Monday, May 01, 2017

ARISTÓTELES ERA UM FILHA DA PUTA!!!


Me senti na obrigação de escrever este post porque Aristóteles é leitura obrigatória para estudantes de Filosofia, Ciëncias Sociais, e outros cursos de Humanidades.
Entendo que é importante conhecer a História da Filosofia.
Mas considero essencial que se faça aos leitores – principalmente aos jovens! – uma séria advertência – ARISTÓTELES ERA UM FILHA DA PUTA!  Além disto, suas idéias não são mais do que um embrião – um aborto? – de Filosofia ou de Sociologia.
O estudo que faz sentido é o estudo de Aristóteles como História, não como Filosofia!

Para ser bem honesto, tenho que esclarecer que não li toda a obra de Aristóteles – nem pretendo, pois como acadêmico de Ciências Sociais, tenho uma agenda extensíssima de leituras, das quais 99.99 por cento é mais valiosa que as obras de Aristóteles!  Mas li sua “Política” (disponível gratuitamente em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bk000426.pdf , em Espanhol). 
Os comentários que faço abaixo baseiam-se nesta obra.
Usei apenas os capítulos iniciais não porque a obra seja excessivamente extensa, mas porque analisar os capítulos iniciais basta para fundamentar a minha afirmação: Aristóteles era um filha da puta, escravagista, machista, xenófobo, nazista.

Vamos ao ponto, então.  Na página 10 da Política, conforme publicada no site DominioPublico.gov.br (ver link acima), Aristóteles declara que

“La naturaleza, teniendo en cuenta la necesidad de la conservación, ha creado a unos seres para mandar y a otros para obedecer. Ha querido que el ser dotado de razón y de previsión mande como dueño, así como también que el ser capaz por sus facultades corporales de ejecutar las órdenes, obedezca como esclavo, y de esta suerte el interés del señor y el del esclavo se confunden. La naturaleza ha fijado, por consiguiente, la condición especial de la mujer y la del esclavo. La naturaleza no es mezquina como nuestros artistas, y nada de lo que hace se parece a los cuchillos de Delfos fabricados por aquéllos. En la naturaleza un ser no tiene más que un solo destino, porque los instrumentos son más perfectos cuando sirven, no para muchos usos, sino para uno solo. Entre los bárbaros, la mujer y el esclavo están en una misma línea, y la razón es muy clara; la naturaleza no ha creado entre ellos un ser destinado a mandar, y realmente no cabe entre los mismos otra unión que la de esclavo con esclava, y los poetas no se engañan cuando dicen: Sí, el griego tiene derecho a mandar al bárbaro, puesto que la naturaleza ha querido que bárbaro y esclavo fuesen una misma cosa .”

Tudo isto é um amontoado de canalhices e absurdos, palavra por palavra.  Vou destacar apenas alguns trechos, ou este post não teria fim.
Neste pequeno trecho, Aristóteles declara-se escravista, machista e xenófobo, senão vejamos:

A natureza quer que o ser dotado de razão mande, e o que o ser capaz de executar as ordens obedeça!  No caso, Aristóteles era o “ser dotado de razão”.  Dotado também de armas e de uma milícia de aristocratas para exterminar qualquer escravo rebelde!  Mas não basta a este aristocrata dominar pela força, viver em ócio às custas do trabalho escravo!  Ele quer também nos convencer de que isto é “uma criação da natureza”.  E como a força não traz a submissão completa – o submetido estará sempre à espera de uma ocasião para revoltar-se – Aristóteles procura, com sua nefasta “filosofia”, a) a justificação, em termos éticos, desta situação de injustiça e b) o convencimento do escravo de que a escravidão é “para o seu próprio bem” – convencimento que, se obtido, materializa a dominação no nível mais profundo, não mais pela submissão do corpo pela força, mas do próprio espírito do dominado pela ideologia do dominante!

A natureza fixou, portanto, a condição especial da mulher e do escravo!  Não sei nem o que comentar disto!  Deixo a quem puder a defesa da tese de que a mulher é intrinsecamente um ser inferior, um “tipo especial de escravo”.

Sim, o grego tem direito a mandar no bárbaro, desde que a natureza quis que o bárbaro e o escravo fossem a mesma coisa!  Tenha-se em conta que “bárbaro” significava “não-grego”, ou seja, estrangeiro.   Que posição poderia ser mais etnocêntrica e xenófoba do que esta, de que todos os não-gregos são inferiores e feitos para a escravidão?!

