Me senti na obrigação de escrever este post porque Aristóteles
é leitura obrigatória para estudantes de Filosofia, Ciëncias Sociais, e outros
cursos de Humanidades.
Entendo que é importante conhecer a História da Filosofia.
Mas considero essencial que se faça aos leitores –
principalmente aos jovens! – uma séria advertência – ARISTÓTELES ERA UM FILHA
DA PUTA! Além disto, suas idéias não são
mais do que um embrião – um aborto? – de Filosofia ou de Sociologia.
O estudo que faz sentido é o estudo de Aristóteles como
História, não como Filosofia!
Para ser bem honesto, tenho que esclarecer que não li toda a
obra de Aristóteles – nem pretendo, pois como acadêmico de Ciências Sociais,
tenho uma agenda extensíssima de leituras, das quais 99.99 por cento é mais
valiosa que as obras de Aristóteles! Mas
li sua “Política” (disponível gratuitamente em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bk000426.pdf
, em Espanhol).
Os comentários que faço abaixo baseiam-se nesta obra.
Usei apenas os capítulos iniciais não porque a obra seja
excessivamente extensa, mas porque analisar os capítulos iniciais basta para
fundamentar a minha afirmação: Aristóteles era um filha da puta, escravagista,
machista, xenófobo, nazista.
Vamos ao ponto, então.
Na página 10 da Política, conforme publicada no site DominioPublico.gov.br
(ver link acima), Aristóteles declara que
“La naturaleza,
teniendo en cuenta la necesidad de la conservación, ha creado a unos seres para
mandar y a otros para obedecer. Ha querido que el ser dotado de razón y de
previsión mande como dueño, así como también que el ser capaz por sus
facultades corporales de ejecutar las órdenes, obedezca como esclavo, y de esta
suerte el interés del señor y el del esclavo se confunden. La naturaleza ha
fijado, por consiguiente, la condición especial de la mujer y la del esclavo.
La naturaleza no es mezquina como nuestros artistas, y nada de lo que hace se
parece a los cuchillos de Delfos fabricados por aquéllos. En la naturaleza un
ser no tiene más que un solo destino, porque los instrumentos son más perfectos
cuando sirven, no para muchos usos, sino para uno solo. Entre los bárbaros, la
mujer y el esclavo están en una misma línea, y la razón es muy clara; la
naturaleza no ha creado entre ellos un ser destinado a mandar, y realmente no
cabe entre los mismos otra unión que la de esclavo con esclava, y los poetas no
se engañan cuando dicen: Sí, el griego tiene derecho a mandar al bárbaro,
puesto que la naturaleza ha querido que bárbaro y esclavo fuesen una misma cosa
.”
Tudo isto é um amontoado de canalhices e absurdos, palavra
por palavra. Vou destacar apenas alguns
trechos, ou este post não teria fim.
Neste pequeno trecho, Aristóteles declara-se escravista,
machista e xenófobo, senão vejamos:
A natureza quer que o
ser dotado de razão mande, e o que o ser capaz de executar as ordens obedeça!
No caso, Aristóteles era o “ser dotado
de razão”. Dotado também de armas e de
uma milícia de aristocratas para exterminar qualquer escravo rebelde! Mas não basta a este aristocrata dominar pela
força, viver em ócio às custas do trabalho escravo! Ele quer também nos convencer de que isto é “uma
criação da natureza”. E como a força não
traz a submissão completa – o submetido estará sempre à espera de uma ocasião para
revoltar-se – Aristóteles procura, com sua nefasta “filosofia”, a) a
justificação, em termos éticos, desta situação de injustiça e b) o convencimento
do escravo de que a escravidão é “para o seu próprio bem” – convencimento que,
se obtido, materializa a dominação no nível mais profundo, não mais pela
submissão do corpo pela força, mas do próprio espírito do dominado pela
ideologia do dominante!
A natureza fixou,
portanto, a condição especial da mulher e do escravo! Não sei nem o que comentar disto! Deixo a quem puder a defesa da tese de que a
mulher é intrinsecamente um ser inferior, um “tipo especial de escravo”.
Sim, o grego tem
direito a mandar no bárbaro, desde que a natureza quis que o bárbaro e o
escravo fossem a mesma coisa!
Tenha-se em conta que “bárbaro” significava “não-grego”, ou seja,
estrangeiro. Que posição poderia ser mais etnocêntrica e
xenófoba do que esta, de que todos os não-gregos são inferiores e feitos para a
escravidão?!
