o Brasil, acaba? Claro que não. Ser brasileiro significará ter um passaporte, poder residir e trabalhar em qualquer parte do território, em resumo ter uma nacionalidade, participar da irmandade dos Estados brasileiros - Estados que terão identidade própria, que serão membros dignos e autônomos de uma Federação, ao invés de escravos de um Govêrno Central que a ninguém representa, que a mais ninguém serve a não ser a si próprio, que há muito perdeu toda a legitimidade!

Saturday, May 09, 2015

Onde é a nossa Nova Inglaterra?! Porque não se ouve a voz do nosso John Brown?!

Trabalhando, trabalhando.  Mas fui lá embaixo ver a chuva, ficar um pouco parado na porta.  E me vieram alguns pensamentos que eu quero anotar.  Outro dia eu dei como souvenir pra dona Wendy Matthews, a "fada-madrinha" dos estudantes internacionais aqui, uma nota de real, e isso me fez lembrar que nós, Brasil, também somos Estados Unidos!  Mas quanta diferença na estrutura política que esses nomes tão similares, Estados Unidos da América e Estados Unidos do Brasil, designam!
Os Estados americanos tem muita autonomia, em um estado se pode fumar maconha, no outro não, em um pode-se andar armado até os dentes sem necessitar licença, no outro não.  Em alguns há pena de morte, em outros não.
Essa autonomia não é apenas política, é econômica.  A maior parte do dinheiro dos impostos fica nos Estados e nos Municípios.
Que diferença em relação ao Brasil!  No Brasil os Estados são pouco mais do que... "síndicos", não tem autonomia política, e dependem do Governo Central, financeiramente, pra tudo!   Os governadores vivem "de pires na mão", em Brasília, mendigando verbas!
A consequencia lógica é que o Presidente é tão poderoso quanto um Rei, um Imperador!  Quem controla as finanças, controla praticamente tudo!
E - paradoxalmente - essa centralização de poder impede que ações efetivas sejam tomadas.  Infraestrutura - estradas, energia, saneamento - educação, saúde... Qual é a situação dessas áreas hoje no Brasil?  E o que está sendo feito pra melhorar?  Nada?  Bom, me parece que um dos motivos, um grande motivo, é que é muito difícil administrar um país de dimensões continentais de uma maneira tão centralizada!
Precisa haver integração entre as regiões, políticas a nível nacional?  Sim, sem dúvida.  Mas se os Municípios e Estados tiverem autonomia e recursos pra agir, tenho a mais absoluta certeza que os resultados seriam muito melhores do que os de um governo centralizado!  Planejamento centralizado foi muito tentado nos falidos regimes socialistas - e vejam no que deu!  Milhares de mortos de fome na Rússia, na China...    Não é uma boa forma de governar um país das dimensões do nosso!
Como eu disse, paradoxalmente o poder centralizado resulta em um vácuo de poder!  O Brasil se tornou um dinossauro, o cérebro minúsculo não consegue gerenciar o corpo enorme!
A solução, a meu ver, é reformar a estrutura política e tributária.  Empoderar os municípios e os estados.  Como o poder pode "emanar do povo" se tudo é decidido em Brasília?!  Temos que cumprir a Constituição, fazer que o povo, a sociedade civil organizada, retome o protagonismo da vida política da Nação!  Tenho a mais absoluta convicção que municípios com autonomia e com recursos próprios melhorarão rapidamente em todas as áreas, e o mesmo será com os Estados.  Ao Governo Federal deve tocar um papel de coordenação - importante, sim, mas não de protagonismo.
Ah, mas e se como resultado dessa independência local em algum rincão perdido do interior brasileiro algum "coronel" resolver dominar um município?  E se isso acontecer em algum Estado?
Em relação a isso, me veio à memória a Guerra Civil americana.  O Norte cometeu um grande engano, encarou Appomatox como o fim da guerra, tratou a rendição de um exército como uma vitória definitiva sobre o inimigo.  O Norte - na minha opinião - teria de ter tratado o período da Reconstrução do Sul como uma extensão da guerra, mantido a ocupação  militar por mais alguns anos, por uma geração talvez, até que os partidários do escravismo e da segregação não fossem mais que abomináveis fantasmas do passado.  Não o fizeram, e a comunidade negra do Sul, assim como a Nação como um todo, pagaram um pesado tributo, carregaram uma nódoa infamante da qual só começaram a se livrar nos anos 1960.
E o que a Guerra Civil americana tem a ver com o Brasil?  Simples, estamos em guerra civil.  Uma sociedade em caos, Entre a quadrilha que ocupa as estruturas de Governo e as quadrilhas que se dedicam à outras formas de crime organizado, vivemos um estado de barbarismo.  Estamos em guerra.  E é esse o momento de um Governo Federal intervir - tal como a União ocupou o Sul que mesmo após a rendição insistia em não cumprir a Constituição dos Estados Unidos.  O Exército garantiu o direito de os negros votarem e exercerem cargos públicos, puniu os criminosos de guerra, reprimiu as atividades subversivas - em uma palavra, fez prevalecer a lei!
E o Exército Brasileiro pode muito bem fazer esse papel!  A Polícia Federal pode faze as atividades de inteligência, e o Exército pode se encarregar das operações que tenham um caráter mais militarmente operacional!
NÃO É PRECISO "INTERVENÇÃO MILITAR", como o pessoal anda pedindo!  O que é preciso é que o Exército, SOB AS ORDENS DO GOVERNO LEGALMENTE CONSTITUÍDO, garanta a ordem da Nação!  O Brasil tem de ser ocupado pelas forças da lei e do direito, tal como o Sul escravista foi ocupado pelo Exército do Norte!
Novamente analisando a Guerra Civil Americana:  haviam interesses econômicos em jogo?  Sim, seria ingenuidade negar.  Mas havia idealismo, haviam princípios éticos e morais envolvidos.  Um núcleo de cidadãos, principalmente na região chamada Nova Inglaterra, era contra a escravidão por motivos éticos.  O Kansas-Nebraska Act, em 1854, que tentava legalizar a escravidão nos novos Territórios que estavam sendo colonizados em direção ao Oeste, foi o efetivo início - embora não declarado - da Guerra Civil.  Que o digam o maravilhosamente louco John Brown, e os epsódios do Bleeding Kansas!  Era gente que lutava contra a escravidão por idealismo, gente que não visava ganho econômico, ao contrário, deram suas posses e muitas vezes suas vidas pela causa da igualdade!
Essa era a força por trás da Guerra Civil, essas eram as pessoas que queriam a Reconstrução do Sul!  Uma comunidade idealista, altruísta, amante da liberdade!
E nós, e o Brasil?  Onde é a nossa Nova Inglaterra?!  Porque não se ouve a voz do nosso John Brown?!
Isso, meus compatriotas - sim, a palavra me soa grandiloquente, mas me parece a que melhor exprime a idéia - isso, meus compatriotas, é o que cabe a nós responder!
Será a minha cidade, será o Estado onde eu vivo, a Nova Inglaterra brasileira a se erguer contra a injustiça?!
Estou eu à altura das palavras e dos atos de John Brown, clamarei destemidamente contra a opressão - com um rifle Sharps nas mãos se necessário?!

Obrigado por me ouvirem.
De volta aos estudos, que o homework não vai se fazer sozinho! :-)
Beijos, queridões!

PS:  Desculpem as falhas e repetições que devem haver neste texto, foi saindo e como foi saindo eu escrevi, sem revisar.  Não é o melhor estilo do mundo, mas é sincero.  Mais beijos! :-*

Monday, February 02, 2015

Mais uma entrevista...

Mais uma vez alguém decidiu me fazer perguntas sobre essa experiência de intercâmbio.  E mais uma vez eu partilho uma resposta aqui no blog.  Desta vez não tem tradução. Só quero ser lido por quem é curioso, quem tem brilho no olhar, espírito inquieto e coração apaixonado!

"How did your career lead you to study abroad in the U.S. as an undergraduate student?"

My career did not lead me to study abroad.  I made a choice to study abroad.
First of all, I realized I could, I did qualify.  I had ENEM grade, I had English proficiency, I had good grades, I had academic extracurricular activities...  Then I felt I did want to have this experience.  That it would add to my professional skills and broaden my worldview; it would change me, it would change the way people see me.  I felt that this time studying abroad would enhance what I value the most - the ability to influence people and make a difference in the in the world, make it better, a lot or a little bit, according to my possibilities - but do it!  And, yes, I'm talking about pursuing professional status and wealthy.  But it is mostly about daring to live life to the full, throw yourself over the void of the new, of the unknown, with your dreams as wings - and rejoice with excitement!  I share with all youngsters I meet - my children, my grandchildren, their friends, my college mates - "That's how life can be, that's how I feel it shall be, and if I, 59 years old, I'm daring to step into the thresholds of future, where I supposedly do not belong - what couldn't you achieve, you with youth's tremendous power and the future ahead?"  I'm deeply grateful for every chance I have encouraging any of these youngsters' first step;  I look forward for the day their achievements amaze me; that will be the day I'll know, for sure, I did something meaningful.