Defensores de Aristóteles poderão dizer que este posicionamento ideológico era o único possível na época em que ele viveu, ou pelo menos que era generalizado.  Não é verdade, e o próprio Aristóteles nos diz que não.  Vejamos outro trecho.  Na página 12 da publicação citada, temos que
“Se sostiene, por una parte, que hay una ciencia, propia del señor, la cual se confunde con la del padre de familia, con la del magistrado y con la del rey, de que hemos hablado al principio. Otros, por lo contrario, pretenden que el poder del señor es contra naturaleza; que la ley es la que hace a los hombres libres y esclavos, no reconociendo la naturaleza ninguna diferencia entre ellos; y que, por último, la esclavitud es inicua, puesto que es obra de la violencia .”

Ao afirmar que “outros, pelo contrário, defendem a idéia de que o poder do senhor é contrário à natureza” e que “a escravidão é uma injustiça e uma perversidade”, Aristóteles está nos provando que havia oposição à escravidão na Grécia antiga, e que ele, Aristóteles, estava ciente dos argumentos destes opositores.  Apesar disto, não concordava que a escravidão era “obra de violência e uma iniquidade”.  Escravista, e escravista consciente. 
Em que Aristóteles se distingue da repelente grei da escória humana que defendeu a escravidão ao longo dos tempos?  Que fez um Holocausto na África?  Que fez a desgraça da América e do Caribe?  Escória humana, que não sei se me desperta mais ódio, nojo ou horror – e da qual Aristóteles faz, sim, parte!

Alguma dúvida de que Aristóteles era um escravista tão repelente quanto os que mais o possam ser?  Leia então este trecho (que pode ser encontrado mais adiante, na página 13 da obra citada):
Por lo demás, la utilidad de los animales domesticados y la de los esclavos son poco más o menos del mismo género. Unos y otros nos ayudan con el auxilio de sus fuerzas corporales a satisfacer las necesidades de nuestra existencia. La naturaleza misma lo quiere así, puesto que hace los cuerpos de los hombres libres diferentes de los de los esclavos, dando a éstos el vigor necesario para las obras penosas de la sociedad, y haciendo, por lo contrario, a los primeros incapaces de doblar su erguido cuerpo para dedicarse a trabajos duros, y destinándolos solamente a las funciones de la vida civil, repartida para ellos entre las ocupaciones de la guerra y las de la paz.


Mas Aristóteles tem trechos que não são tão obviamente malignos, e cuja leitura é por isto tanto mais perigosa para o leitor desprevenido.  Vejamos o que ele diz nas páginas 12 e 13 da obra citada:
Por lo pronto, el ser vivo se compone de un alma y de un cuerpo, hechos naturalmente aquélla para mandar y éste para obedecer. Por lo menos así lo proclama la voz de la naturaleza, que importa estudiar en los seres desenvueltos según sus leyes regulares y no en los seres degradados. Este predominio del alma es evidente en el hombre perfectamente sano de espíritu y de cuerpo, único que debemos examinar aquí. En los hombres corruptos, o dispuestos a serlo, el cuerpo parece dominar a veces como soberano sobre el alma, precisamente porque su desenvolvimiento irregular es completamente contrario a la naturaleza. Es preciso, repito, reconocer ante todo en el ser vivo la existencia de una autoridad semejante a la vez a la de un señor y a la de un magistrado; el alma manda al cuerpo como un dueño a su esclavo, y la razón manda al instinto como un magistrado, como un rey; porque, evidentemente, no puede negarse que no sea natural y bueno para el cuerpo el obedecer al alma, y para la parte sensible de nuestro ser el obedecer a la razón y a la parte inteligente. La igualdad o la dislocación del poder, que se muestra entre estos diversos elementos, sería igualmente funesta para todos ellos. Lo mismo sucede entre el hombre y los demás animales: los animales domesticados valen naturalmente más que los animales salvajes, siendo para ellos una gran ventaja, si se considera su propia seguridad, el estar sometidos al hombre. Por otra parte, la relación de los sexos es aná- loga; el uno es superior al otro; éste está hecho para mandar, aquél para obedecer.”
Este trecho não apenas mostra a filha-da-putice de Aristóteles; põe também em evidência suas limitações como filósofo.  O que é a alma?  Esta pergunta tão rica e ampla não parece ocorrer ao nosso “filósofo” nem por um segundo, a existência de uma “alma” não é questionada e seus atributos são sequer mencionados.  “Eu sei que a alma existe e como ela é, seus idiotas, e isto me basta”, parece afirmar Aristóteles nas entrelinhas deste texto!