Defensores de Aristóteles poderão dizer que este posicionamento
ideológico era o único possível na época em que ele viveu, ou pelo menos que
era generalizado. Não é verdade, e o próprio
Aristóteles nos diz que não. Vejamos
outro trecho. Na página 12 da publicação
citada, temos que
“Se sostiene, por una
parte, que hay una ciencia, propia del señor, la cual se confunde con la del
padre de familia, con la del magistrado y con la del rey, de que hemos hablado
al principio. Otros, por lo contrario, pretenden que el poder del señor es
contra naturaleza; que la ley es la que hace a los hombres libres y esclavos,
no reconociendo la naturaleza ninguna diferencia entre ellos; y que, por
último, la esclavitud es inicua, puesto que es obra de la violencia .”
Ao afirmar que “outros, pelo contrário, defendem a idéia de
que o poder do senhor é contrário à natureza” e que “a escravidão é uma
injustiça e uma perversidade”, Aristóteles está nos provando que havia oposição
à escravidão na Grécia antiga, e que ele, Aristóteles, estava ciente dos
argumentos destes opositores. Apesar
disto, não concordava que a escravidão era “obra de violência e uma iniquidade”. Escravista, e escravista consciente.
Em que Aristóteles se distingue da repelente grei da escória
humana que defendeu a escravidão ao longo dos tempos? Que fez um Holocausto na África? Que fez a desgraça da América e do
Caribe? Escória humana, que não sei se
me desperta mais ódio, nojo ou horror – e da qual Aristóteles faz, sim, parte!
Alguma dúvida de que Aristóteles era um escravista tão
repelente quanto os que mais o possam ser?
Leia então este trecho (que pode ser encontrado mais adiante, na página
13 da obra citada):
“Por
lo demás, la utilidad de los animales domesticados y la de los esclavos son
poco más o menos del mismo género. Unos y otros nos ayudan con el auxilio de
sus fuerzas corporales a satisfacer las necesidades de nuestra existencia. La
naturaleza misma lo quiere así, puesto que hace los cuerpos de los hombres
libres diferentes de los de los esclavos, dando a éstos el vigor necesario para
las obras penosas de la sociedad, y haciendo, por lo contrario, a los primeros
incapaces de doblar su erguido cuerpo para dedicarse a trabajos duros, y
destinándolos solamente a las funciones de la vida civil, repartida para ellos
entre las ocupaciones de la guerra y las de la paz.”
Mas Aristóteles tem trechos que não são tão obviamente malignos,
e cuja leitura é por isto tanto mais perigosa para o leitor desprevenido. Vejamos o que ele diz nas páginas 12 e 13 da
obra citada:
“Por lo pronto, el ser
vivo se compone de un alma y de un cuerpo, hechos naturalmente aquélla para
mandar y éste para obedecer. Por lo menos así lo proclama la voz de la
naturaleza, que importa estudiar en los seres desenvueltos según sus leyes
regulares y no en los seres degradados. Este predominio del alma es evidente en
el hombre perfectamente sano de espíritu y de cuerpo, único que debemos
examinar aquí. En los hombres corruptos, o dispuestos a serlo, el cuerpo parece
dominar a veces como soberano sobre el alma, precisamente porque su
desenvolvimiento irregular es completamente contrario a la naturaleza. Es
preciso, repito, reconocer ante todo en el ser vivo la existencia de una
autoridad semejante a la vez a la de un señor y a la de un magistrado; el alma
manda al cuerpo como un dueño a su esclavo, y la razón manda al instinto como
un magistrado, como un rey; porque, evidentemente, no puede negarse que no sea
natural y bueno para el cuerpo el obedecer al alma, y para la parte sensible de
nuestro ser el obedecer a la razón y a la parte inteligente. La igualdad o la
dislocación del poder, que se muestra entre estos diversos elementos, sería
igualmente funesta para todos ellos. Lo mismo sucede entre el hombre y los
demás animales: los animales domesticados valen naturalmente más que los
animales salvajes, siendo para ellos una gran ventaja, si se considera su
propia seguridad, el estar sometidos al hombre. Por otra parte, la relación de
los sexos es aná- loga; el uno es superior al otro; éste está hecho para
mandar, aquél para obedecer.”