Wednesday, January 28, 2015

O GOVERNO BRASILEIRO É UM MIMADO ADOLESCENTE INFRATOR

O GOVERNO BRASILEIRO É UM MIMADO ADOLESCENTE INFRATOR
Esse pensamento me ocorreu quando vi o modo pelo qual o Governo pretende equilibrar as contas públicas.  O desequilíbrio vem de as despesas serem maiores do que as receitas.  Solução?  Conseguir mais dinheiro!  Só que o Governo não tem dinheiro, não produz nada.  O Governo vive do NOSSO dinheiro, do dinheiro dos impostos ASTRONÔMICOS que pagamos.  Foi daí que me surgiu a analogia.  O Governo vive de "mesada", mesada paga por nós, que somos como aqueles pais escravizados pelos filhinhos mimados, que querem sempre mais e mais.  As semelhanças não param aí, no fato de quem nada produz ter tudo enquanto quem trabalha tem de passar privações.  A semelhança está no luxo de "patricinhas" e "mauricinhos" ricos em que os governantes vivem.  LUXO, não apenas "conforto".  Olhem por exemplo para o Palácio Piratini.  Agora vão dar uma olhada numa escola pública, ou num hospital público.  É o mesmo padrão?  Como é que falta dinheiro pra manutenção de uma escola e SOBRA pro luxo do Governador?!  Não tem dinheiro pra um salário decente pra um professor, não tem dinheiro pra contratar mais policiais, mas SOBRA pra pagar Cargos em Comissão pros lambe-rabos dos governantes!  É UMA VERGONHA, UM ABSURDO, MERECÍAMOS APANHAR NA CARA POR NOS SUBMETERMOS A UMA INDIGNIDADE DESSAS!  E eles não estão nunca satisfeitos, querem mais, mais e mais!!! Até quando?!
E o pior é que nossos governantes não são apenas meninos mimados, exigentes e inúteis:  eles são "adolescentes infratores".  O retorno que obtemos do nosso sacrifício não é dedicação, não é o fiel cumprimento das obrigações que tem.  É TRAIÇÃO E ROUBO!  Escândalo atrás de escândalo!  Crimes não só contra o patrimônio da sociedade, mas contra a saúde, contra a educação, contra a vida!
De quem é a responsabilidade?  É NOSSA!  Cabe a nós, cidadãos, tutelar a república!  NÓS SOMOS OS PAIS DESSES ADOLESCENTES MIMADOS E DELINQUENTES!  CABE A NÓS IMPOR OS LIMITES, DAR UM BASTA!
Chega!  Eles não fazem a lição de casa; eles tem que ficar sem a mesada!  Somos chamados pra buscá-los na delegacia porque estavam fazendo arruaça; eles tem de ser castigados por isso!
Parece mentira que eu, que nunca tive problemas com meus filhos, tenha que ser o tutor de adultos, de supostas lideranças, que se revelam a cada dia mais irresponsáveis e desonestas!
Mas eu, assim como todos os cidadãos, não posso me furtar a essa responsabilidade!  Façamos cada um de nós a sua parte, pequena que seja, até que a pequena fagulha que cada um de nós fizer brilhar se torne em uma chama que purifique nosso pobre País!
Resta-nos o consolo de que, neste caso, quando estivermos nos preparando para aplicar o castigo, a velha frase "Isto vai doer mais em mim do que em ti"... não vai se aplicar!

Monday, January 26, 2015

São Paulo acabou!

Então, conforme prometido, aqui vai o meu post de "Profeta do Apocalipse":
CRISE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SÃO PAULO
* - Ao redor de março deste ano, a população de São Paulo estará numa situação insustentável, variando do racionamento à falta total e absoluta de água para as necessidades básicas - higiene, cozinhar e até pra beber.
* -  Em outras palavras - a cidade estará em um processo de desintegração, tanto econômica quanto social.  Um acampamento de nômades é impossível sem água, que dirá uma metrópole de vinte milhões de habitantes!
* -  Até junho, muitos já terão migrado.  Todos os que não sofrem da "síndrome do autômato" que é epidêmica na nossa sociedade já terão abandonado a cidade.  Restarão os que só sabem ir trabalhar toda manhã e sentar em frente à TV toda noite, sem jamais pensar ou ter qualquer atitude por iniciativa própria.
* -  A partir de junho, a falta dágua estará fazendo grandes indústrias fecharem; é impossível fábricas trabalharem sem água.
* -  Quando as fábricas fecharem, até mesmo o "rebanho de gnus" sairá da passividade.  A reação mais óbvia é êxodo em massa;  a possibilidade de motins e saques não pode ser excluída.
* -  Até o final deste ano, a maior metrópole da América do Sul terá, técnicamente, deixado de existir.  Não é absurdo imaginar um cenário pós-apocalítico de um deserto de concreto calcinado, com talvez algumas dezenas de milhares de habitantes sobrevivendo em condições precárias.  Como centro produtivo e econômico, São Paulo estará acabado.
* -  As consequencias da catástrofe não se limitarão aos (ex-) habitantes de São Paulo, Uma crise financeira sem precedentes atingirá a todo o País e também aos parceiros no Exterior.  E o impacto de milhões de refugiados em busca de casa e trabalho será devastador sobre todos os assalariados do Brasil.
* -  Pode ser que isto nos leve a tomar as atitudes DRÁSTICAS e URGENTES que a degradação do meio-ambiente está a exigir. Ou pode ser simplesmente o primeiro passo para que o povo do Brasil, lugar tão rico em recursos naturais, se torne a primeira vítima da crise ambiental.

Saturday, January 17, 2015

Entrevistas - III

Então, pessoal, o Dr. Maurício Escobar, que foi meu professor na ULBRA, achou que eu seria um bom assunto para um trabalho dos alunos do curso de Informática do IFSul - Charqueadas.
Eu fiquei muito satisfeito em poder colaborar com o pessoal, até porque o Professor Maurício foi dos melhores professores que eu já tive.
Houve até uma parte "pitoresca" quanto às respostas, eu estava viajando, feriado de Thanksgiving, e parte dos questionários eu respondi dentro do carro, viajando entre New Orleans e Houston;  outra parte foi respondida em hotéis.
Bom, o fato é que nas respostas - em boa parte graças às excelentes perguntas das meninas - eu digo muita coisa relativa à profissão, muita coisa das minhas crenças pessoais, e resolvi guardar isso aqui no blog.
Além de ser útil pra mim, quem sabe não pode ter algum valor pra alguém mais?


Esta entrevista, feita pela Tainá e pela Shéron, é a terceira e última da série.


Obs:  eu falo várias vezes no "material que enviei".  Tanto quanto eu me lembro, esse tal "material" é a primeira entrevista.

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Nomes: Tainá e Shéron 

Turma: INF-1AT (Ifsul – Charqueadas)


                                                            Questionário             
1)      Por qual razão você escolheu a Informática como área de atuação?
Entao, meninas, a informatica “aconteceu” na minha vida.  Eu conto essa historia no material que mandei pra voces.  No meu blog (os links estao no material, nao incluo aqui porque estou sem acesso a internet, estou escrevendo no carro, enquanto nao eh a minha vez de dirigir J ).  Eu era operador de maquina de contabilidade, em 1974, quando uma empresa de processamento de dados foi criada na cidade onde eu morava (Pelotas).  Eles me contrataram porque a coisa mais parecida com um operador de computador que existia na cidade era um operador de maquina de contabilidade.  Depois fiz um curso de programacao COBOL na empresa, virei estagiario, programador, analista de sistemas...  nao parei mais.

2)      Quando você tinha a nossa idade, qual era a sua relação com a informática?
Bom, eu nao sei a idade de voces.  Eu soh fui ter contato – indiretamente – com computadores aos dezesseis anos, quando trabalhava como auxiliar de contabilidade.  Alem de usar as maquinas, que podiam, de uma forma muito rudimentar, ser programadas, recebiamos relatorios impressos por computador, que vinham da matriz no Rio de Janeiro.  Eu soh fui ver um computador – um mainframe IBM/370 – e seus equipamentos perifericos – leitoras de cartao, impressoras, unidades de disco, unidades de fita, e os equipamentos de entrada de dados – perfuradoras de cartoes e gravadoras de disquetes, quando tinha 18 anos e fui contratado como digitador.  Eu vivi em um mundo sem computadores! J

3)      O que você acha indispensável para formação de quem quer trabalhar na área da Informática?
Comecar por uma boa Introducao as Ciencias da Computacao.  Historia da Informatica – mas nao apenas teoria, pratica tambem, tipo construir um Computador Universal e usa-lo para resolver alguns algoritmos simples.  Pesquisar sobre diversos usos da Informatica, e formar opinioes sobre eles, inclusive no terreno filosofico e etico.  E, de uma forma muito pratica, aprender sobre as diversas aplicacoes – engenharia, circuitos logicos, sistemas operacionais, aplicacoes, redes, seguranca...  Assim, alem de poder escolher a area na qual prefere atuar, vai ter uma boa nocao da informatica como um todo.

4)      Você passou por alguma orientação antes de escolher esta área ou foi a sua escolha própria?
Olhem, a minha profissao, como eu jah disse, “aconteceu” .  Eu gosto de programar, gosto de escrever codigo.  Ganho a vida escrevendo aplicacoes em linguagens de alto nivel.  Na faculdade eu descobri que tambem gosto e tenho certa aptidao para codificar em linguagens de baixo nivel, ou seja, poderia atuar na area de software basico ou computacao embarcada.  Mas eu estou dirigindo – ao menos tentando dirigir  –  a minha carreira no sentido de ser um Data Scientist.  Trabalhar com Big Data, Data Mining, Information Discovery.  Se possivel usar isso para apoiar projetos de pesquisa, fazer algo significativo, nao quero ajudar a Amazon a vender livros.

5)      Quais passos tu seguiste até chegar à faculdade? Havia feito técnico na área?
Meninas, eu fiz a coisa errada.  Eu comecei a trabalhar com programacao com 19 anos, como eu contei.  E fui sendo autodidata e/ou aprendendo novas tecnologias em cursos tecnicos, cursos de extensao.  Nao eh a melhor maneira, nao foi a melhor escolha.
Tanto que aqui estou eu, velho, com quase 40 anos de profissao nas costas, e de volta aos bancos escolares.  Vou estudar o quanto puder, ateh quando puder.  E estudar no ambiente academico, nao mais isolado, acredito que assim terei resultados melhores.
E quero ensinar tambem, porque tenho muito a partilhar da minha experiencia, e lecionar vai me ajudar – obrigar, na verdade – a continuar aprendendo sempre.

