Saturday, January 17, 2015

14-nov-2014, o dia em que fiz as pazes com a saudade - e entendi os imigrantes!

Pois é, galera, estava eu revisando anotações e achei esse texto, aí, que eu tinha postado no Facebook em dia 14 de novembro (2014).  Achei que valia a pena partilhar.

Em casa. Estudando, ouvindo música, fazendo uns exerciciozinhos de tempos em tempos pra não ficar sonolento. Feijão e arroz no fogo, não quero gastar tempo indo no refeitório. Mas uso algum tempo pensando, não só nos estudos, na vida em geral. Eu tive uma percepção que o fato de ter assistido filme - em casa, como "diversão" - pela primeira vez aqui, sexta passada, tinha um significado. E hoje comecei a entender esse significado. Primeiro, o contexto: eu vi o meu primeiro filme no computador depois de passar algumas horas chafurdando em saudade, ouvindo a trilha sonora de um filme que eu vi com meu bebezinho Ana Valéria quando ela era pequena, chorando até ficar cansado e com os olhos inchados como se tivesse levado um soco bem dado em cada um. Parece que foi preciso isso pra que eu aceitasse que por agora não posso fazer nada a respeito dessa saudade, dessa distãncia, a não ser aceitar. Só por hoje, tudo que eu posso fazer é aceitar. Tive essa percepção antes mesmo de ter consciência disso. E assisti "Lone Ranger".  Hoje, bem confortável aqui no apartamento, sozinho, ouvindo música alto, cozinhando, estudando com calma e sem stress, estou tendo um bom dia. E percebi a minha resistência em ter um bom dia! Comecei a entender aqueles imigrantes que só falam a lingua do pais natal em casa - como muitos dos imigrantes alemâes, italianos e japoneses fizeram no Brasil, como os latinos fazem aqui. Ou "acho" que comecei a entender. No meu caso, sinto culpa! Eu me sinto culpado quando aprecio as coisas boas daqui! Como se eu estivesse traindo o Brasil, como se eu estivesse traindo os laços com as pessoas que eu amo! Mas estou despertando pra realidade que apreciar um lugar não significa - de forma nenhuma - deixar de amar outro. Fazer novos amigos não significa esquecer os antigos. Sim, eu percebo o dilema - daqui por diante, onde quer que eu esteja, estarei sentindo saudade de alguém. Mas isso não quer dizer que "caí numa armadilha", que tenho uma carga a suportar. Quer dizer sim que a vida está me dando uma grande dádiva, a riqueza de carregar no meu coração amigos e lembranças de várias partes do mundo! Se a saudade é o preço, eu o pago de boa-vontade. E agradeço! 
Eu resolvi o meu problema de me sentir culpado por estar me adaptando aqui, por estar apreciando a vida aqui? Ainda não. Sinto que não é só culpa, é medo. Quando aprecio a vida aqui, em algum lugar do meu coração sinto um medo terrível de me afastar dos meus bebês queridos. E a primeira reação é me voltar pro meu mundo interior, onde estou bem próximo dos meus bebezinhos, e virar as costas ao mundo real que está me rodeando. Mas essa não é a solução! Porque eu estou aqui, afinal? Não é pra mostrar aos bebês - e aos meus colegas de faculdade, a todos os jovens brasileiros, em certa medida - que a vida pode ser mais ampla do que imaginávamos? Que, ao menos só por hoje, neste momento da história do mundo e do nosso país - os portões do mundo estão abertos para nós, mesmo que não sejamos pessoas ricas? Então! Eu não estou aqui pra sofrer! Eu estou aqui pra correr atrás dos meus objetivos - e pra viver! Me adaptar, conhecer, fazer novos amigos! A minha mensagem não precisa ser, não deve ser "se vocês estiverem dispostos a sofrer muito, vocês podem estudar no exterior!". Eu quero que seja "Vocês podem estudar no exterior, vão enfrentar muitos desafios, mas vale a pena, porque vão aprender muito, vão crescer como profissionais e como pessoas, vão ter muitas alegrias!"
Então, queridos, eu renovo minha disposição e minha vontade de me adaptar aqui, de viver bem aqui, conhecer novas pessoas, sentir afeição por muitas delas - em duas palavras, ter sucesso e ser feliz. Eu sei que é isso que vocês meus amores aí no Brasil querem pra mim também. Ficar bem aqui não é traição, não é me afastar de vocês - é ser fiel a vocês.
Amo meu país, amo meus bebezinhos queridos, e é esse amor que vai me manter na direção certa - buscar o sucesso e a felicidade aqui, como faria no Brasil, como farei no Brasil quando voltar.
Obrigado por me ouvir, obrigado por estar comigo! Beijos!

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