Vamos traduzir esta “alma” como “mente”, para possibilitar alguma análise racional, e veremos então que temos aqui uma série de idéias perniciosas:  a dicotomia entre mente e corpo como um fato dado; a ‘corrupção’ do corpo; a superioridade da razão sobre os sentimentos...  Conceitos que sabemos hoje em dia que são a origem de uma enorme gama de neuroses e doenças mentais, assim como garantia de uma vida desajustada e infeliz.

Vejamos outro trecho que não é obviamente maligno, apenas... estulto!
No puede ponerse en duda que el Estado está naturalmente sobre la familia y sobre cada individuo, porque el todo es necesariamente superior a la parte, puesto que una vez destruido el todo, ya no hay partes, ...
Que magnífica incapacidade de enxergar um mundo diferente da pequena comunidade onde vive!  Para tal grau de etnocentrismo, só posso aventar a hipótese de que foi gerado por uma vida – por gerações – de vida em hegemonia social, que acabaram encerrando nosso “filósofo” em uma “bolha”, um “mundo especial” e mágico onde só ele e sua classe importam!
A coletividade é obrigatoriamente um Estado, sr. Aristóteles?  Tribos são Estados?
Sociedade é uma coisa, Estado é outra!  Matricule-se em Sociologia I, sr. Aristóteles!


Para ser justo, tenho que conceder que Aristóteles tem alguns insights, nem tudo que diz é besteira.  Tem o mérito de ser pioneiro – ou o pioneiro que viemos a conhecer – em obras que versam sobre sociologia.  Mas as besteiras que diz são tantas, e tão desarrazoadas, que me parecem denunciar uma pessoa que intencionalmente evita expor-se a idéias diferentes das suas, que nunca é questionado por evitar discutir com os que dele discordariam – e assim afunda-se cada vez mais nos seus preconceitos e sandices.  O que faz sentido, uma vez que ele era membro de uma elite e muito provavelmente não tinha contato com ninguém fora dela.

Aristóteles pensa como um aristocrata – ou seja, racionaliza verdadeiros absurdos, para justificar os privilégios de que desfruta.
Se faz isto inconscientemente, é um ingênuo – um canalha ingênuo, talvez.
Se tem consciência da situação, e faz propaganda visando conscientemente manter a hegemonia de que desfruta na sociedade grega, então não é melhor que Goebbels[1], o ministro da Propaganda de Hitler!



APÊNDICE
Para ser justo, incluo como “Apëndice” um trecho que me pareceu positivamente interessante, o insight de Aristóteles sobre o “dinheiro”, na pag. 16 da obra citada:
“Esta es la causa de que se suponga muchas veces que la opulencia consiste en la abundancia de dinero, como que sobre el dinero giran las adquisiciones y las ventas; y, sin embargo, este dinero no es en sí mismo más que una cosa absolutamente vana, no teniendo otro valor que el que le da la ley, no la naturaleza, puesto que una modificación en las convenciones que tienen lugar entre los que se sirven de él, puede disminuir completamente su estimación y hacerle del todo incapaz para satisfacer ninguna de nuestras necesidades. En efecto, ¿no puede suceder que un hombre, a pesar de todo su dinero, carezca de los objetos de primera necesidad?, y ¿no es una riqueza ridícula aquella cuya abundancia no impide que el que la posee se muera de hambre?15. Es como el Midas de la mitología, que, llevado de su codicia desenfrenada, hizo convertir en oro todos los manjares de su mesa.”
Aqui temos um bom insight!  Aristóteles se engana ao pensar que “o valor do dinheiro vem da lei”, mas destaca muito bem que ele não tem valor intrínseco – o que, apesar de óbvio, muitas vezes esquecemos por “naturalizarmos” o valor do dinheiro.
O leitor poderá achar interessantes alguns comentários que faço sobre o tema  no meu artigo “Crypto Currency”, que pode ser encontrado em  http://pedropereiraksu.blogspot.com.br/2014/11/crypto-currency.html .





[1] Aliás, Goebbels era Doutor em Filosofia – ver https://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_Goebbels .

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