6)      Quais são, na tua opinião, as maiores dificuldades do curso da Ciência da Computação?
Foram... Ra ra ra, jah foram!  Foram as Matematicas.  Eu sou bom com logica, mas nao com operacoes matematicas propriamente ditas.
E uma dificuldade que eu ainda tenho – eu creio que eh consequencia de ter passado tantos anos como autodidata – eh fazer exatamente o que o professor estah pedindo.  Quando eu gosto de um assunto, eu vou pesquisando mais e mais e gasto muito mais tempo do que seria necessario.  Isso as vezes me complica com as outras materias.
E quando eu nao gosto de um assunto, OMG que luta me forcar a fazer aquilo, mesmo que seja facil.  Principalmente quando eh facil, quando nao tem desafio!  Ainda estou lutando com isso.

7)      Quais dicas você daria para quem quer entrar nesta área, para que possa lidar com a constante e crescente concorrência?
Gente, eu nao sei se sou a melhor pessoa pra dar essa orientacao.  Eu vejo que o mercado pede cada vez mais que as pessoas sejam capazes de trabalhar com varias tecnologias.  Mas eu nao sei se elas sabem o que estao pedindo.  Elas pedem que a pessoa seja capaz de trabalhar com Java e com PHP, por exemplo.  E pedem uso avancado das duas ferramentas!  Afinal, eles querem especialistas capazes de fazer uso avancado da ferramenta ou querem um generalista que sabe um pouco de tudo? 
Como o mercado me parece assim meio confuso, eu opto por dominar BEM o que eh fundamental pra minha area de atuacao.  Por exemplo, se vais trabalhar com desenvolvimento web, HTML, CSS e Java Script sao essenciais.  Saber bem. Tem neginho usando Java Script como se fosse procedural, sem se dar conta que eh uma linguagem orientada a funcoes.  Isso nao eh culpa dos profissionais, eh culpa das empresas que ficam exigindo que a pessoa fique mudando de tecnologia.  Cabe a nos nos informamos, verificar o que eh realmente fundamental na nossa area de atuacao, e nos auto-qualificamos nisso que eh essencial. Se dominar bem os fundamentos, aprender novas rtecnologias vai ser mais facil.

8)      A cada dia temos mais recursos tecnológicos disponíveis, quais são seus meios de manter-se sempre atualizado?
Olha, como eu disse na questao anterior, eu nao acho que seja possivel saber tudo de tudo.  Eu nao acho nem que seja preciso, e nem que seja desejavel!  Tenho um professor aqui na Kansas State University que concorda comigo!  E ele eh uma autoridade em bancos de dados.  Eh nisso que ele foca – bancos de dados!  Ele sabe construir um Web Site, sabe PHP, sabe Ruby...  Mas nao tenta ser o melhor nisso, nao tenta ser vanguarda nisso.  Nisso ele eh “seguidor” de colegas em quem ele confia, que sabe que sao competentes.  Ele eh “lider”  em bancos de dados – e os colegas e as empresas vem a ele pedindo auxilio pra resolver problemas complexos nessa area.
Eh isso que eu acho que se deve fazer:  definir uma area central de atuacao, e investir nessa.  Nas outras a gente vai acompanhando o que dah, e quando nao dah a gente pede pros colegas especialistas nisso nos ensinarem o que precisamos. 

9)      Em quais das etapas de trabalho/estudo vividas até hoje você mais se identificou?
Bah, eh dificl de dizer.  Gostei de tanta coisa!  Adorei ser professor no SENAC!  Adorei estar em sala de aula, interagindo com os alunos!  Aprendi muito muito muito, tanto me preparando pra dar boas aulas quanto com a interacao com os alunos.  Aprendi em termos tecnicos e em termos humanos tambem.
Gosto muito de trabalhar na minha empresa.  Eu decido a maneira como vou trabalhar, ninguem me diz que tecnologia ou que metodologia devo usar.  Nao gosto da parte administrativa, mas pra isso eu posso contratar alguem.
Tambem gostei muitodo meu perioo como Consultor Tecnico, onde eu tinha de saber a fundo um produto e os recursos tecnologicos que o faziam funcionar.  Isso eh bem o meu perfil.  A area de atuacao tambem era uma coisa que eu gosto, que eh grandes plantas industrias.  Gosto muito mais de suportar manutencao industrial, engenharia, do que de aplicacoes administrativas.  E tambem foi uito bom interagir com colegas e clientes do mundo todo, tanto remotamente, via Skype, quanto viajando para os Estados Unidos e recebendo os colegas (indianos, canadenses, americanos) no Brasil.

10)   E para finalizar, quais são suas metas futuras em relação ao trabalho e estudo?
Bueno, essa eu vou copiar e colar de outro questionario J :
Profissao:  eu quero ser um consultor de reputacao reconhecida.  O que eu gosto eh Data Science, BI, Sistemas Especialistas.  Quero ser consultor nessa area. 
E quero leconar.  Tipo, ser consultor 50% do tempo, lecionar o restante.
Os estudos vao em paralelo.  Quero me formar, fazer uma especializacao, e entao lecionar – se possibel na universidade onde eu estudo.  Quero fechar o ciclo.  Talvez entao busque um PhD, se fosse possivel fazer no exterior, na Europa desta vez, seria otimo!



Entrevistas - II

Então, pessoal, o Dr. Maurício Escobar, que foi meu professor na ULBRA, achou que eu seria um bom assunto para um trabalho dos alunos do curso de Informática do IFSul - Charqueadas.
Eu fiquei muito satisfeito em poder colaborar com o pessoal, até porque o Professor Maurício foi dos melhores professores que eu já tive.
Houve até uma parte "pitoresca" quanto às respostas, eu estava viajando, feriado de Thanksgiving, e parte dos questionários eu respondi dentro do carro, viajando entre New Orleans e Houston;  outra parte foi respondida em hotéis.
Bom, o fato é que nas respostas - em boa parte graças às excelentes perguntas das meninas - eu digo muita coisa relativa à profissão, muita coisa das minhas crenças pessoais, e resolvi guardar isso aqui no blog.
Além de ser útil pra mim, quem sabe não pode ter algum valor pra alguém mais?

Esta entrevista, feita pela Julia e pela Carolina, é a segunda de uma série de três.

Obs:  eu falo várias vezes no "material que enviei".  Tanto quanto eu me lembro, esse tal "material" é a primeira entrevista.

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INSTITUTO FEDERAL SUL-RIO-GRANDENSE
CAMPUS CHARQUEADAS
Nomes: Carolina e Julia 
Curso: Técnico em Informática
Turma: INF 1AT
Disciplina: Iniciação à Informática
Professor: Maurício Escobar
Questionário
Entrevistado: Pedro Francisco – Estudante de computação
Olá Pedro! Somos alunas, do curso de Informática, do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense Campus Charqueadas, Julia e Carolina. O professor Maurício nos solicitou um trabalho sobre as Áreas relacionadas à Informática, no qual deveríamos entrevistar uma das pessoas que ele nos indicou. Decidimos lhe entrevistar porque achamos que esta profissão é muito importante para o mundo atualmente, sendo que é uma área de muita importância no meio profissional em que vivemos e gostaríamos de conhecermos um pouco mais sobre esta profissão.  Além disso, sua trajetória e sua vontade de sempre ampliar seu conhecimento, nos motiva.
Ficaremos muito gratas, se puderes nos ajudar, respondendo 11 perguntas.  
Desde já, agradecemos a colaboração. 
Atenciosamente, Julia  e Carolina .




1-      O que motivou você a escolher a profissão que segue atualmente?
Meninas, esta resposta estah no material que enviei antes, entao nao vou me estender muito.  Eu tinha 18 anos (1974), era operador de maquinas de contabilidade, uma empresa de informatica (Centro de Processamento de Dados, usando um IBM/370) se instalou na minha cidade (Pelotas), eu fui trabalhar como Operador de Data Entry (i.e., digitador, usavamos maquinas de gravacao de disketes, IBM 3742), a empresa necessitava programadores, abriu um curso interno de Programacao COBOL (apoiado pela IBM), fiz, passei, virei estagiario de programacao, programador, analista de sistemas – tudo na mesma empresa.   Desde o primeiro momento em que trabalhei com os computadores senti que “tinha jeito” e gostava daquilo.

2-      Para você, qual a importância da área de sua profissão no mundo de hoje?
Bah, essa eh dificil.  A importancia eh total, geral, a programacao estah em tudo, nos mais diversos formatos.  Computacao embarcada, robots, telefones, computadores, geladeiras, TVs...  Dependemos da tecnologia para tudo!  Se voces virem o meu blog (o link estah no material que eu enviei, neste momento nao tenho internet, estou escrevendo dentro de um carro! J ), vao encontrar um artigo sobre “A Singularidade”.  O artigo estah em ingles, claro, porque foi um “tema pra casa” daqui.  Mas se voces nao souberem ingles acho que um Google tradutor quebra bem um galho.  O tema, “A Singularidade”, se refere ao momento em que a Inteligencia Artificial nao apenas sobrepujara a inteligencia humana, mas escapara do nosso controle.  Nao eh ficcao cientifica, eh ciencia!  Muito interessante!  Recomendo a leitura, no meu artigo tem um link pro artigo original.
Em tempo: se voces nao sabem ingles, aprendam o quanto antes.  Sem ingles voces nunca vao poder usar a tecnologia mais moderna, vao ter que esperar que alguem traduza. 

3-      Sua profissão de alguma forma influencia na sua vida pessoal?
Essa resposta tambem estah no material que enviei.  Mas vai um resuminho aqui: a profissao me influenciou no sentido de buscar sempre me basear na logica, gerenciar recursos, gerenciar tempo – em todas as areas da minha vida., mesmo nos meus passatempos.