Este trecho não apenas mostra a filha-da-putice de
Aristóteles; põe também em evidência suas limitações como filósofo. O que é a alma? Esta pergunta tão rica e ampla não parece
ocorrer ao nosso “filósofo” nem por um segundo, a existência de uma “alma” não
é questionada e seus atributos são sequer mencionados. “Eu sei que a alma existe e como ela é, seus
idiotas, e isto me basta”, parece afirmar Aristóteles nas entrelinhas deste
texto!
Vamos traduzir esta “alma” como “mente”, para possibilitar
alguma análise racional, e veremos então que temos aqui uma série de idéias
perniciosas: a dicotomia entre mente e
corpo como um fato dado; a ‘corrupção’ do corpo; a superioridade da razão sobre
os sentimentos... Conceitos que sabemos
hoje em dia que são a origem de uma enorme gama de neuroses e doenças mentais,
assim como garantia de uma vida desajustada e infeliz.
Vejamos outro trecho que não é obviamente maligno, apenas...
estulto!
“No puede ponerse en
duda que el Estado está naturalmente sobre la familia y sobre cada individuo,
porque el todo es necesariamente superior a la parte, puesto que una vez
destruido el todo, ya no hay partes, ... “
Que magnífica incapacidade de enxergar um mundo diferente da
pequena comunidade onde vive! Para tal
grau de etnocentrismo, só posso aventar a hipótese de que foi gerado por uma
vida – por gerações – de vida em hegemonia social, que acabaram encerrando
nosso “filósofo” em uma “bolha”, um “mundo especial” e mágico onde só ele e sua
classe importam!
A coletividade é obrigatoriamente um Estado, sr.
Aristóteles? Tribos são Estados?
Sociedade é uma coisa, Estado é outra! Matricule-se em Sociologia I, sr.
Aristóteles!
Para ser justo, tenho que conceder que Aristóteles tem alguns
insights, nem tudo que diz é besteira.
Tem o mérito de ser pioneiro – ou o pioneiro que viemos a conhecer – em
obras que versam sobre sociologia. Mas
as besteiras que diz são tantas, e tão desarrazoadas, que me parecem denunciar
uma pessoa que intencionalmente evita expor-se a idéias diferentes das suas,
que nunca é questionado por evitar discutir com os que dele discordariam – e assim
afunda-se cada vez mais nos seus preconceitos e sandices. O que faz sentido, uma vez que ele era membro
de uma elite e muito provavelmente não tinha contato com ninguém fora dela.
Aristóteles pensa como um aristocrata – ou seja, racionaliza
verdadeiros absurdos, para justificar os privilégios de que desfruta.
Se faz isto inconscientemente, é um ingênuo – um canalha
ingênuo, talvez.
Se tem consciência da situação, e
faz propaganda visando conscientemente manter a hegemonia de que desfruta na
sociedade grega, então não é melhor que Goebbels[1], o
ministro da Propaganda de Hitler!
APÊNDICE:
Para ser justo, incluo como “Apëndice”
um trecho que me pareceu positivamente interessante, o insight de Aristóteles
sobre o “dinheiro”, na pag. 16 da obra citada:
“Esta
es la causa de que se suponga muchas veces que la opulencia consiste en la
abundancia de dinero, como que sobre el dinero giran las adquisiciones y las
ventas; y, sin embargo, este dinero no es en sí mismo más que una cosa
absolutamente vana, no teniendo otro valor que el que le da la ley, no la
naturaleza, puesto que una modificación en las convenciones que tienen lugar
entre los que se sirven de él, puede disminuir completamente su estimación y
hacerle del todo incapaz para satisfacer ninguna de nuestras necesidades. En
efecto, ¿no puede suceder que un hombre, a pesar de todo su dinero, carezca de
los objetos de primera necesidad?, y ¿no es una riqueza ridícula aquella cuya
abundancia no impide que el que la posee se muera de hambre?15. Es como el
Midas de la mitología, que, llevado de su codicia desenfrenada, hizo convertir
en oro todos los manjares de su mesa.”
Aqui temos um bom insight! Aristóteles se engana ao pensar que “o valor
do dinheiro vem da lei”, mas destaca muito bem que ele não tem valor intrínseco
– o que, apesar de óbvio, muitas vezes esquecemos por “naturalizarmos” o valor
do dinheiro.
O leitor poderá achar interessantes alguns
comentários que faço sobre o tema no meu
artigo “Crypto Currency”, que pode ser encontrado em http://pedropereiraksu.blogspot.com.br/2014/11/crypto-currency.html
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