4-      Em algum momento de sua carreira como estudante ou profissional, você passou por alguma dificuldade? Se sim, como isso te motivou ou influenciou no que você se tornou hoje?
Como profissional, me lembro de um momento dificil quando tive que aprender Microsoft .Net.  Eramos uma equipe de programadores trabalhando com Visual Basic 6 e banco de dados Oracle.  Eu usava muito Visual Basic for Applications, nesta epoca, dentro do MS-Access, algumas vezes usando o Access para conectar no Oracle.  Entao veio uma ordem da matriz da empresa de pararmos todo e qualquer desenvolvimento em Visual Basic.  Deveriamos passar a usar o Oracle com .Net Framework. 
Dificuldades: ninguem (eramos quatro ou cinco) sabia .Net.  Nao recebemos nenhum treinamento, soh a ordem de comecar a usar.  Visual Basic eh uma linguagem “procedural”, embora jah “orientada a eventos” .  O Visual Basic .Net que tinhamos de aprender, apesar do nome igual, eh “Orientado a Objetos”, um paradigma bastante diferente.  Entao as diferencas eram muito mais que de sintaxe, eram conceituais.  Tivemos que trabalhar muito, ler muito manual, experimentar e errar muito, ateh “pegar o jeito”.  Pra completar, o banco de dados “padrao” para .Net Framework eh o MS SQL Server, e tinhamos de usar Oracle.  Claro que funciona OK, mas eh mais complicado um pouco de usar.  Acabou que hoje tenho Certificacao Microsoft em .Net e tive varios empregos como desenvolvedor de software usando .Net.
Como estudante, eu sofri nas Matematicas.  Tenho bom raciocinio logico, sou capaz de ver as equacoes apropriadas aos problemas, mas fazer os calculos, Deus me acuda, nao eh o meu forte.  Teve uma prova de Matematica que eu esperava tirar algo em redor de 7 e acabei tirando 4,5 eu acho.  Eu revisei tanto as questoes que acabei estragando uma resposta.  Fiquei meio mal.  Peguei a prova, e fiquei pensando em juntar minhas coisas, ir me embora e nunca mais voltar.  Depois me acalmei.  Pensei “o pior que pode acontecer eh eu rodar.  Se eu for embora, eh certo que eu rodo. Se eu ficar, rodarei ou nao.  Entao vou ficar e tocar a bola pra frente!” .  Me preparei bem pra proxima prova, passei, e bola pra frente! J

5-      O que te motivou a estudar fora do país? Quais os objetivos que você quer alcançar com essa experiência?
Bom, acho que isso tambem eh mencionado no material que eu enviei. Mas aqui vai um resuminho: Eu quero crescimento pessoal. Acredito que conhecer um outro sistema educacional, outro programa de ensino, em outro pais, vai me enriquecer muito.  E acredito tambem que, em termos praticos, isso vai se refletir em um bom status profissional – e a correspondente recompensa financeira – quando eu voltar ao Brasil.  Uma razao muito forte tambem foi estimular mais brasileiros a fazer o mesmo – claro, principalmente meus filhos.  Mas tambem todos os meus colegas e todos os estudantes brasileiros. 


6-      Se você fosse realizar uma palestra para um grupo de pessoas interessadas na mesma profissão que a sua, quais as dicas que você diria a elas?
·         Escolha alguma coisa que goste de fazer.  Provavelmente tu vais ser bom no que gostas de fazer.  Mas o principal eh gostar.  A gente tem que se dedicar muito, estar constantemente lendo e aprendendo.  Tem de passar o dia focado, concentrado no trabalho que estah fazendo, eh trabalho mental, nao dah pra fazer pensando em outra coisa.  E se a pessoa nao gostar, isso se torna uma tortura.  Felizmente dentro da Informatica ha muitas areas que requerem aptidoes diferentes.  Agora mesmo estou convivendo com o pessoal de Cyber Seguranca.  Eu tenho um conhecimento bem basico do que eles fazem, quando falam entre eles chega um momento em que eu fico perdido.  E em compensacao quando eu explico programacao pra eles eles ficam me olhando com cara de cachorro que caiu do caminhao da mudanca.  Sao areas bem diferentes.  E ainda temos redes, sistemas operacionais, computacao embarcada, etc., etc. etc.  Escolha uma area de que goste e se dedique a ela.
·         Tenha em mente que o que fazes nao eh pra ti.  O trabalho nao pode ser gratificante apenas para o profissional que o executa.  Me permitam uma analogia, nao quero ser chulo nem desrespeitoso, mas nao tenho muito tempo e nao me ocorre agora outro jeito de explicar:  nao pode ser uma “masturbacao”, tem que ser uma “relacao sexual”.  Se tu nao sentires prazer tem alguma coisa errada, mas se nao deres prazer ao parceiro tem alguma coisa errada tambem.  O nosso trabalho tem a finalidade de resolver o problema de alguem.  Nao podemos perder isso de vista.  Temos que nos importar com o cliente, trabalhar junto, envolver o cliente no processo, nos colocar no lugar dele.  O resultado da nossa atuacao profissional tem que ser eliminar dificuldades que estao atormentando as pessoas, melhorar a vida dessas pessoas.
·         Aprenda bem os fundamentos.  Pra comecar adquira conhecimentos basicos sobre as varias areas de atuacao – engenharia, software basico, robotica, software comercial, bancos de dados...  Isso vai te mostrar a area da tua preferencia.  Te dedica entao a aprender BEM os conceitos fundamentais.  Se for desenvolvimento de software, por exemplo, tem que conhecer BEM logica de programacao e algoritmos, tem que conhecer bem varios paradigmas de linguagens de programacao, etc., etc.
·         Nunca para de aprender.  A nossa area muda sempre.  Leia muito, artigos, foruns, livros; participe de eventos profissionais, fique antenado no que estah acontecendo na area de atuacao.  Se parar de se atualizar, em poucos anos vai estar desconectado do estado da arte da profissao.

7-      Como foi sua trajetória para fundar a sua empresa? Como ela se chama?
Hoje, nesse momento, a minha empresa sou eu.  Jah tive meia-duzia de funcionarios, se terei novamente o futuro dirah.  Mas provavelmente nunca vai ser grande, porque o meu diferencial eh prestar servico totalmente “sob medida” e com qualidade muito boa, muito melhor que o mercado em geral.  E nao existe mao-de-obra pra fazer isso em grande escala.
Eu fundei minha empresa para poder trabalhar do meu jeito. Seguir minha metodologia.  Fiz cursos de gerenciamento e de qualidade total no SENAC, meus funcionarios tambem fizeram.  Tinhamos “Reunioes da Qualidade”, onde definiamos, em grupo, as melhores praticas.  As melhores praticas eram continuamente avaliadas e revisadas.  O objetivo era nao parar nunca de melhorar. 
Funcionou.  Por exemplo, construi no ano 2000 um sistema que roda ateh hoje, sem requerer manutencao corretiva!  Meus sistemas seguem esse padrao!  Isso eh algo muito raro no mercado!
Tambem criei minha empresa para poder administrar os meus ganhos.  Infelizmente existem empresas que querem pagar o minimo possivel.  Exigem profissionais qualificados e querem pagar salario de estagiario.  Acho que todos nos profissionais de informatica devemos nos recusar a receber salarios indignos.  Se todos recusarem esses salarios, se organizarem em cooperativas, criarem empresas, trabalharem como autonomos, buscarem alternativas, enfim, e recusarem receber essas miserias de dois ou tres salarios minimos, os empresarios vao passar a oferecer salarios decentes.


8-      Atualmente o mundo se surpreende com as novas tecnologias que estão surgindo e tornando o mercado de trabalho mais amplo. Além disso, a informática está se tornando o centro do mundo, sendo um processo essencial na evolução do mundo moderno. Qual a sensação de fazer parte desse processo e poder trabalhar com algo tão fascinante?  
Bom, a sensacao eh semelhante a que tive quando comecei a atuar como programador, en 1975 – um programador tem o poder de milhares de homens!  Para o jovem que eu era na epoca, isso me levava quase a um delirio de poder! J  Hoje estou velho e controlo isso.  Nao me auto-comprazo com a sensacao de poder, procuro focar na gratidao pela chance de poder fazer algo tao significativo.  E – jah dizia o Homem-Aranha ( J ) - nunca nunca nunca perder de vista a responsabilidade que vem com o poder.

9-      Você consegue trabalhar sob pressão? Se não, por quê?
Se nao conseguisse trabalhar sob pressao, eu teria que largar a profissao.  Estamos sempre submetidos a pressao do tempo, os gerentes e/ou os clientes sempre querem tudo mais rapido, mais rapido! 
Eu tenho grandes fabricas como clientes – no momento a CMPC, jah tive empreiteiros da Petrobras, Braskem, Samarco... grandes fabricas.  E se alguma coisa sai errado no programa que diz que a tubulacao de petroleo estah OK, bom, a tubulacao pode explodir, pode acontecer um grande desastre ecologico, pessoas podem morrer.
Eu lido bem com a pressao do “tem que estar certo”.  Nao me importo de ter que planejar com cuidado, revisar e testar tudo.  Nao gosto da pressao do tempo.  Como eu disse, os gerentes e os clientes sempre querem “mais rapido, pra ontem”.  Eu costumo negociar – queres rapido, o programa vai fazer menos coisas.  Queres um programa que faca um milhao de coisas e queres em 15 dias, contrata um magico, nao um programador.
E sacrificar a qualidade eh coisa que eu nao faco.  Eh se queimar profissionalmente, na verdade seria abrir mao da minha etica profissional.  Tempo e escopo eu negocio, qualidade nao!



10-  Com base em suas experiências, como você acha que um profissional pode contribuir para o crescimento de uma empresa? E o que ele deve fazer para que sua carreira profissional não apenas se mantenha, mas sim evolua para que novas oportunidades possam aparecer?
Eu sou um desenvolvedor de software.  Um desenvolvedor de software pode analisar os processos de negocios e sugerir melhorias, aumentando a eficiencia, aumentando a qualidade, melhorando o rendimento da empresa como um todo.
Uma das habilidades que um desenvolvedor de software deve ter eh a de se colocar no lugar dos seus usuarios, conhecer o trabalho que eles fazem, entender as dificuldades que enfrentam e quais sao os principais objetivos.  Esse conhecimento pode ser usado para ajudar os diferentes a conhecerem o trabalho uns dos outros, proporcionando uma maior integracao e uniao na empresa, mais produtividade e melhor ambiente de trabalho.
Para a carreira evoluir...  o que eu tento fazer eh ser honesto, “dizer o que faco e fazer o que digo”, como um gerente uma vez orientou.  Manter minha palavra, trabalhar pelo bem comum.  Bom, tambem nao dah pra deixar os aproveitadores usarem a gente.  Preservar a dignidade e o amor-proprio.  “Quem muito se abaixa o rabo lhe aparece”, diz um velho ditado.
Em uma palavra: eu acredito em ser tecnicamente competente, isso eh o basico, eh o minimo.  Estudar pra melhorar cada vez mais e se manter atualizado.  E ser verdadeiro, ser fiel ao proprio carater.  Se estiveres no lugar certo pra ti, pro tipo de pessoa que tu es, vais progredir.



11-  Qual seu maior sonho em relação a sua profissão e aos seus estudos?
Profissao:  eu quero ser um consultor de reputacao reconhecida.  O que eu gosto eh Data Science, BI, Sistemas Especialistas.  Quero ser consultor nessa area. 
E quero leconar.  Tipo, ser consultor 50% do tempo, lecionar o restante.
Os estudos vao em paralelo.  Quero me formar, fazer uma especializacao, e entao lecionar – se possibel na universidade onde eu estudo.  Quero fechar o ciclo.  Talvez entao busque um PhD, se fosse possivel fazer no exterior, na Europa desta vez, seria otimo!



Entrevistas - I

Então, pessoal, o Dr. Maurício Escobar, que foi meu professor na ULBRA, achou que eu seria um bom assunto para um trabalho dos alunos do curso de Informática do IFSul - Charqueadas.
Eu fiquei muito satisfeito em poder colaborar com o pessoal, até porque o Professor Maurício foi dos melhores professores que eu já tive.
Houve até uma parte "pitoresca" quanto às respostas, eu estava viajando, feriado de Thanksgiving, e parte dos questionários eu respondi dentro do carro, viajando entre New Orleans e Houston;  outra parte foi respondida em hotéis.
Bom, o fato é que nas respostas - em boa parte graças às excelentes perguntas das meninas - eu digo muita coisa relativa à profissão, muita coisa das minhas crenças pessoais, e resolvi guardar isso aqui no blog.
Além de ser útil pra mim, quem sabe não pode ter algum valor pra alguém mais?

Esta entrevista, feita pela Eduarda e pela Gabrieli, é a primeira de uma série de três.

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Olá Pedro, somos duas alunas do primeiro ano, do curso de Informática no Instituto Federal Sul-Rio-Grandense Campus Charqueadas, Eduarda e Gabrielli. O professor Maurício Escobar, nos pediu um trabalho sobre as áreas de informática, e deveríamos entrevistar uma das pessoas que ele nos indicou. Escolhemos fazer a entrevista com o senhor, pois temos muito interesse na área de programação. Ficaremos muito gratas, se o senhor poder nos ajudar respondendo 11 perguntas. Segue em anexo o questionário.

 

Gurias, eu respondi as perguntas de vocês e, se vocês olharem depois do fim do questionário, vâo ver que eu coloquei um monte de coisa mais lá.  Leiam se quiserem, se tiverem tempo.  Provávelmente coloquei coisa demais, que vocês não precisam nem querem.  É que eu, como a maioria dos velhos, gosto de contar “causos”...

1-      Viajar para um lugar diferenciado em que não se conhece ninguém é algo um tanto complicado, isso te prejudicou de alguma forma nos estudos?
É uma dificuldade a mais, sim. 
O sistema de ensino é diferente.  É muito homework (o velho “tema pra casa”).  É esperado que o aluno trabalhe duas horas  em casa pra cada hora que passa em aula.  E eles passam tarefas de acordo com isso.   Eu assisto aula doze horas por semana;  isso me faz trabalhar no minimo 40 horas por semana, entre aula e homework.
Eu achei as aulas muito mais interativas que no Brasil.  O professor explica alguma coisa e começa a perguntar.  Ele não está querendo que repiram o que ele disse, ele quer que a turma construa interpretações e apresente idéias originais em cima do que ele disse.  E alguns dos estudantes americanos são muito bons nisso, eles pensam rápido, eles apresentam idéias criativas. 
Outra diferença muito grande é que tudo tem “projeto prático”.  Não existe cadeira em que tu lês alguns livros, aprende a resposta correta segundo a teoria, marca as cruzes nos lugares certos na prova e pronto, tirou nota boa!  Pra vocês fazerem uma idéia, uma cadeira “fácil”, Introdução às Ciências da Computação, tem trabalhos de pesquisa (é para essa cadeira que eu tenho que manter o blog, o professor dá um tema por semana), tem um projeto de pesquisa em um assunto para cada grupo (são 4 ou 5 em cada grupo) e este projeto de pesquisa inclui fazer um vídeo, uma apresentação Power Point e um “Trecho de Livro Didático” sobre o assunto designado.  Não bastasse isso tudo, ainda tem exercícios de programação com uma ferramenta chamada “Scratch”, criada pelo MIT, e o trabalho final de programação vai ser criar um video game.  Pode ser simples, mas tem que funcionar.  A cadeira de Engenharia de Sistemas é construir um sistema usando Metodologia Ágil – sistemas reais, com clientes reais, para ajudar ONGs aqui da cidade. É tudo assim.  Tem saber fazer.
A língua também é uma dificuldade.  Eu vim com boa nota no TOEFL.  Mas mesmo assim, na minha primeira terça-feira (terças-feiras eu tenho aula das 09:00 às 12:30 e depois das 14:30 às 15:45), eu saí da última aula, fui me encaminhando pra Biblioteca pra ver se tinham os livros que eu ia precisar, e antes de chegar lá mudei o rumo, fui pro apartamento, me joguei na cama de roupa e tudo e fiquei lá deitado umas três horas, como se tivessem me dado uma paulada na cabeça – tal foi o cansaço de quase seis horas de aula em inglês.  Isso melhorou em seguida, tipo 15 dias depois eu já saía da última aula “normal”, em condições de ir pra Biblioteca estudar.
Mas uma coisa é ficar fácil entender o professor, outra coisa é participar de discussões de grupo – quando além de todos falarem ao mesmo tempo, a sala está cheia de gente falando.  Nessas condições, eu às vezes ainda tenho que pedir pras pessoas repetirem as coisas. 
E nem sempre é fácil entender o professor, porque nem todos são americanos.  Eu tenho aula com um chinês que é bem difícil de entender, e com um francês que tem um sotaque carregado e no início era muito difícil entender, agora eu já me acostumei.  Acho que agora é mais fácil pra mim entender o professor francês que pros americanos.
E (quase) todo mundo estuda muito aqui.  As salas de estudo ficam abertas 24 horas, 7 dias por semana. E sempre tem gente.  Eu já fui na Biblioteca domingo de noite e tava lotada, bombando!  Negadinha esfregando os olhos, cansada, e dê-lhe a estudar.  Quem quer tirar nota boa tem que fazer assim, a não ser que seja gênio.  Também se vê gente dormindo nos sofás da Biblioteca, até nas mesas dos laboratórios de computação.  Eu pensava que eram vagabundos, até que eu mesmo fiquei tão cansado que entre uma aula e outra ia pra Biblioteca estudar e dormia em cima do computador.
Livro.  Livro é caro aqui!  E tem muita leitura obrigatória que não tem na Biblioteca – na boa e velha ULBRA, no Brasil, isso quase nunca acontecia.  Se tu não comprares livro on-line, nem de segunda mão, pode-se fácilmente gastar 400 ou 500 dólares em livros num semestre.  Se comprar de segunda mão, o valor cai pra menos da metade.  E se tiver on-line, aí é bem acessível.  Mas TEM que ter os livros e TEM que ler os livros.  Se não ler, vai chegar na aula e vai ficar “boiando”, porque o professor presumindo que tu estás a par do conteúdo do livro.
Por outro lado, também se tem facilidades que não tem no Brasil.  Os professores tem “office hours” – horários em que ficam à disposição dos alunos para tirarem dúvidas.  Quando nos receberam aqui, salientaram que a gente ficasse bem à vontade pra procurá-los e pedir ajuda, porque eles são pagos e bem pagos pra ficar à disposição.  Os professores também tem “assistentes”, que ajudam quando a demanda é grande.  E tem também “monitoria” gratuita – alunos que ajudam alunos – pras matérias que são tradicionalmente mais difíceis – Cálculo, essas coisas.  Infelizmente pra maioria dos cursos (eles chamam de “course” o que nós chamamos no Brasil de “cadeira” ou “matéria”, isso me confundiu muito quando cheguei) de Sistemas de Informação não tem monitoria.  Mas eu já sou membro do Núcleo da Association for Computing Machinery que tem aqui na Universidade, e tem sessões de ajuda todas as terças.
Isso é outra coisa que “bomba” aqui – as Associações de Estudantes e os Grupos de Estudo e Debate.  Tem grupo de Robótica, de Games, de Cybersecurity, tem Mulheres na TI, vários, vários.  E os professores apoiam, mas quem faz a coisa funcionar são os alunos mesmo.  Gente que se organiza, gerencia o grupo, gente que trabalha, pesquisa, apresenta trabalhos interessantes...
Também tem MUITA interação com empresas, GRANDES empresas.  Eu fui “fiscal” de um concurso de programação que aconteceu aqui.  Bagulho punk!  Dez problemas foram apresentados, tinham um dia pra resolver.  Trabalho em grupos de três, mas só um computador por grupo.  Nenhum grupo resolveu todos os problemas, na verdade nenhum grupo resolveu mais de cinco problemas, e muitos não resolveram nenhum!  Difíceis mesmo, o bagulho era islâmico, como dizem uns coleguinhas aí no Brasil! J
Mas sabem qual era o prêmio?  Bolsas pra dois anos de pós-graduação!  E o concurso era patrocinado por empresas como Phillips 66, Garmin, Cerner, Koch... empresas grandes, excelentes empregadores em potencial, todas de olho no pessoal que estava concorrendo.
Isso acontece o tempo todo aqui, empresas visitando.  Na minha sala de aula já esteve o pessoal da Google!  Eles vem, fazem palestras, conversam com a gente, é contigo conseguir se destacar e chamar a atenção deles!
Mas se tu não conseguires chamar a atenção destas grandes empresas, não tem problema, tem duas vezes por ano a “Career Fair”.  Empresas de todos os portes, de todas as áreas de atuação, vem aqui, montam stands dentro do estádio de futebol, e os estudantes (todos de terno e gravata, com um bolinho de curriculuns embaixo do braço) passam dois dias visitando os stands, deixando curriculum, conversando com os recrutadores.  Eu já fui, a gente tem que fazer estágio, e é normal aqui começar a procurar estágio quase um ano antes do momento de realmente fazer.   Detalhe: o terno que eu usei era doado, eles fazem uma “feira de doações” na Union (o DCE aqui deles) pra quem não tem dinheiro pra comprar roupa.  Também tem um setor da Faculdade onde te ajudam a montar o teu curriculum (curriculum americano é diferente de como se usa no Brasil) e orientam como se portar nas entrevistas.

2-      O que te motivou a realizar o intercâmbio?
 Pois então, gurias, o fato é que eu trabalho com TI há 40 anos e só consegui ser Diretor na minha própria empresa!  J   Eu me considero um profissional bem bom, já cheguei na ULBRA em 2009 com bastante conhecimento técnico, e de lá pra cá aprendi bastante sobre os conceitos teóricos da profissão também.  Mas sem ser bacharel, ninguém dá bola pras minhas idéias.  Em Desenvolvimento de Sistemas, os resultados que a maioria das grandes companhias obtém é MUITO ruim.  Sistemas que não funcionam direito, que não fazem o que deviam fazer, que custam muito mais do que foi estimado, que precisam de manutenção constante, que são entregues muito depois do prazo.  Claro que tem alguma coisa MUITO errada com a maneira que elas trabalham!  E eu tenho idéias pra obter resultados melhores!  Quero estudar pra poder elaborar, refinar, definir essas idéias.  E quero ter um status acadêmico porque é a única maneira de ser ouvido.
Meu objetivo quando voltar ao Brasil é me formar, fazer uma especialização e ser professor – se possível na boa e velha ULBRA, onde eu estudo.  Se eu puder fazer alguma pesquisa, OK, fico só na Universidade.  Senão, quero ser professor tipo 20 horas e trabalhar com consultoria – Modelagem de Negócios, Análise de Sistemas, Liderança de Equipes de Desenvolvimento...
Mas uma motivação bem forte veio das minhas filhinhas.  A mais moça (15 anos) falava em estudar no Exterior, mas tinha medo.  Eu resolvi mostrar pra ela que não é nenhum bicho de sete cabeças, que não precisa ser gênio, é só se aplicar nos estudos.  Nesse momento, no nosso País, as portas estão abertas pra esse tipo de experiência.  A mais velha (30 e poucos) começou uma faculdade e parou, se formou Técnica em Enfermagem, trabalha com isto.  Depois que eu vim pra cá, ela decidiu que vai voltar pra faculdade! J
Eu vim pra crescer como profissional, pra expandir o meu mundo.  Mas também pra mostrar pra gurizada toda – filhos, amigos, colegas da faculdade – que dá pra fazer.  Que eles podem vir também.

3-      O que você estudou detalhadamente, nos EUA?
Estou fazendo em 4 “courses” – Introduction to Computing Science, Enterprise Information Systems, Software Design Project e Programming Technics with Big Data.
E, como eu já falei pra vocês, tudo isso é visto em profundidade.
Semestre que vem tenho que fazer mais 4 courses.  A minha carga horária semanal tem que ser no mínimo 36 horas de estudo, para manter o meu status de estudante em tempo integral e portanto manter o VISA J-1 que me permite ficar nos States.
 
4-      A profissão de programador te influenciou de algum modo na vida pessoal?
Pôs olhem, gurias, eu digo muitas vezes que “o ferreiro molda o ferro mas o ferro também molda o ferreiro”.  Sim, a minha profissão me influenciou, sem dúvida nenhuma!  Verdade que quando eu comecei a trabalhar com programação, em 1975, eu “me achei”, senti que era feito praquilo mesmo.  Mas sem dúvida a profissão acentuou traços da personalidade e comportamentos.  Por exemplo, eu sempre sei quanto dinheiro tenho no bolso e no banco.  Tenho controles de tudo, anoto os gastos e sei o percentual de tipo de gasto onde uso meu dinheiro.  Estou sempre lendo sobre eficiência, sobre gerenciamento do tempo. Sou meio obcecado por achar a maneira mais eficiente de fazer as coisas – qualquer coisa.  Isso vai até os meus passatempos, como me exercitar – me exercito de acordo com planos que eu monto e controlo.  Eu também sou um bom dono de casa, cozinho, lavo, varro – e numa fase em que, por problemas de doença na familia, eu era o responsável pela casa (trabalhava, estudava e cuidava da casa, até hoje não sei como fiz isso), eu montei um sistema de gerenciar as compras de mantimentos e as refeições – eu e minha filha nos reuníamos, montávamos o cardápio pra semana – planejar pra semana nos permitia ter uma alimentação mais equilibrada – e íamos ao super não com uma lista de compras, mas com uma lista de pratos que íamos preparar.  Comíamos muito bem, comida gostosa e saudável, e gastávamos menos que antes de usar o “sistema”! J  E como eu tinha o cardápio da semana toda, algumas coisas eu podia cozinhar no fim de semana e congelar, depois era só botar no microondas e comer!
Ah, já ia esquecendo de falar – nessa época eu bolei uma rotina que me permitia arrumar a casa e me exercitar poupando tempo!  Tipo, faz 20 apoios, e enquanto eu recupero o fôlego eu varro metade da sala.  Faz 10 barras, e enquanto eu recupero o fôlego termina de varrer a sala.  Eficiência, gerenciamento do tempo!  Funcionava muito bem!  J  Ainda faço isso aqui no apartamento.
Também bolei uma “stand-up workstation” – ou seja, um jeito de trabalhar de pé, pra aliviar minhas costas.  Custo zero – é só botar umas caixas de papelão em cima da escrivaninha e botar o laptop em cima!  Quando eu trabalhei em home-office, trabalhava de pé pela manhã e sentado à tarde.   Alivia a coluna e as pernas!  Se a gente não usar a lógica, se guiar pelo “senso comum”, descarta esse tipo de idéia como “loucura”.  Mas se faz sentido pela lógica, se traz benefícios, pra um programador não importa que pareça estranho!

5-      Se poder, nos explique empresa de desenvolvimento de softwares e consultoria.
Bah, meninas, olhem o site da minha empresa – www.ppai.com.br.
O meu produto principal são “sistemas customizados”.  Sistemas que atendem um nicho de mercado que não tem “pacotes” prontos – ou para o qual os “pacotes” não atendem às necessidades dos meus clientes.
Em um negócio “completo”, em que o cliente compre tudo que eu tenho pra oferecer, a parte de “consultoria” começa com a Modelagem dos Processos de Negócio.  Uso BPMN pra levantar e registrar os processos como são no momento.  Geralmente esse levantamento resulta em possibilidades de otimização dos processos.  Não estamos ainda falando de TI, estamos falando de processos de negócio, então a cultura da empresa tem que ser levada em conta pra qualquer alteração que se cogite.  Uma vez que se tenha definidos os processos de negócios, pode-se pensar em desenvolver um Sistema de Informação que suporte esses processos.  Normalmente faço isso com diagramas UML – Casos de Uso, Atividades, Estados  – para definir lógicamente o sistema.  Para os principais Casos de Uso, deve-se também definir o formato de interface de usuário.  Depois se define qual ferramenta vai ser utilizada.  Isso depende do porte do sistema, de quanto dinheiro o cliente quer gastar, e também da cultura da empresa.  Se os caras só trabalham com software livre, não vamos querer construir um sistema com Microsoft .Net.  O próximo passo é projetar físicamente o sistema – especificação técnica.  Costumo começar por um diagrama E-R e Diagramas de Classes, talvez Diagramas de Sequencia. 
Durante todo esse processo, é ESSENCIAL que o cliente esteja envolvido no processo.  Quem vai usar o sistema tem que estar sendo ouvido o tempo todo, os executivos responsáveis pelo projeto tem de dar e receber feedback constante.  Sem o envolvimento dos usuários não há sistema que funcione!
E temos que aceitar a verdade que a Metodologia Ágil prega – “não é possível levantar TODOS os requisitos”.  Temos que aceitar isso.  Não dá pra esperar saber TUDO sobre o sistema antes de começar a produzir software.  É preciso conviver com alguma incerteza.  Quanta incerteza?  Bom, aí entra, eu acho, o feeling do profissional experiente, que consegue se inteirar de tudo que é importante, de tudo que é relevante para a arquitetura da solução a ser construída, e deixar para depois os detalhes que não afetam a arquitetura, que são só questão de detalhamento de recursos do sistema.
Além da documentação, pode-se ao mesmo tempo construir protótipos da aplicação.  Eu gosto muito do MS-Access pra isso.  Pode-se construir todo o banco de dados – e migrar tudo depois pra Oracle ou SQL Server com a maior facilidade, pode-se criar um interface de usuário funcional, para que os clientes experimentem, analisem e sugiram melhoramentos...  Os clientes entendem muito melhor um protótipo do que qualquer documentação.
Feito isso... é começar os Sprints!  Definir o sprint backlog, construir, testar, homologar, colocar em produção.  O ideal é de 15 em 15 dias entregar novos componentes de software funcionando.
Bom, isso é a parte técnica.  E quanto ao dinheiro?  Bom, meninas, se eu fosse bom no gerenciamento financeiro, eu estaria rico! J  Mas o ideal, o que eu faço com os clientes que me conhecem, é dar uma estimativa geral das horas-homem que o projeto vai tomar, dar um preço por hora-homem, e – aprovado isso – tocar o barco.
Quando o cliente não me conhece, geralmente ele não topa o esquema horas-homem.  Daí eu coloco um valor pra cada tela e um valor pra cada relatório.  À medida que o sistema vai ganhando mais telas e mais relatórios, eu acrescento um “percentual de complexidade” em em cima dos valores – porque eu presumo que “embaixo” de muitas telas e muitos relatórios vai haver um mecanismo cada vez mais complexo pra fazer eles funcionarem harmonicamente.  Assim, se o cliente decidir que não quer mais um relatório, ou que quer uma tela a mais, a gente não tem que renegociar nada – o preço foi definido em relação ao número de objetos que eu vou construir. 
Se a gente não usar a metodologia “cascata” – e ninguém mais usa isso hoje em dia – esse é o único jeito de trabalhar. 

6-      Como é trabalhar com programação nos dias de hoje?
Olha, a base é como sempre foi.  O principal fundamento é lógica de programação, dominar algoritmos.  Tem que entender e dominar o paradigma das linguagens de programação que usa – procedurais, orientadas a objeto, funcionais...  Tem gente que fala que pra começar a usar uma nova linguagem é muito fácil, é só aprender a sintaxe.  Pode ser e pode não ser.  É só aprender a sintaxe quando a gente já conhece o paradigma da nova linguagem.  Tipo, se eu sei Basic, aprender Python é muito fácil.  Mas pra quem trabalha com ASP “clássico”, aprender Java não é só aprender sintaxe, tem que aprender a Orientação a Objetos!  E pra aprender a usar – corretamente – Java Script, tem que entender o paradigma de uma linguagem orientada a funções! 
Essas diferenças eu acho que são muito subestimadas nos dias de hoje.  Tem muita gente programando em meia-dúzia de linguagens, e não sabendo nenhuma a fundo.  SQL, então, é muito mal usado, vejo esquemas de bancos de dados que não seguem as formas normais, a rigor nem são bancos de dados, são “amontoados de tabelas”.  E as consultas então...  Funcionam, funcionam enquanto tem meia dúzia de usuários acessando teu web site, mas não tem performance, não tem escalabilidade...  Bota cem criaturas penduradas no teu site e tu vais ter um “denial of service”!
Nesse ponto eu sou conservador, acho que tem que respeitar as ferramentas, se dedicar a aprender bem algumas, e não tentar usar toda novidade que aparece.  Se tem necessidade, se vai permitir fazer alguma coisa que a ferramenta atual não oferece, OK, vamos pegar a novidade.  Senão, melhor se aprofundar no que está usando, pra usar cada vez melhor.

7-      Como ter sucesso na sua profissão?
O que é sucesso?  Acho que varia de pessoa pra pessoa.   O meu sucesso é resolver os problemas dos meus clientes.  É chegar numa empresa onde todo mundo está stressado, preocupado, e quando eu termino o meu trabalho está todo mundo contente.  E, claro, conseguir ganhar a minha vida com isso.  Eu tenho a maior satisfação no fato de ter um bom relacionamento com todos os meus ex-funcionários e todos os meus ex-clientes.   Isso é essencial pra mim.  Fazer negócios que sejam bons pra todos os envolvidos; eu e minha equipe levamos pra casa o dinheirinho do leite das crianças, dividido entre nós numa base justa, e os clientes tem seus problemas resolvidos.
Sucesso pra mim também é ser técnicamente competente e não parar de aprender nunca.  E fazer isso em grupo, em colaboração com colegas, aprender juntos, forjar laços, ajudar uns aos outros.
Finalmente – ter boa reputação no mercado, pra poder escolher meus clientes.  Não trabalhar pra companhias de cigarros, ou bebidas alcoólicas, ou junk food, por exemplo.  Porque eu não apóio essas coisas, não quero trabalhar pra favorecer uma coisa que eu não apóio. 

8-      Se não for muito pessoal, qual o salário de um programador nos dias de hoje?
Bah, gurias, varia muito.   Tem uns caras-de-pau querendo contratar programador qualificado por 1500 reais.   Não sei bem porque, mas me parece que o pessoal do PHP tá mais exposto a essa exploração.  Não tem sentido, porque a ferramenta é boa!
Eu acredito que esse tipo de exploração tem que ser boicotado, que a gente tem que buscar alternativas, se organizar em cooperativas, trabalhar como autônomo, evitar ao máximo aceitar esses empregos.  Não nos qualificamos pra ficar ganhando salário de fome, ficar usando a nossa capacidade pra encher o bolso de sanguessugas!
Felizmente o normal é bem acima disso.  As melhores empresas pagam mais de 4000.  Creio que se tu tiveres algum tempo de casa numa Dell ou HP da vida, isso dobra ou quase dobra.  Meu último emprego como Consultor dava 6000 por mês.  Mas eu sei que isso era acima da média do mercado. 
Eu “acho” que essa média hoje seria...  entre 3 e 4 mil reais pra desenvolvedores bons em Java ou em C#.

9-      O que fez o senhor se interessar por programação?
Bom, essa história eu conto num dos posts do meu blog.  Vejam lá.  Eu era guri, 18 anos, operador de máquina de contabilidade, e acabei sendo contratado por uma empresa de processamento de dados.

10-   Como foi o seu primeiro contato com a programação?
Olha, com “programação” em geral acho que foi nas máquinas de contabilidade mesmo.  Era uma programação muito primitiva, uma coisa física, a gente trocava partes mecânicas da máquina pra alterar o lugar onde o débito, o crédito e o saldo eram impressos nos nossos livros fiscais.  Quando eu passei a trabalhar com computação mesmo, num Centro de Processamento de Dados, eu fazia uma programação mais avançada nas máquinas que gravavam os diskettes com os dados de entrada dos sistemas.  A gente tinha que ter conhecimento da organização física do disco, trilhas, setores, pra poder preparar a informação.
E nesta mesma empresa o pessoal achou que eu tinha jeito pra coisa, fiz um curso de programação COBOL ministrado pela empresa com apoio da IBM, virei estagiário de programação...  e não parei mais, desde 1975!

11-   Como foi a sua trajetória de estudos, para chegar onde chegou e ser um programador reconhecido?
Olha, o meu primeiro curso foi COBOL, curso interno, da empresa.  Eu tinha Ensino Médio, comecei a trabalhar muito cedo, com 15 anos, na época nem existia faculdade de Computação, os que tinham bacharelado eram engenheiros, administradores, matemáticos...  E eu aprendi a programar e fui burro o bastante pra pensar que não precisava de faculdade.  Quando me dei conta do meu erro, já tinha família pra sustentar; estudar significaria privar-me e privar a familia de vários confortos.  Fiz a escolha errada.
Fui autodidata por 30 anos.  Depois do COBOL, aprendi FORTRAN IV – esse eu fiz curso também.  Basic eu aprendi sozinho.  dBase III e Clipper, também aprendi sozinho.  Depois paguei as contas por muito tempo usando MS-Access com Visual Basic for Applications, que também aprendi sozinho.  Aí foi a vez de aprender Oracle e MS-SQL Server – também autodidata.  Chegou a hora do .Net – primeiro VB.Net, depois C#.  Fiz curso de .Net na Sisnema e tenho Certificação Microsoft, mas quando eu fui fazer o curso eu já trabalhava com .Net há um bom tempo – eu mesmo me ensinei.  Esse foi sofrido.  Virei noites em claro.  Porque tinha mudado o paradigma, né gurias, .Net é orientado a objeto!  Comecei no .Net fazendo aplicações pra Desktop, depois aprendi a usar .Net para aplicações Web – aprendi dando manutenção pra uma aplicação Web!
Mas é como eu disse, eu cansei de ser “o cara que aprendeu na prática”.  Sei que as minhas opiniões vão ser muito mais levadas em conta, vou ser muito mais valorizado, se eu tiver graus acadêmicos pra garantir a minha proficiência.   E é justo que assim seja, porque a faculdade está  me ensinando muito!
Em 2008 eu... “hibernei” a minha empresa e voltei a trabalhar como empregado.  Isso me deu tempo pra, em 2009, começar o bacharelado em Sistemas de Informação.  Mais um ano, no máximo, depois que voltar ao Brasil, e eu me formo.
E eu sempre digo pros mais jovens – não façam como eu fiz, estudar depois de velho não é a melhor coisa, a minha vida foi – e é – cheia de coisas boas, mas teria sido melhor se eu tivesse priorizado os estudos na época certa! 
Mas eu ainda estou em marcha, meninas... Ainda estou em marcha! J



Desde já, agradecemos pela sua colaboração! 
Atenciosamente, Eduarda e Gabrielli .

Gurias, se quiserem saber um pouco mais das coisas que eu tenho feito, olhem a lista dos meus sites no Google.  Está em https://sites.google.com/site/pedropereirasites/ .  Lá tem links pra um site sobre .Net que eu montei quando era instrutor no SENAC, pra um site de “temas pra casa” que eu montei a partir do que cursei na ULBRA... Tem até um “tema de matemática” que eu ajudei minha filhinha a fazer e coloquei num site! J

Tem também um artigo que a ULBRA publicou sobre a minha vinda...

Acho que ver meu Linkedin vai esclarecer vocês bastante!

E o site da minha empresa - http://www.ppai.com.br/ .


Vocês podem olhar também essas coisinhas que eu postei no meu blog (não é um blog pessoal, é um blog de “tema pra casa”, coisa que tem muito muito MUITO aqui):

Trecho: “I shall also say that after 30 years working with Software Development, I started a major in Information Systems at ULBRA (Universidade Luterana do Brasil) in 2009.  I´m in United States for one year to attend some courses related with my major and then I´ll be back to Brazil to graduate.

Trecho: “Or we could think of office applications.  When I was young, I was a very good typist.  My first job (I was 14 or 15 years old) was in a public notary office, and we notary officers were known as top-level typists.  As a matter of fact, we had to restrain our speed to avoid “cramming” the types of our mechanical typewriters!  But now I don’t know if I’d be able to type a letter using a typewriter – so used I am to be able to correct mistakes, re-organize sentences and even the whole text, and all the other resources that text editors made available!
SKYPE
But, as an International Student, I think that an application which started as a “Voice over Internet Protocol using a Peer-to-Peer Communication Network” tool, around 2003, is the technology that I must focus in this article.  Yes, I use it to do business.  Yes, I use it to academic activities.  And, above it all, it allows me to be with my family.  I can not just type messages, not just talk with them, I can see them.  We can kind of “visit” each other, like one of these days when I just put my laptop, with the webcam turned on, in the kitchen and kept chatting with my daughter while cooking my dinner.  Or we can just let the connection open, the webcams turned on, and do our different stuffs, from time to time commenting anything that comes to our heads, feeling as we were together, in the same room.  No, it doesn’t “heals” homesickness, but surely is a lot better than a phone call, or just a letter each week.
I really must be grateful to Janus Friis (he is from Denmark and, coincidentally, I have relatives in Denmark and do use Skype to talk to them!) and Niklas Zennström (Sweden), who, in collaboration with the founders of Kazaa (a peer-to-peer file sharing application), created Skype!  The name of the project derives from the words “sky” and “peer”.

Trecho: “That’s an interesting question, since I’m old, and I’ve lived in a world not just without Internet, but without personal computers!
Well, I´ve lived in a world without computers, period!  J
My first contact with computers was around 1972.  I worked in the accounting department of a large chain of stores in Brazil, and we in the Pelotas (a city near the State´s capital) branch received some reports – inventory position, sales summaries, etc. – from the headquarters in Rio de Janeiro.  “These reports were printed by a computer, ooooh!”   But I had never seen a computer – neither none of my colleagues, I think.
Then in 1975 a new company was established in Pelotas (check the map below, or at Google - https://www.google.com/maps/place/Pelotas+-+RS,+Brazil/@-5.6312841,-102.7326842,3z/data=!4m2!3m1!1s0x95104991ad796447:0x99bab4aec1bd644f ), and it brought an “electronic brain” to the city!  And since accounting machines were the stuff most similar to computers in town, I have been hired.  I was 19, with no formal training in computing, none at all.  I attended an in-house COBOL programming course and became an intern programmer.
Bom, gurias, se tiverem tempo leiam esse post todo.  Creio que pode ser bem proveitoso.  Eu conto histórias lá de 1975, quando comecei a trabalhar com programação, e também coisas do ano passado e retrasado, quando trabalhei remoto, em home-office, pra uma companhia americana.

Vocês também podem dar uma olhada no meu Face - https://www.facebook.com/pedrofrancisco.pereira .
Eu conto muito da minha vida aqui nos meus posts.
Tem muita coisa lá de fotinho, de neve, de frio...  Até fotinho do meu quarto tem!  Muitos dos guris vão pra dormitório, mas eu tive sorte e reparto apartamento com mais três estudantes, dormimos em beliches.  Tem fotinho da comidinha brasileira que eu faço de vez em quando, do meu primeiro (e único, até agora) jogo de futebol americano (eles ficam bem loucos com isso!)...
Também tem muita partilha dos meus sentimentos, que as circunstâncias aqui seguidamente tornam muito intensos...
E também tem coisas da vida acadêmica.
Acho que se browsearem lá vão achar alguma coisa útil – e talvez até se divirtam um pouco!



Por exemplo, esse, do dia 14 de novembro:
Em casa. Estudando, ouvindo música, fazendo uns exerciciozinhos de tempos em tempos pra não ficar sonolento. Feijão e arroz no fogo, não quero gastar tempo indo no refeitório. Mas uso algum tempo pensando, não só nos estudos, na vida em geral. Eu tive uma percepção que o fato de ter assistido filme - em casa, como "diversão" - pela primeira vez aqui, sexta passada, tinha um significado. E hoje comecei a entender esse significado. Primeiro, o contexto: eu vi o meu primeiro filme no computador depois de passar algumas horas chafurdando em saudade, ouvindo a trilha sonora de um filme que eu vi com meu bebezinho Ana Valéria quando ela era pequena, chorando até ficar cansado e com os olhos inchados como se tivesse levado um soco bem dado em cada um. Parece que foi preciso isso pra que eu aceitasse que por agora não posso fazer nada a respeito dessa saudade, dessa distãncia, a não ser aceitar. Só por hoje, tudo que eu posso fazer é aceitar. Tive essa percepção antes mesmo de ter consciência disso. E assisti "Lone Ranger".  Hoje, bem confortável aqui no apartamento, sozinho, ouvindo música alto, cozinhando, estudando com calma e sem stress, estou tendo um bom dia. E percebi a minha resistência em ter um bom dia! Comecei a entender aqueles imigrantes que só falam a lingua do pais natal em casa - como muitos dos imigrantes alemâes, italianos e japoneses fizeram no Brasil, como os latinos fazem aqui. Ou "acho" que comecei a entender. No meu caso, sinto culpa! Eu me sinto culpado quando aprecio as coisas boas daqui! Como se eu estivesse traindo o Brasil, como se eu estivesse traindo os laços com as pessoas que eu amo! Mas estou despertando pra realidade que apreciar um lugar não significa - de forma nenhuma - deixar de amar outro. Fazer novos amigos não significa esquecer os antigos. Sim, eu percebo o dilema - daqui por diante, onde quer que eu esteja, estarei sentindo saudade de alguém. Mas isso não quer dizer que "caí numa armadilha", que tenho uma carga a suportar. Quer dizer sim que a vida está me dando uma grande dádiva, a riqueza de carregar no meu coração amigos e lembranças de várias partes do mundo! Se a saudade é o preço, eu o pago de boa-vontade. E agradeço! 
Eu resolvi o meu problema de me sentir culpado por estar me adaptando aqui, por estar apreciando a vida aqui? Ainda não. Sinto que não é só culpa, é medo. Quando aprecio a vida aqui, em algum lugar do meu coração sinto um medo terrível de me afastar dos meus bebês queridos. E a primeira reação é me voltar pro meu mundo interior, onde estou bem próximo dos meus bebezinhos, e virar as costas ao mundo real que está me rodeando. Mas essa não é a solução! Porque eu estou aqui, afinal? Não é pra mostrar aos bebês - e aos meus colegas de faculdade, a todos os jovens brasileiros, em certa medida - que a vida pode ser mais ampla do que imaginávamos? Que, ao menos só por hoje, neste momento da história do mundo e do nosso país - os portões do mundo estão abertos para nós, mesmo que não sejamos pessoas ricas? Então! Eu não estou aqui pra sofrer! Eu estou aqui pra correr atrás dos meus objetivos - e pra viver! Me adaptar, conhecer, fazer novos amigos! A minha mensagem não precisa ser, não deve ser "se vocês estiverem dispostos a sofrer muito, vocês podem estudar no exterior!". Eu quero que seja "Vocês podem estudar no exterior, vão enfrentar muitos desafios, mas vale a pena, porque vão aprender muito, vão crescer como profissionais e como pessoas, vão ter muitas alegrias!"
Então, queridos, eu renovo minha disposição e minha vontade de me adaptar aqui, de viver bem aqui, conhecer novas pessoas, sentir afeição por muitas delas - em duas palavras, ter sucesso e ser feliz. Eu sei que é isso que vocês meus amores aí no Brasil querem pra mim também. Ficar bem aqui não é traição, não é me afastar de vocês - é ser fiel a vocês.
Amo meu país, amo meus bebezinhos queridos, e é esse amor que vai me manter na direção certa - buscar o sucesso e a felicidade aqui, como faria no Brasil, como farei no Brasil quando voltar.
Obrigado por me ouvir, obrigado por estar comigo! Beijos!

Talvez gostem de um do dia 31 de outubro...
Resultado de meia hora na cama, viajando, naquele estado de "não sei se já acordei ou ainda estou dormindo": levantei e fiz os rabiscos abaixo. Que resumem uma idéia de como construir uma solução heurística e recursiva para um problema proposto: encontrar uma rota de múltiplas (número indeterminado) de conexões entre aeroportos sem voos diretos. Interessante principalmente por ser um tema relacionado ao clássico "Problema do Caixeiro Viajante".

A “Palestra do Tempo”, no dia 23 de outubro, foi divertida também!

Ah, no dia 16 de outubro eu faço um comentário sobre uma aula e incluo um link sobre um site que eu criei há um bom tempo atrás, quando eu era instrutor no SENAC!



11 de agosto eu tava pegando as malas... Cheguei aqui dia 13.  Partilhei no Face alguma coisa das minhas impressões...




Charqueadas, Novembro de 2014.